Cifrão: “Para mim não há limites”

Quando era pequeno queria ser gestor de empresas, mas aos 16 anos a arte mudou-lhe a vida.
A carregar o vídeo ...
Atuações de Cristina Ferreira no 'Dança com as Estrelas'
23 nov 2015 • 18:00
Meghanne Barros
O seu último projeto em televisão foi o programa ‘Pequenos Gigantes’, TVI. Como foi a experiência?
Foi dos programas de televisão que mais gostei de fazer. É muito bom trabalhar com miúdos que têm talento e que sabes que vão ser alguém no futuro se continuarem a trabalhar na arte que dominam. Para mim, foi muito gratificante ter trabalhado com miúdos que têm capacidades incríveis, que dançam como adultos numa tenra idade, entre os seis e os doze anos. Gosto de estar ao lado destas crianças, que sabem o que é trabalhar e que têm sonhos, porque me revejo muito nelas.

Desde cedo que também fez questão de lutar pelo que quer. Porque decidiu sair de casa e trabalhar com 13 anos?
Porque desde cedo que queria a minha independência, tanto monetária como profissional. Nunca fui uma pessoa de ficar parada. Planeio muitas metas e muitos objetivos e trabalho para conquistá-los, por isso nessa idade já tinha metas para atingir e decidi fazer-me à vida.

Começou a dançar aos 16 anos, mas dizia que não tinha jeito...
Era péssimo! Eu quis aprender a dançar porque ia para as discotecas e ficava encostado ao balcão a ver os outros. Ia tentar dançar e eu era parecido com a personagem Johnny Bravo, que só faz movimentos com os braços. Queria aprender a fazer parte daquilo de uma outra forma e foi por isso que decidi aprender a dançar. O certo é que, no espaço de um mês, apaixonei- -me realmente pela dança.

E conseguiu aprender a dançar rapidamente?
Mais ou menos. Eu era um pé esquerdo. No futebol, era sempre guarda-redes, ou seja, bem bom com os pés eu era. Por isso, nas aulas de dança, eles iam todos para a direita e eu para a esquerda. Não nasci com talento para a dança, mas esforcei-me o suficiente para ser alguém neste mundo.

É um sonhador?
Muito, acho que tudo é possível. Tento pensar que não há barreiras para as coisas. Quando quero algo, penso que tudo se consegue, porque se tiver capacidades físicas e saúde, os sonhos realizam-se e nós conseguimos tudo. Para mim não há limites, consigo ir onde quiser desde que me esforce o suficiente para isso.

Tenta transmitir essa ideia aos que o rodeiam?
Tento passar essa ideia a toda a gente com quem trabalho. Acho que sou chato até. Como vejo a vida de uma forma positiva, gosto de passar essa ideia aos bailarinos, miúdos e até produtores. Tento sempre mostrar que as coisas podem ser simples e possíveis. Não tenho problemas, tenho obstáculos um bocadinho mais difíceis de transpor.

Aos 22 anos, esteve a estudar música, teatro e dança em Londres. Como foi essa temporada longe de Portugal?
Foi uma altura muito complicada da minha vida. Como já referi, quis a minha independência aos 13 anos e, quando cheguei a Londres, percebi que não era tão independente como achava. No espaço de um ano, troquei nove vezes de casa, sempre à procura da mais barata. E ao mesmo tempo que estava a estudar trabalhava numa loja de roupa.

Sentiu a falta da família?
Sim, Londres mostrou-me que precisava muito de estar com os amigos e a família e sentia muito a falta desse convívio. Foi uma fase complicada, mas que me fez entrar mais dentro de mim e descobrir muitos sentimentos para os quais estava fechado, o que me ajudou imenso na dança. Voltei de lá um artista com mais sentimentos, por isso é a minha cidade de eleição a seguir a Lisboa.

Quando voltou, apareceu no pequeno ecrã na série ‘Morangos com Açúcar’ (TVI)...
Fiz quatro anos da série enquanto ator, mas fiz quase sete como coreógrafo da novela, por isso os ‘Morangos com Açúcar’ (TVI) são muito mais do que um projeto, foram durante muito tempo a minha vida. Ainda hoje tenho muitas pessoas com 20 anos a dizer que adoravam ver a nossa série e sinto que foi um projeto juvenil que marcou mais pessoas.

Ainda o reconhecem como o ‘Zé Milho’ dos ‘Morangos com Açúcar’?
Sim, porque há uma temporada que ainda passa na televisão e os miúdos quase todos os dias me chamam ‘Zé Milho’. É muito bom.

Fez parte da banda D’ZRT. Tem saudades desses tempos?
Tenho saudades de subir ao palco e dos três, como é evidente. Um mais do que outros, infelizmente... Moro perto da casa do [Paulo] Vintém e vejo quase todos os dias o Edmundo. Tenho saudades de estar em palco com eles, mas acho que não faz sentido aturarmos sem o Angélico [Vieira]. O projeto era a quatro e não existe de outra maneira.

Sente que eram uma família?
Sim! Vivemos coisas muito intensas, fomos apanhados de surpresa com o sucesso que a banda teve. Durante dois anos vivíamos numa bolha porque tínhamos concertos e gravações todos os dias. Éramos uma família os quatro, ajudávamo-nos em tudo. Nunca nos chateávamos nem discutíamos, o que era incrível, com a pressão toda que havia. Sempre que subíamos a palco era uma energia única, por isso tenho muitas saudades.

Falou do Angélico...O que é que ele lhe ensinou?
Ele ensinou-me a aproveitar a vida. Não conheço ninguém que tenha aproveitado tanto a vida no tempo que viveu. Muito antes de tudo acontecer, o Angélico fazia-me ver que era preciso dar valor à vida. Sou muito focado no lado profissional e às vezes esqueço-me do resto e ele mostrou-me que há um resto. Embora ainda esteja muito preso nesse conselho que ele me deu, tenho sempre a consciência de que ainda preciso de deixar de ser tão agarrado ao trabalho.

Está há dois anos e meio a trabalhar num novo álbum...
Estou numa fase da minha vida em que estou bem, não faço as coisas por dinheiro, faço as coisas porque gosto e a música acontece dessa maneira. Estou a trabalhar com mais um amigo e estamos a divertir-nos, a construir coisas, a reunir-nos para tocar e produzir. Já podíamos fazer para aí uns três álbuns, mas estamos a fazer as coisas com muita calma.

É um artista muito completo: músico, bailarino e ator. Alguma das vertentes o preenche mais?
O Angélico dizia uma coisa que era das mais corretas do mundo. Isto é como teres três filhos e perguntarem- -te qual é o filho de que gostas mais. É impossível dizeres, ou seja, gostas dos três e dás a vida pelos três. De certa maneira é assim que eu penso. Estar ligado a três vertentes de palco dá-me oportunidade de mudar radicalmente, então, há anos em que me apetece fazer uma coisa e outros anos outra.

Como surgiu a alcunha ‘Cifrão’?
Surgiu de uma coisa muito engraçada, aos 12 anos... Fui acampar na passagem de ano em Vila Nova de Milfontes com os meus amigos de Massamá e, na altura, eles levaram todos cinco contos e a minha mãe, como não sabia o que era acampar com um grupo de amigos, deu-me 40 contos... Quando cheguei ao pé dos meus amigos, que eram todos mais velhos do que eu, fiquei apelidado como ‘puto cifrão’, porque tinha levado muito dinheiro. Depois, quando deixei de ter idade para ser ‘puto’, a alcunha passou a ser só ‘Cifrão’.

Era um aluno aplicado?
Era focado naquilo que gostava. Para aquilo de que não gostava tanto, estudava na véspera para conseguir passar. Confesso que a matemática era o meu calcanhar de Aquiles. Odiava.

Mas queria ser gestor de empresas...
Desde que nasci. Há miúdos que querem ser pilotos de Fórmula 1 ou astronautas, eu queria ser gestor de empresas, por influência dos meus pais. Desde que me lembro que dizia que queria ter a minha empresa e ser o homem mais rico do Mundo.

O que o fez mudar de ideias?
A arte muda a vida das pessoas e mudou a minha. Na altura, tinha um grupo de dança e entrei para a tuna e quase nunca ia às aulas, até que decidi ir para o Conservatório Dom Dinis. Embora esteja muito ligado à parte de gestão, porque faz parte de mim. Preciso sempre de estar a fazer coisas, não consigo estar parado.

Já namora há nove anos com a bailarina Noua Wong. Como começou a vossa história de amor?
Conhecemo-nos quando ela tinha 15 anos e eu uns 18. Ela era de um grupo de dança e eu de outro, sendo que eu a via como uma miúda. Nós sempre tivemos contacto mas nunca amoroso. Mas entretanto ela cresceu e eu comecei a vê-la de uma maneira diferente e, nove anos depois, ainda cá estamos. Tudo faz sentido com a Noua, sempre tivemos o mesmo grupo de amigos, temos profissões semelhantes. Tudo bate certo.

Faz parte dos vossos planos subir ao altar?
Não pensamos nisso, nem em casar, nem ter filhos. Não colocamos nada de parte. Estamos juntos há nove anos e estamos casados de fé.
importa
importa
importa
importa
importa
importa
Mais sobre
artigos relacionados
Newsletter
topo