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Tozé Martinho: "Até sou capaz de aspirar e arrumar"
Actor revela que ajuda nas tarefas domésticas
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29/01/2012 11H44
Tozé Martinho estreou-se na representação no filme ‘A Guerrilheira’, de Pièrre Kast, em que contracenou com actores europeus
Foto: João Miguel Rodrigues

Tozé Martinho apaixonou-se pela representação na adolescência e o concurso ‘A Visita da Cornélia' foi uma viragem na sua vida. Diz que gosta de arriscar, confessa-se romântico e revela que ajuda nas tarefas domésticas.

Correio da Manhã - Frequentou os cursos de Medicina Veterinária e de Economia. Mas acabou por se licenciar em Direito...

Tozé Martinho - Quase todos os homens da minha família são médicos e eu fui induzido por eles a seguir essa área. Mas, na realidade, não queria ser médico. Fiz o primeiro ano da faculdade e depois fui para a tropa, para Moçambique.

- E só mudou de área quando regressou.

- Sim, mas na primeira aula de Matemática que tive, percebi que não podia continuar em Economia porque eu nem sabia ler o que se passava no quadro...

- Onde foi buscar a paixão pela representação?

- Aos 14 ou 15 anos entrei numa peça de teatro na escola onde andava e ficou para sempre essa paixão. Ainda hoje sei partes do texto dessa peça. Nessa altura, senti que aquilo que estava a fazer ia ser a minha vida, e foi. Aos 18 anos acabei por pedir à minha mãe para ser actor, mas fui para a tropa.

- O concurso ‘A Visita Cornélia' foi um ponto de viragem?

- Sim, porque quando acabou o concurso, o Raul Solnado teve uma conversa comigo e incentivou-me a seguir a carreira de actor. Mas nessa altura eu ainda não podia, porque estava a tomar conta de uma propriedade da família em Trás-os-Montes.

- Quando se estreou?

- A minha estreia foi no filme ‘A Guerrilheira'.

- É uma pessoa capaz de se arriscar às cegas?

- Gosto de arriscar, claro. Mas com serenidade.

- Está casado há 36 anos [com Ana Rita. Significa que é um homem romântico?

- Sim, ainda hoje faço surpresas à minha mulher.

-Têm dois filhos [António e Rita] em comum. Foi sempre um pai presente?

- Fui. Induzi o meu filho a ser operador de câmara e hoje é realizador da TVI, na Plural. À minha filha Rita, convenci-a a seguir jornalismo.

- O Tozé Martinho é um homem à antiga, isto é, que não partilha nas tarefas domésticas, ou ajuda lá em casa?

- Há coisas que não me importo de fazer, como ir ao supermercado. Também sou capaz de aspirar a casa, de sacudir os tapetes e até mesmo de arrumar uma sala. Há coisas mais femininas como cozinhar...

- Com tantos chefs homens, acha mesmo que cozinhar é uma coisa só para as mulheres?

- Acho. Mas além do mais, a verdade é que não tenho jeito nenhum. 

"NÃO TOLERO A INVEJA, ELA LEVA A EXTREMOS"

- O que não suporta nas pessoas?

- A inveja, sobretudo. A inveja que leva a extremos o ser humano, que o leva a destruir, por vezes por muito pouco, por pura maldade. Não tolero!

- É católico. A fé é importante na sua vida?

- É importante, até nos trabalhos que fiz como autor. É importante esta serenidade com que escrevo.

- De que tem medo?

- Tenho medo de ficar doente, de repente, como amigos meus, que ficaram doentes e morreram.

- A política não o atrai?

- Fui desafiado para entrar na vida política, mas nunca quis um cargo político.

- Porquê?

- Porque o mal dos políticos é entrarem na política de ânimo leve. E não pode ser, tem de ser de ânimo pesado e muito sapiente.

"FAÇO COLECÇÃO DE LATAS DE CHÁ"

- O que lhe dá mais prazer na vida?

- Tenho muito prazer em escrever de repente um poema. Tenho poemas no computador.

- Não os publica?

- Não, não sou poeta. Talvez um dia publique um fascículo para mandar a amigos.

- É de extravagâncias?

- Tenho pequenas extravagâncias como ir pela Baixa fora e assaltar-me a ideia de ir comer croquetes ao Gambrinus.

- Tem algum hobby?

- Tenho vários, mas há um que todas as pessoas se admiram: faço colecção de latas de chá.

- Como começou isso?

- Uma vez, estava eu em Macau e fui tomar um chá. Trouxeram-me uma malga que tinha um golo de chá e eu perguntei que chá era esse. O senhor foi buscar uma lata e mostrou-me. Achei-a tão bonita que fiquei com ela e fui comprando outras...

- Quantas tem?

- Perto de 400. 

PERFIL

Filho da actriz Maria Teresa Gonçalves, mais conhecida por Tareka, com quem participou em ‘Cornélia', António José Martinho é actor, escritor, autor, argumentista de TV e advogado. Tem 64 anos, é casado com Ana Rita Martinho e tem dois filhos, António e Rita.

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