Alda Gomes: "Sonho com uma vida estável"

Nasceu numa aldeia perto de Alenquer, mas nunca desistiu do sonho de ser atriz.
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26 out 2014 • 16:37

Interpretou Conceição Loureiro, na série 'Bem-vindos a Beirais', da RTP 1. Como correu essa experiência?

Foi ótimo e correu tudo muito bem. Foi uma aprendizagem e uma grande escola. Trabalhei com atores muito experientes.

Como descreve o ambiente durante as gravações?

Muito divertido, mas sempre dentro do mais estrito profissionalismo. Gravar foi uma animação contida.

Estava à espera de que a série tivesse tanto sucesso junto do público?

É uma constante para todos os atores, creio eu: esperamos sempre o melhor, em qualquer trabalho. Queremos que resulte, que as pessoas gostem daquilo que fazemos. Que se divirtam e continuem a acompanhar do princípio ao fim.

A sua personagem, a São, como gostava de ser tratada, era ambiciosa, competente, mimada e habituada a ter tudo aquilo que quer. Muito diferente da Alda?

Completamente diferente. Pessoalmente, também ambiciono ter projetos que me desafiem, mas acho que não sou nada arrogante nem mimada, como é a São.

É desafiante interpretar uma mulher que é o oposto de si?

Sim, muito. Sinto medo quando isso acontece, mas sei que é positivo. É aquele empurrão de que precisamos para andar para a frente.

Como é que se preparou para esta personagem?

Não me baseei em ninguém, se é isso que quer saber...

Este é um elenco com personagens cómicas…

A ingenuidade das personagens é tão pura que dá vontade de rir. É um dos objetivos da série e acho que foi plenamente conseguido. A série conta histórias reais, do dia a dia, e acho que o público se identifica.

Ser atriz é um sonho tornado realidade. Foi difícil chegar até aqui?

Foi complicado. Aos oito anos eu já sabia que queria ser atriz, mas não posso dizer que tenha sido fácil chegar até aqui.

O facto de ter crescido numa aldeia perto de Alenquer dificultou a concretização desse sonho?

Sim. Não tinha acesso à informação certa para chegar onde desejava. No meio onde vivi e cresci ninguém sabia como me ajudar. Estava só, com o meu sonho. Felizmente, já passou.

Como surgiu a paixão pela representação? Como soube, aos oito anos, que era isso que queria?

Sou uma pessoa tímida por natureza, mas sempre gostei de vestir várias capas. Sempre achei que a profissão de atriz me daria oportunidade de viver outras vidas, que não a minha.

Quais foram as maiores dificuldades que encontrou ao longo do seu percurso profissional?

Recebi muitos ‘nãos’ e aprendi a viver com isso. Aceitei participar na série ‘Malucos do Riso’, da SIC, o que na altura não foi visto com bons olhos. Muita gente achava que aquilo era uma palhaçada. Não me importei. Aceitei o desafio e acabei por adorar a experiência. Aprendi e diverti-me muito. Tenho orgulho nesse trabalho.

Foi esse projeto que lhe abriu as portas para o mundo da representação?

Não. O que me abriu as portas foi o facto de ter continuado a insistir. De não ter desistido nunca de perseguir os meus sonhos.

Alguma vez pensou ser outra coisa que não atriz?

Várias vezes, sim. Sentia que estava a ocupar o lugar de alguém. Durante um certo tempo, achava que não era suficientemente boa...

Não frequentou o Conservatório Nacional. Tem pena?

Tenho pena, mas ainda estou a tempo. Todos devemos ter uma formação. Para me apoiar, fiz vários workshops de interpretação.

Terminou a sua participação na série ‘Bem-vindos a Beirais’. Tem algum projeto agendado?

Sim. A seguir, vou fazer a peça ‘Conto de Natal’, a partir da novela do britânico Charles Dickens. Fiz uma audição e fui escolhida. Os ensaios já começaram e estou ansiosa. É uma história muito engraçada e vamos levá-la a Lisboa e ao Porto.

Já afirmou ter tido uma infância feliz, apesar das dificuldades. Isso obrigou-a a crescer mais depressa?

Sim. Como a todos nós. Não tive tantas brincadeiras como os miúdos da minha idade e, se calhar, pensei mais na minha vida. Só sei que isto não me saía da cabeça: queria ser atriz e sair da aldeia.

Sempre quebrou barreiras…

Sim. Passei por muita coisa. Nos anos 80, as coisas eram complicadas. Tinha passado pouco tempo depois do 25 de Abril. E eu estava longe de tudo e de todos...

Tem seis irmãos. A família apoiou-a no desejo de ser atriz?

Os meus irmãos sempre acharam muita graça. Mais complicado foi, aos dez anos, perceber que os pais ou os avós contrariam a nossa vontade. Que não nos percebem, simplesmente. Era uma questão de choque de mentalidades.

Como foi a adaptação a Lisboa?

A adaptação foi ótima. Aos 15 anos apanhei um autocarro e andei de teatro em teatro a fazer perguntas, à descoberta. Foi tão intenso que não tive saudades de casa.

Qual foi a sua primeira impressão da capital? Recorda-se?

Só sei que estava ansiosa…

Afirmou várias vezes que é uma pessoa tímida...

E é verdade. É um defeito muito grande. E parece que, em vez de melhorar, estou cada vez pior.

O público pouco ou nada conhece sobre a Alda Gomes fora do ecrã. Porquê? É uma opção sua?

Não gosto do mediatismo e sou muito discreta. Depois, quero proteger as pessoas da minha família, que não têm nada a ver com a minha profissão e têm direito a ter sossego.

Acha que o público repara no seu trabalho?

Acho que sim. As pessoas abordam-me na rua, por isso tenho feed-back.

Qual foi o projeto que mais gozo lhe deu fazer?

É sempre o próximo. Não há como qualificar os projetos. Todos são desafios importantes.

'7 Pecados Rurais', de Nicolau Breyner, foi um dos filmes portugueses mais vistos de sempre. Tinha noção de que havia condições para ir tão longe?

Claro. Era um excelente filme e constitui um grande motivo de orgulho no meu currículo.

Como recorda a Raquel? Foi uma personagem desafiante?

Era burra e ingénua, mas recordo-a com carinho. Deus queira que volte… Adoraria fazer uma sequela do filme. Acho que podíamos fazer imensa coisa com o '7 Pecados Rurais'.

Trabalhou ao lado de grandes atores. O que lembra com mais saudade das gravações?

Da ansiedade de ir para o estúdio.

É uma pessoa nostálgica?

Sim, e muito saudosista.

Acredita no amor? 

Sem dúvida. Para mim, amor é dedicação. Acredito na amizade e no carinho que formam a palavra amor.

Namora com o produtor Vasco Teodoro há mais de um ano. Como é que se conheceram?

Através de amigos em comum. Nunca mais nos largámos.

Foi amor à primeira vista?

Sim. Achei-o um borracho. Ele fica envergonhado sempre que digo isto, mas é verdade.

Como descreve a vossa relação?

Somos muito amigos.

Sonha com o casamento?

Prefiro não responder.

Constituir família é um objetivo?

Quem sabe... Não sei.

Qual foi o maior elogio que já recebeu até hoje?

Sei que sou uma pessoa generosa e humilde. Tenho os pés bem assentes no chão.

Já confessou que é uma pessoa racional. É um entrave ou uma vantagem nas relações com os demais?

É um entrave para aventuras. Penso muito nas coisas.

É uma pessoa dócil no trato e de gargalhada fácil. Foi sempre assim?

Sim. Sou uma pessoa muito bem-disposta.

Tem muitos amigos?

Esta frase é já um cliché, mas aplica-se totalmente à minha vida. Posso dizer que tenho poucos amigos, mas muito bons.

Na sua opinião, quais são as suas maiores qualidades como pessoa?

É tão estranho dizê-lo. Mas acho que sou amiga do meu amigo, procuro ser atenciosa e educada. Acho que sou simpática e bastante humilde.

Qual foi o maior susto que apanhou até hoje?

Apanho sustos todos os dias. O importante é saber lidar com eles.

Gostava de trabalhar fora de Portugal, tal como os seus colegas de profissão Daniela Ruah, Diogo Morgado e Joaquim de Almeida?

Confesso que não é um sonho que acalente. Embora já tenha trabalhado em França, num filme...

Qual é o seu maior sonho?

Quero ver o meu trabalho reconhecido. Sonho ter uma vida estável e com saúde.

Perfil

Tem 35 anos e estreou-se em televisão aos 17, na série 'Riscos', da RTP. Seguiram-se outros projetos no pequeno ecrã e no cinema. As novelas 'Jura', da SIC, e 'Bem-vindos a Beirais', da RTP 1, foram os seus trabalhos de maior destaque. Atualmente, prepara a peça 'Conto de Natal', de Charles Dickens.

Intimidades

Quem convidaria para um jantar a dois?

O ator britânico Anthony Hopkins.

Quem é o homem mais sexy do Mundo?

Não sei...

O que não suporta no sexo oposto?

Que não respeitem o sexo feminino.

Qual é o seu maior vício?

Ver televisão.

O filme da sua vida?

'O Paciente Inglês', realizado por Anthony Minghella.

Cidade preferida?

Ainda vou conhecê-la.

Um desejo?

Ser feliz.

Complete. A minha vida é…

Uma gargalhada.

 

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