Joana Amaral Dias revoltada com socorro tardio ao pai: "Negligência e incompetência"

Carlos Amaral Dias morreu dentro da ambulância, após duas horas de espera.
Joana Amaral dias com o pai, Carlos Amaral Dias
Joana Amaral dias com o pai, Carlos Amaral Dias
08 dez 2019 • 15:11

Uma semana após a morte do pai, Carlos Amaral Dias, aos 73 anos, a filha Joana quebrou o silêncio e mostrou-se revoltada com o socorro tardio ao psicanalista, que perdeu a vida dentro da ambulância, após duas horas de espera.

"Se os impostos que pagamos não servem para acudir em situações limite, servem para quê? Para salvar bancos? O meu pai sentiu-se mal às 9 da manhã. A ambulância foi chamada às 9.09 e, todavia, Carlos Amaral Dias só chegou ao hospital passava das 11. Já sem vida. Mais de duas horas depois. Reparem que o trajeto da sua residência ao São José é bastante curto. O que aconteceu foi um cocktail fatal de acidentes, negligência e incompetência", começa por explicar a psicóloga e comentadora da CMTV, continuando: "Houve uma ambulância que avariou, mas também se verificaram demoras e a chegada do carro do Inem só com um técnico e sem o equipamento de reanimação como a situação estritamente ditava. O resultado foi a morte. Pedimos autópsia e o Inem abriu um inquérito. Aguardamos os resultados. E se isto pode acontecer com um homem de 73 anos a viver no centro de Lisboa, pode suceder a qualquer um de 20 ou 30, em Viseu ou em Faro ou no interior desertificado".

Apesar de Carlos Amaral Dias ter já uma condição de saúde frágil, Joana Amaral Dias não se conforma com o que aconteceu e com a forma como o pai perdeu a vida, sozinho, dentro de uma ambulância, e sem a família por perto.
"Verdade que o meu pai era um doente com diversas patologias graves cuja expectativa de vida era já limitada. Mas certamente merecia ter partido em paz e com outra tranquilidade, com a mão segura pelos que amava, com os olhos postos nos que tinha. (...) Morreu sozinho em agonia dentro de uma ambulância que não dispunha dos meios para o acudir. Que a sua partida sirva para que todos nós - e finalmente- rejeitemos este futuro".

No final, Joana fez questão de agradecer pela onda solidária e de afeto que se gerou em torno da partida do pai. "Profundamente grata pelo vosso apoio".
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