Diogo Piçarra: "Quero ser um pai como o meu, sempre presente”

O cantor foi ao baú das memórias para escrever parte do novo disco, ‘South Side Boy’. O pretexto para falar com um rapaz do sul, hoje de dimensão nacional, que se prepara para ser pai...
Diogo Piçarra
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30 nov 2019 • 17:31
Miguel Azevedo
Neste disco ouve-se um Diogo algo derrotista, que diz que "já não sente nada", mas também há um Diogo que fala de amor, de coração, de anjos e santos. Que Diogo é este?
Neste disco quis mostrar um Diogo ainda mais sensível e mais nostálgico do que o habitual. Para isso, fui buscar muitos dos sentimentos da minha juventude e adolescência, da altura em que o Diogo era inseguro e vivia num turbilhão de sentimentos, da altura dos 15/16 anos em que tudo parece horrível e achamos que ninguém nos compreende. Mas depois este disco tem também o Diogo otimista e positivo, o Diogo mais do presente.

Como autor é de andar a vasculhar nas memórias do passado?
Sim. É impossível fazer canções sem ir buscar coisas ao passado, quer sejam sentimentos, experiências ou até histórias de outras pessoas.

Como é que foi a sua infância e adolescência?
Não me posso queixar. Sempre fui um rapaz feliz, a jogar à bola com o meu irmão gémeo. Sempre tive os meus pais presentes para nos apoiarem em tudo. Mas lembro-me de que, na fase da adolescência, a minha autoestima baixou bastante, com todo o acne e desilusões amorosas à mistura [risos]. Foi quando apareceu a música e eu me agarrei a ela. Ajudou-me muito em fases menos boas. Foi uma luz ao fundo do túnel. Descobri que tinha um gosto pela música que não conhecia e um dia decidi aprender a tocar um instrumento.

Sobre o que falava a primeira canção que escreveu?
Sobre a minha namorada da altura.

Mas foi escrita durante ou depois do namoro?
Foi durante [risos]. Toda a música era sobre ela. Aliás, na altura eu já tinha uma banda e as nossas músicas eram todas sobre as nossas namoradas.

E o Diogo namorava muito?
Não. Só tive uma namorada. Eu era muito tímido. Curiosamente, foi graças à música que eu comecei a soltar-me mais. Eu era daqueles que ficavam sempre no cantinho da sala e do pavilhão. Foi com a música que comecei a conhecer mais pessoas e a fazer mais amizades.

E essa timidez passou?
Passou um pouco. Mas ninguém imagina o quão tímido eu era. Hoje é que eu sei os truques todos para combater a timidez. Também já sou adulto e já não há tantos filtros. Já não preciso de esconder nada, fingir que sou outra pessoa ou forçar algo. Na altura da minha juventude, era preciso puxar muito por mim. Por eu ser muito inseguro criava muitas barreiras. Acho que precisava de ter tido alguém ao meu lado que me dissesse: ‘Puto acorda para a vida! Tu és bom, tocas e cantas bem!’ Acho que o curso que tirei na universidade também me ajudou bastante.

Este rapaz do Sul de que fala neste disco, o tal que era muito tímido, dá-se bem hoje com este rapaz de dimensão nacional?
O ‘South Side Boy’ é uma parte de mim que irá sempre existir. Esse nome tem, claro, que ver com esse rapaz do sul, mas também fui buscá-lo à claque do clube de futebol da minha terra, o Farense, que são os South Side Boys. Este disco tem tanto do Diogo presente como do Diogo passado, mas sempre com um olhar no futuro. Isso vê-se muito, por exemplo, na produção. Apesar de ser um disco muito melancólico, também há aqui muita modernidade com alguma eletrónica à mistura.

E quando regressa a Faro como é que as pessoas hoje o veem?
Quando regresso à minha cidade, ao meu bairro ou à minha rua, já não sou o Diogo anónimo. Quando vou passear o meu cão, já toda a gente comenta: ‘Olha o Diogo Piçarra!’ Mas isso é normal. Mas também há pessoas que nem sabem que eu sou de lá e que me perguntam o que é que eu estou ali a fazer.

Sendo nós muito o resultado daquilo que nos rodeia, esta coisa de saber que vai ser pai já influenciou a sua escrita e a forma de compor?
Eu só descobri que ia ser pai depois deste disco ficar pronto. Por isso, o filho que aí vem ainda não me influenciou diretamente. Mas quero muito sentir o que é que ele me vai trazer quando nascer, as histórias e os ensinamentos. Se calhar até inconscientemente vou começar a escrever sobre ele.

E para lá do artista, como é que o Diogo está a lidar com esta notícia?
Cada vez mais sinto uma grande ansiedade e o peso da responsabilidade. Sinto que vem aí algo de grandioso, impossível de descrever com palavras. À medida que a barriga da Mel vai crescendo, vou-me convencendo a mim próprio que a caminho está algo que me vai mudar para sempre.

Mudar como e o quê já pensou?
Não tenho dúvidas nenhumas de que vai mudar as minhas prioridades todas.

Como é que recebeu a notícia?
O bebé foi muito planeado e a notícia já era esperada. Entre a tentativa e o erro acabámos por chegar lá [risos]. A minha relação com a Mel já tem cinco anos e este filho era uma coisa que queríamos muito.

E que tipo de pai gostava de ser?
Gostava de ser um pai com o meu. Ele e a minha mãe foram sempre muito presentes em tudo. Na escola, no futebol, no karaté ou na música, por exemplo, eles estiveram sempre muito comigo, e eu espero ter tempo e espaço para estar sempre presente para ele.

Escolheram o nome de Penélope por alguma motivo em especial?
Nós fizemos um acordo inicial, se fosse menina escolhia a Mel o nome, se fosse menino escolhia eu. Como é menina escolheu ela.

A opinião dela é importante na sua música?
Sim. Ela é a primeira pessoa a ouvir tudo, quanto mais não seja porque quando eu estou a compor no estúdio ela está a ouvir do quarto. Ela é sempre muito honesta e sincera. Não gosto de palmadinhas nas costas e ela sabe.

Vocês já se conheceram neste meio?
Não. Nós conhecemo-nos numa noite em Faro, numa saída à noite. Eu já conhecia as irmãs dela, porque tínhamos a mesma escola e o mesmo círculo de amigos, mas como a Mel era mais velha não fazia parte dele. Eu já a tinha conhecido uns anos antes mas ela não me tinha ligado nenhuma [risos]. Só que há cinco anos deu-se a faísca. Começámos a falar e nunca mais nos largámos.

E o casamento está nos planos?
Eu acho que já estamos mais do que casados. Temos o nosso compromisso e uma relação especial que é impossível de descrever. Ela é a pessoa a quem eu confio tudo. Temos os nossos animais, a nossa casa e somos os melhores amigos um do outro. 

O Vidas agradece ao estúdios Atlântico Blue
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