Leonor Poeiras denuncia assédio do seu psicanalista: "Recebi uma mensagem erótica"

Apresentadora revela caso e nome do profissional que a assediou.
Leonor Poeiras
Leonor Poeiras
07 mai 2021 • 14:32
Nos últimos tempos muitas figuras públicas têm denunciado episódios em que foram vítimas de assédio sexual, depois de Sofia Arruda ter 'aberto o coração' onde falou sobre a sua experiência. Em entrevista ao 'Expresso', Leonor Poeiras recordou quando o seu psicanalista a assediu.

A apresentadora recordou que estava a passar por uma "fase da vida muito confusa" quando iniciou um processo terapêutico. "Demorei muito tempo a perceber que era assédio sexual. Pela simples razão de nunca ter havido um único toque. Fiz psicanálise pois estava numa fase da vida muito confusa. Precisava de ajuda médica. Procurei um psicanalista, que mais tarde vim a saber que é um dos mais reputados do nosso país. Chama-se Frederico Pereira e continua a exercer", denunciou. Apesar de saber que o crime já prescreveu, a antiga estrela da TVI afirma que não pode ficar mais tempo calada. 

À publicação, Leonor Poeiras contou de como foi assediada pelo seu antigo psicanalista. "O tratamento estava a correr lindamente. Este homem ajudou-me de início a ser uma mulher mais forte. Mostrou-se 100% disponível para estar sempre comigo. Percebeu a minha fragilidade e vulnerabilidade. Diagnosticou-me uma depressão. Começámos a trocar SMS, eu recorria a ele quando estava num momento mau", começou por contar.

"Era frequente trocarmos SMS ao domingo. Eram sessões muito íntimas: a terapêutica freudiana é muito assente num autoconhecimento que vem da nossa sexualidade. Entreguei-me por completo a esta pessoa. Só numa madrugada, ao fim de 200 sessões, é que eu percebi o que estava a acontecer", reconheceu ao 'Expresso'. 

O episódio remonta a 2012 e Leonor Poeiras recordou que recebeu mensagens eróticas por parte do psicanalista. "Estava na Costa de Caparica de férias numa cabana, para desanuviar. Ele sabia disso. Recebi um SMS dele às 4h32, nunca mais me esqueci... A mensagem, que tenho guardada, foi: "Acordo, inquieto. Ao umbigo do sonho liga-se uma imagem: a sua. Pensamento em turbilhão, desconexos: cabana solitária, porque não me convidas visita - uma manhã? Porque não me convida...? Porque não... Não sei o que digo, não sei o que penso. Perdoe-me esta intrusão em paisagens que são tão suas...".

A apresentadora não esconde que ficou perplexa pelo conteúdo da mensagem por parte de Frederico Pereira. "Esta é uma mensagem erótica, erotizante, que me chocou profundamente. O que me enoja nisto tudo é ele acreditar que a sua investida podia ser bem recebida". No dia seguinte, o psicanalista voltou a mandar mensagem para Leonor Poeiras após a apresentadora não ter respondido à sua mensagem.

"A partir daqui ele não parava de mandar SMS e e-mails. No dia seguinte escreveu: "Enviei-lhe uma mensagem notívaga e ao contrário do que é hábito não reagiu. Tenho imenso medo de a ter ofendido ou manifestado abuso de confiança. Se alguma coisa dessas aconteceu, peço-lhe contristado que me perdoe". "Pelo menos dê-me um sinal de que está viva e de boa saúde", foram algumas das mensagens que recebeu por parte do psicanalista. Após esse episódio, Leonor Poeiras cortou por completo a sua ligação com o psicanalista, sem antes lhe mostrar que tinha ficado incomodada. "O Frederico pisou uma linha limite e o que disso sucede, é irreversível. Sabe bem o que pensa e o que diz. Pôs-me nas mãos um desconforto muito grande"

Após as mensagens que recebeu no fim de semana na Costa da Caparica, e após ter negado as investidas por parte do psicanalista, Leonor Poeiras denunciou que Frederico Pereira utilizou "o seu poder como psicanalista" tendo feito uma avaliação negativa sobre a sua evolução. "Mandou-me um novo e-mail com uma avaliação sobre mim como sua paciente - e é aí que ele me destrói e manda a minha confiança completamente abaixo. É uma avaliação grosseira, vingativa, que mostra um ego ferido. Escreve: 'Entendi mal, que tinha atingido níveis que agora obviamente não alcançou. A sua atitude revela uma interpretação da sua parte que é ofensiva: transformou uma partilha de pensamentos, mal formulada é certo, numa tentativa de 'engate rasca' ou de 'sedução parola'. Se não se tivesse posto em bicos dos pés poderia ter dado um salto importante, esclarecendo as suas reações e procurando perceber as minhas'. Fiquei pior do que quando fui ter com ele para pedir ajuda. Demorei muito tempo em confiar em álguem", lamentou.

A antiga apresentadora da TVI ainda pensou fazer queixa às autoridades, mas após ser alertada por um psiquiatra que Frederico Pereira podia revelar informações sobre a sua vida íntima, Leonor Poeiras desistiu do processo. 

A entrevistada do 'Expresso' confessou que ficou uma mulher diferente depois de ter sofrido de assédio sexual por parte do seu psicanalista. "Levou-me muito da minha inocência que eu preservava. Uma coisa muito triste foi o de ter posto em causa se o teria seduzido porque nas sessões falávamos de sexo. Quando abalam a confiança nesta forma tão profunda, os danos são elevados. Mas voltei à minha essência. Esta história deixou-me mais forte. Não tenho problema em denunciá-lo", finalizou.

O 'Expresso' entrou em contacto com o antigo psicanalista de Leonor Poeiras, que negou as acusações feitas pela apresentadora. "Não devo nem posso responder a pessoas perturbadas. É a expressão de um sonho, um processo onírico, que tem a ver com questões de técnica psicoterapêutica e não com assédio sexual. De facto às quatro da manhã, quando acordei, terei dito essas coisas. Mas esse assunto ficou por aí. Não tem nenhuma insinuação sexual", garantiu.

Frederico Pereira acusa-a de ser "uma paciente profundamente perturbada". "Ao fim de tantos anos vem com esse assunto. Guardou essas mensagem com as suas interpretações. Não tem qualquer espécie de substância". O especialista condenou, ainda, o facto de a antiga estrela da TVI ter trazido o assunto para a imprensa. "Se ela quiser falar comigo estou disposto a falar com ela. Não é um assunto jornalístico - é um assunto clínico", defendeu-se.
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