Atriz da TVI Anna Eremin assume depressão: "Devia ter contado ao Pedro"

Estrela da ficção nacional continua medicada e ser acompanhada por médicos.
Anna Eremin
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22 jun 2020 • 12:59
Anna Eremin, de 29 anos, assumiu que luta há dois anos contra uma grave depressão. O relato emotivo foi feito através das redes sociais, dois dias depois da morte do colega de profissão Pedro Lima.

"Corria a Primavera de 2018, solarenga, feliz, era o melhor ano da minha vida. A casa mais bonita de Lisboa, dividida com alguém que tem a bondade nos olhos e o Mundo no coração, era eu protagonista de um espetáculo no teatro dos meus sonhos, uma novela com a personagem (provavelmente) mais marcante que tive até hoje. Tudo motivos para acordar banhada em gratidão e sorrisos. Quando o médico de família me diagnosticou a palavra depressão, ri-me na cara dele", começou por escrever.

Fora de perigo, a atriz revelou ainda que chegou a atentar contra a própria vida e que recusou ajuda médica.

"Rasguei a receita que dizia "Zoloft" com o ar mais arrogante do mundo. Ignorei, arrogante, as palavras dele ("vou marcar-lhe uma sessão de terapia. Pode ser tarde demais"). Arrogante, fui lá e cuspi na cara da terapeuta. Porque não sou frágil, pensei. Porque eu é que me conheço, pensei. Porque é ridículo, disse."

"Eu tive a sorte de me encontrarem num carro no meio do Alentejo. Tive a sorte de ter pessoas num círculo próximo que sabiam que este bicho mata. Quão assustador é. Mas que tem solução. Dura, f*****, não definitiva, mas tem. É possível. Não parece. Eu juro, eu sei, não parece, mas tem. Tomo Zoloft há dois anos todas as manhãs. Vou ao psicólogo, vou ao reiki e tenho pessoas muito bonitas na minha vida. Eu tenho sorte, sim. Mas eu não soube aceitar ajuda. Não soube. Não tive outro remédio e estou viva só por causa disso", acrescentou.

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Confesso que nunca pensei fazer isto. Faz-me muita confusão espetar a minha intimidade numa rede social. Contudo, a vida acontece, a morte acontece, e, se estas linhas tiverem o poder de mudar um destino então, foda-se! Bora! Corria a Primavera de 2018, solarenga, feliz e Oh! The irony!, era o melhor ano da minha vida. A casa mais bonita de Lisboa, dividida com alguém que tem a bondade nos olhos e o Mundo no coração, era eu protagonista de um espectáculo no teatro dos meus sonhos, uma novela com a personagem (provavelmente) mais marcante que tive até hoje. Tudo motivos para acordar banhada em gratidão e sorrisos. Quando o médico de família (sim! Eles também têm esse poder e essa sensibilidade!) me diagnosticou a palavra DEPRESSÃO, ri-me na cara dele, Burro, pensei. Cancro, tá-se bem, agora isto? Pensei. Não sou fraca! Pensei. Que merda que sou! Pensei. Ingrata, pensei. Tenho tudo, pensei. E rasguei a receita que dizia "Zoloft" com o ar mais arrogante do mundo. Ignorei, arrogante, as palavras dele ("vou marcar-lhe uma sessão de terapia. Pode ser tarde demais"). Arrogante, fui lá e cuspi na cara da terapeuta. Porque não sou fragil, pensei. Porque eu é que me conheço, pensei. Porque é ridículo, disse. Abri uma garrafa de vinho, bebi-a e fui dormir. Estou só um pouco cansada, pensei. E fui trabalhar, porque tenho a sorte dos poucos de fazer o que amo. Porque só se queixam os ingratos, os fracos, os burros. Não dormi. Como dormir, se a adrenalina te corre nas veias? Como não vomitar, se trabalhas horas a mais? É tudo normal, pensei. E continuava a rir. A ansiedade é normal. Todos têm. O cansaço é normal. Não faço mais que a minha obrigação e o meu amor. Depois a voz falhou numa cena e noutra. É o calor, pensei. Depois a arrogância. Ninguém me compreende, pensei, como não compreendemos ninguém. Veio a maldade, as respostas tortas. Não era normal, diziam. Deves estar parva, diziam. Depois as gargalhadas forçadas, a boa disposição desmesurada, a palhaçada, o excesso de emoção. Como não? Estou cansada, dizia. Ninguém tem culpa, dizia. E nas noites sem dormir o calor tinha culpa. E nas viagens de carro, a música não tinha volume suficiente. (Continua nos comentários ??)

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A estrela da novela 'Quer o Destino', da TVI, lamentou ainda não ter oportunidade de confidenciar o seu problema de saúde a Pedro Lima, que foi encontrado morto este sábado, 20 de junho, na praia do Abano, em Alcabideche, Cascais.

"Se calhar devia ter contado isto ao Pedro. Não calhou. Estou a contar-vos a vocês. Uma depressão são óculos escuros que não saem. É uma realidade paralela que não existe e está na nossa cabeça. Só. E é possível tirar esses óculos. É mesmo possível. Por favor. Já aprendemos a cuidar do nosso corpo, já sabemos correr pela manhã e fazer batidos verdes. Mas, por favor, vamos cuidar de tudo o resto antes que seja tarde de mais. É só o que vos peço. Por favor."

Anna Eremin, recorde-se, é presença assídua nas novelas da TVI. Deu vida à personagem Cátia na novela 'Jogo Duplo', onde vivia um romance lésbico com Susana, interpretada pela atriz Jani Zhao.

Atualmente, está a gravar 'Quer o Destino', também no quarto canal.

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