Cristina Homem de Mello: "Assumir que temos medos é uma força”

Actriz não gostou da sua adolescência, mas gozou bem a juventude
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16 out 2011 • 10:49

Cristina Homem de Mello diz que demorou a descobrir-se e conta que não gostou da sua adolescência, mas gozou bem a juventude e aproximou-se da natureza para superar ataques de pânico.

Correio da Manhã - Interpreta Felicidade Sardinha na telenovela ‘Anjo Meu'. Há alguma coisa que a aproxime da personagem?

Cristina Homem de Mello - Aparentemente não, porque é um estrato social diferente. Mas a Felicidade Sardinha deu-me hipótese de voltar a ser refilona.

- E tal como a Felicidade, também começou a trabalhar cedo.

- Eu fui educada a dizerem-me que se eu quisesse ter o meu dinheiro tinha de trabalhar, fosse a lavar carros ou no baby-sitting.

- Mas é verdade que sonhava ter "uma casa com piscina e jardim para ter um cão"?

- [Risos] Acho que quando chegamos aos 40 há a famosa crise, mas a minha começou aos 35. Comecei a pôr tudo em questão e foi um processo lento. Eu sou Balança, sou conciliadora, não digo que não...

- Gosta de astrologia?

- Gosto e mudou a minha vida. Comecei a deixar de ser céptica, a perceber que há mais do que as coisas materiais e do que os nosso padrões de pensamento.

- Estudou astrologia para encontrar respostas?

- Não estudei, mas foi na astrologia que descobri muitas coisas acerca de mim. Trouxe-me alento, foi revelador. Eu não gostei da minha adolescência, não tinha liberdade, não sabia o que queria. Dos 20/30 anos, gostei. As grandes amizades, as grandes festas...

- Gozou bem esse período?

- Gozei. Acho que fui mãe muito tarde [aos 42 anos] por causa disso, mas depois pensava: ‘Já acabei o liceu há muitos anos e não tenho um projecto de vida?!' Eu ia flutuando, o que era mau porque nós vamos sendo o que as pessoas querem de nós e não o que nós queremos. Mas acho que tive sorte.

- Diz isso porque chegou onde sempre ambicionou?

- Claro, mas eu não sabia se era isto que queria. E lembro--me de dizer que queria aprender a ser uma pessoa alegre.

- Mas era uma pessoa triste?

- Não. Mas via-me como uma pessoa preocupada, pesada...

- E agora é sabido que passa muito tempo na praia.

- Passo. Uma das atitudes mais saudáveis é voltar a ligarmo-nos à natureza. Eu tive ataques de pânico.

- Pânico de quê?

- Não sei. Quando chegava a casa e começava a aliviar do stress... Desmaiava, fui parar ao hospital, tive desequilíbrios, tonturas e não conseguia perceber porquê, porque não tinha medo de nada. Era tudo da cabeça. Aprendi a meditar e esses pânicos desapareceram quando deixei de querer controlar as coisas. Acho que a questão é essa: medo de não sabermos o amanhã. Começamos a controlar. Acho que temos de assumir que temos medos, que temos problemas. Assumir que estamos frágeis é uma força. 

"JÁ ESTOU A GASTAR MUITO MENOS"

- Como é ser actriz com um filho de três anos?

- É a loucura. É contar muito com a família. Poder ganhar um salário que permita ir trabalhar. Tenho de poder pagar a uma empregada que me assegure desde a saída da escola do Martim até eu chegar a casa.

- Sente a crise?

- Ainda não senti. Até estou com medo. Mas inconscientemente já me estou a preparar, já estou a gastar muito menos.

- O futuro do Martim é uma preocupação?

- Não. Ele está numa escola da Misericórdia que é muito boa. Mas acham que por eu ganhar bem durante nove meses tenho de pagar e eu acho bem enquanto puder, mas já fui ver uma creche pública.

- A fama levou-a a deixar de fazer alguma coisa?

- Não. Faço as compras num supermercado. Não me coíbo de fazer o que quer que seja.

"DISSE-LHE LOGO QUE QUERIA SER MÃE"

CM - Há quatro anos casou-se com Francisco Vidal. Foi a Cristina que o pediu em namoro e em casamento...

- Pois. A minha sogra falava nisso, espicaçava com brincadeiras ao telefone e eu perguntei-lhe se ele queria casar-se comigo. Não foi nada romântico mas depois obriguei-o a ajoelhar-se. E uma das coisas que eu lhe disse logo quando começámos a namorar foi que queria ser mãe. Ele já era pai.

- A sua enteada chama-se Carolina e tem 17 anos. Ela vive convosco?

- A maior parte do tempo. Somos quatro a viver juntos, cada um tem a sua personalidade e temos de nos encaixar. A Carolina é muito artista.

- E a Cristina teve dificuldade em adaptar-se ao seu filho, Martim?

- Tive. Esse deve ser o único senão de ter sido mãe tarde.

- Já tinha hábitos?

- Pois, e muitas vezes não temos consciência deles. Eu não estava preparada para ser mãe, mas tudo se aprende. Uma das coisas que mais se aprende é a ter paciência com os filhos. 

PERFIL

Cristina Homem de Mello tem 46 anos. Estudou no Liceu Francês e concluiu o curso de Tradutores e Interpretes, após o qual fez um casting, por sugestão de Manuel Arouca, e foi seleccionada. Casada há quatro anos com Francisco Vidal, da marca Xcult, é mãe de Martim, de três anos.

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