![]() Joana Lemos: “Estou a ser pressionada para ter outro filho” 06-03-2010 Aos 37 anos, a piloto confessa ser uma mulher bastante feliz com a vida. Preparada para se mudar para Londres, Joana garante que será uma óptima experiência para a família, que poderá ser aumentada. É que o marido e os filhos pedem um bebé para breve - O ano começou em grande para si, com o trabalho de repórter da TVI no ‘Dakar’. Como correu essa experiência? - Muito bem, foi mais uma experiência fantástica. É, de facto, altamente recompensador termos o privilégio de fazer o que gostamos. Isto além de ter sido altamente motivador trabalhar com uma equipa excepcional como é a da TVI. - Sentiu mesmo vontade de voltar a pilotar? - Curiosamente, e pela primeira vez depois de algum tempo, sim. Já não corro há cinco anos. - Esse trabalho coincidiu com o final do julgamento do processo que moveu a Cinha, Mituxa e Sofia Jardim. Sentiu que foi feita justiça? - Claro que sim! Mas esse assunto está arrumado. Foi tratado em local próprio e não quero voltar a falar dele. - Pediu 50 mil euros de indemnização e a sentença só decretou quatro mil. Ficou desiludida? - De maneira nenhuma. A indemnização foi atribuída de acordo com os rendimentos das arguidas... Foi muito justo. - Porque decidiu não ficar com esse dinheiro e doá-lo à Fundação Aragão Pinto? - Porque acredito no objecto social da fundação. E, mais do que acreditar, acho muito necessário. O desporto é essencial ao bom crescimento das crianças, dá bases que, no meu entender, são fundamentais. - De que forma reagiu quando Cinha Jardim pôs em dúvida publicamente se a Joana Lemos iria mesmo doar a indemnização? - Um mau juiz por si julga! - Está casada há 15 anos mas nos últimos dois o seu marido, Manuel Reymão Nogueira, esteve na Polónia a trabalhar. Foi complicado viver um casamento à distância? - Por vezes sim, outras não tanto. Um casamento como o nosso, de 15 anos, tem bases suficientemente fortes. O que importa são as bases que um relacionamento tem. O nosso casamento tem alicerces como a confiança, a admiração mútua, a cumplicidade e, sobretudo, respeito pelo espaço de cada um. - Como reagiram os seus filhos à ausência do pai? - No princípio foi complicado mas todas as crianças têm defesas que fazem com que se adaptem muito melhor do que nós, os adultos. - Mas a sua vida vai mudar em breve, com a ida para Londres. Desta vez vai acompanhar o seu marido... Como encara essa mudança? - Encaro-a de forma positiva. Vai ser óptimo, estou muito contente. Além de ser uma cidade fantástica, vou ter muita coisa que fazer... O meu marido já lá está e eu e os meus filhos iremos depois das férias do Verão. Entretanto, tenho lá ido para ver escolas e casa. - O Martim e o Tomás aceitaram bem a mudança? - Melhor o Martim... O Tomás está a mostrar mais resistências, sobretudo por causa do futebol. Ele joga no Sporting. - Londres acaba por ser perto e a sua vida profissional não fica afectada... - Vai ser óptimo. Tenho a decorrer alguns projectos, que com a minha ida para Londres vão andar mais rápido. Presentemente, com todas as facilidades tecnológicas, a distância ficou encurtada. Não tenho dúvidas de que vai ser muito bom. - Deixou a LagosSport mas agora tem outros desafios... - Neste momento estou a trabalhar com a Aso, que são os organizadores do ‘Dakar’, num projecto muito gratificante e no qual estou muito empenhada. Estou ainda a trabalhar em parceria com a GNI Events na Race of Champions, que neste ano vai ter muitas novidades e que para os apaixonados do desporto motorizado vai ser brutal. E ainda estou ligada à Movilight, a fazer um documentário sobre o ‘Dakar’ para TV. - Continua muito ligada ao mundo automóvel... - Muito, é a minha paixão. Desde o primeiro momento que andei de moto – aos cinco anos – que começou esta paixão. - Está mesmo afastada a hipótese de voltar às competições? - Não. Tive agora um convite para participar no Rali de Portugal. Vou fazer testes e depois logo se vê. Estou com o sangue a fervilhar. - E a sua família apoia-a? - A 500 por cento. Os meus filhos reclamam mesmo o meu regresso. - Como é que consegue conciliar a carreira com a família? - Com organização e muita disciplina. - Mesmo com muito trabalho, faz questão de dar total apoio aos seus filhos. Quer isto dizer que vai levá-los à escola, vai buscá-los? - Nem sempre consigo fazer isso mas tenho a preciosa ajuda da minha mãe. Não há, para mim, melhor momento que o de tomar o pequeno-almoço com eles, beber daquela ‘inocência’ de manhã e fazer o caminho para a escola na conversa com os dois. - Como se define? - Como uma pessoa muito feliz, de bem com a vida. Feliz por a maturidade trazer uma maior sabedoria de viver e por ser uma pessoa realizada, no sentido em que me sinto bem comigo própria, olho para os meus filhos felizes e saudáveis. - Tem 37 anos. Sente-se bem com a sua idade? - Muito bem. Nunca pensei que os 30 anos fossem uma idade com tanta sabedoria. Não trocaria os 37 pelos 27. - Os seus filhos já têm 11 e nove anos. Tem vontade de voltar a ser mãe? - Tenho... Estou a ser muito pressionada pelo Manuel e pelos meus filhos. Só que na vida não se pode ter tudo, e eu não posso ir para o Rali de Portugal e ter um bebé ao mesmo tempo. Ou uma, ou outra vai sair. Estou a jogar na rifa (risos). Há dois anos que, nos Natais e nos aniversários, os meus filhos pedem sempre um mano ou uma mana como presente. Ou é agora, ou nunca. Até acho piada ter um filho com uma nacionalidade diferente... - Com dois filhos rapazes, agora seria a vez de ter uma menina? - Sou uma pessoa muito grata ao Universo e à vida. Claro que para quem tem dois rapazes uma menina vinha mesmo a calhar. Mas ficaria satisfeita se fosse outro rapaz. - Seria capaz de fazer um aborto? - Jamais... Não sou contra as pessoas que o fazem, porque ninguém deve julgar ninguém, até porque as circunstâncias da vida nem sempre ajudam. Mas devo dizer que, no meu caso, jamais seria capaz de o fazer. - Ter um filho aos 37 anos seria uma emoção diferente? - Criei os meus dois filhos com tanto amor e dedicação que acho que este seria igual. Com dois filhos com dois anos de diferença e com a minha actividade, achei que voltar a ser mãe não seria possível. Mas agora o Martim e o Tomás já estão numa fase em que exigem menos. - Sente-se em forma? É uma mulher cuidadosa da sua imagem? - Quanto baste. Há uma coisa engraçada de que me apercebi: só me maquilhei pela primeira vez perto dos 30 anos. Sempre explorei o meu lado natural, mas agora estou numa fase em que exploro o meu lado feminino e sinto-me feliz. Se tivesse uma filha dir-lhe-ia isso mesmo: para não começar cedo de mais. - Sendo o desporto motorizado maioritariamente masculino, sentiu-se, de alguma forma, discriminada? - Nunca, antes pelo contrário. Sempre fui muito bem recebida e apaparicada. - Mas o seu pai não ficou contente quando se decidiu pela sua carreira... - Porque era a única filha. Mas foram os obstáculos que serviram para pôr à prova se era mesmo o que queria. E o tempo provou, de facto, isso mesmo. - Caso os seus filhos seguissem os seus passos, como reagiria? - Apoiaria, mas alertando sempre para os riscos que existem. Mas já percebi que eles não irão por aí. O Martim vive na representação e, felizmente, desde os três anos que ele anda numa escola que enaltece as artes. Quanto ao Tomás, é obcecado pelo futebol. É a vida. Pode ser que se tiver uma menina ela seja o meu castigo. - Porque diz isso? - As raparigas dão bem mais trabalho (risos). Digo isto porque as mulheres são mais complicadas e os homens mais simples. Eu sou metade complicada, metade simples. Como tenho irmãos, em miúda imitava-os, e por isso tive imensas influências deles. - Com a sua vida numa fase excelente, é fácil perceber que está feliz. - Muito feliz. A ida para Londres está a entusiasmar-me e será uma nova etapa para todos. - Como figura pública, associa-se a várias causas e na sua página do Facebook mostrou-se solidária com as vítimas da tragédia na Madeira... - Acima de tudo, o mais importante é não explorar demasiado esta calamidade. Fui várias vezes à Madeira, já fiz o rali, e é um paraíso. Por isso, a primeira oportunidade que tiver irei lá de férias. É fundamental que as pessoas não deixem de ter confiança. Confesso que estou muito orgulhosa, enquanto portuguesa, de ter visto a atitude dos madeirenses. Foi uma lição para o Mundo inteiro a forma como agiram e como se ergueram, de maneira rápida e digna, perante a tragédia. INTIMIDADES - Quem gostaria de convidar para um jantar a dois? - Nelson Mandela. - Não consegue resistir a... - Aos meus filhos. - Se pudesse alterar alguma coisa no corpo e no feitio, o que mudava? - Nada! Vivo muito bem na minha pele. - Sinto-me melhor quando... - Faço desporto. - O que não suporta no sexo oposto? - A hipocrisia. - Qual o seu pequeno crime diário? - É o tabaco. Mas está para breve deixar os cigarros. - O que seria capaz de fazer por amor? - Já fiz muita coisa... Até deixei de pilotar por amor. - Complete a frase: a minha vida é... - ... uma dádiva! Rita Montenegro | ||


















