"Esquece as cuecas": ex-diretor de marketing da Victoria's Secret acusado de assédio

Bella Hadid é um dos rostos que terão sofrido com as investidas de Ed Razek: elogiou-lhe as “maminhas perfeitas” e pediu-lhe para não usar roupa interior.
Bella Hadid
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07 fev 2020 • 01:30
Vânia Nunes
Numa altura em que a Victoria’s Secret se tentava reerguer, surge um novo escândalo sexual que envolve as modelos da marca norte-americana. Desta vez, as acusações recaem sobre Ed Razek, ex-diretor de Marketing da empresa. Numa investigação do ‘The New York Times’, intitulada ‘Anjos no Inferno’, são denunciadas situações de assédio e comportamentos impróprios com funcionárias e modelos. O jornal realizou mais de 30 entrevistas e teve acesso a documentos judiciais que incriminam Ed Razek, de 71 anos.

"Tentava beijar as modelos, pedia que se sentassem de joelhos e até tocou na virilha de uma modelo antes do desfile de 2018", pode ler-se. Mas há rostos bem conhecidos entre as vítimas. Bella Hadid estava numa das provas de guarda-roupa que antecederam o último desfile da marca, em 2018, quando Ed Razek, sentado numa poltrona, lhe disse: "Esquece as cuecas." Na altura, ainda comentou que a modelo tinha umas "maminhas perfeitas".

Enquanto a irmã de Gigi Hadid preferiu ainda não se pronunciar, Andi Muise, outra das vítimas, falou abertamente sobre o assédio que sofreu. Com apenas 19 anos, o diretor de Marketing da Victoria’s Secret tentou beijá-la várias vezes durante um jantar e, depois de ter resistido, recebeu emails indecentes. "Este abuso era visto como normal. Era quase como uma lavagem cerebral. E quem tentava fazer alguma coisa para contrariar esta conduta, não era apenas ignorado, era punido", denunciou Casey Crowe Taylor, que trabalhou como relações-públicas da marca.

Ed Razek nega tudo. "As acusações contidas neste relatório são categoricamente falsas, mal interpretadas ou descontextualizadas. Tive a sorte de trabalhar com inúmeros modelos de classe mundial e profissionais talentosos e tenho muito orgulho do respeito mútuo que tivemos."

Dono da marca a par das queixas
Nesta investigação, Leslie Wexner, fundador da Victoria’s Secret, é apontado como cúmplice, uma vez que permitia os comportamentos inadequados e ignorava as queixas das modelos. Em agosto do ano passado, 100 modelos assinaram uma carta aberta ao CEO da marca, John Mehas, pedindo que este as protegesse contra o assédio sexual.

PORMENORES
Ações caem
As ações da L Brands, que detém a Victoria’s Secret, caíram 3,2% quando se soube das novas acusações, avança o ‘Los Angeles Times’.

Modelo transgénero
Ed Razek deixou a empresa norte-americana em agosto de 2019, ao fim de 36 anos de trabalho. Despediu-se por não concordar com a entrada da modelo transgénero Valentina Sampaio.

Pior ano
O ano de 2019 foi terrível para a Victoria’s Secret. Viu as vendas caírem a pique, lojas a serem encerradas por todo o Mundo, manifestações contra as suas ideologias e o icónico desfile anual foi cancelado.
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