Leonor Poeiras com saudades da mãe

A apresentadora escreveu um texto emocional sobre Maria de Lurdes, falecida em 2014, dizendo que se sente "profundamente grata por ter tido a oportunidade de ter sido sua filha".
leonor poeiras
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Foto: DR
06 fev 2016 • 14:02
J.C.
Leonor Poeiras recordou a sua mãe, Maria de Lurdes, que faleceu em 2014, num texto comovente que escreveu para o blog 'Capazes'. A apresentadora diz que tem "muitas saudades" mas que não a perdeu "porque ela faz parte de si".

Leia o texto de Leonor Poeiras na íntegra:

"Acontece mais ou menos uma vez por mês. Nada em particular impulsiona estes dias: os dias das saudades. Muitas, todas as que há. Rebentam-me o peito porque irrequietam as batidas do meu coração. Saudades do cheiro dela. É a minha casa, o meu berço. A pele dela é a minha pele. A mesma. Igual. E pele para mim é tudo no amor. E é amor o que sinto. Tanto. Se calhar ainda mais. A minha mãe, aquela que me amou incondicionalmente em cada minuto da minha vida. Mesmo quando menti. Quando gritei. Quando a provoquei. A pessoa mais amorosa do meu universo. A representação da doçura e da confiança. Do bem-estar, do lar.

Quando sinto a falta dela, passo o dia a sorrir… Sempre profundamente grata por ter tido a oportunidade de ser a filha dela e de ter vivido os meus 34 anos inteiros, ao seu lado de verdade. Ela não estava só ali. Ela fez parte de tudo, das conquistas, das vergonhas, dos medos, das quedas, das danças, das doenças, dos passeios, dos segredos, das dúvidas, da alegria e das gargalhadas. Tudo partilhado com a minha mãe. Devo ter feito algum bem a Deus para receber tamanho privilégio, o de viver os dias das saudades como dias de profundo amor e alegria.

Há sempre as inevitáveis lágrimas, que rolam cara abaixo, sem barulho… Mas é tudo muito bonito. Porque nestes dias olho mais tempo para a moldura, onde ela está feliz e serena, de férias no lago di Garda, no norte de Itália. Lembro-me de me contar a paz imensa que sentiu ali. A beleza da minha mãe é suave e ao mesmo tempo tão discreta que me comovo. O belo sempre me comoveu. Está envolto numa espécie de pureza. E a minha mãe agora é o belo. Eu não a perdi. Ela faz parte de mim. Ela forra a minha vida com esta pele fina e branquinha que me deixou de herança. Estamos misturadas para sempre".

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