Maya: "Eu era a menina do papá"

Taróloga sonhava ser bailarina clássica
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06 jul 2013 • 10:30

Sonhava ser bailarina clássica, mas o irmão convenceu-a a desistir do ballet. Presidiu à Juventude Democrata-Cristã e frequentou Direito. Hoje, com 53 anos, só a família e os amigos do peito é que a tratam por Eunice.

- Nasceu Eunice. Como e por que é que se transformou em Maya?

- Chamo-me Eunice Cristina Maia Morais de Carvalho e transformei-me em Maya quando fui convidada pelo então diretor do jornal ‘Público’, Vicente Jorge Silva, para fazer a rubrica de astrologia em tarô. Era preciso assinar a coluna e eu pensei: ‘Taróloga Eunice não soa bem, Eunice Cristina muito menos’. Morais de Carvalho era o nome de família que eu não podia usar porque, na altura, a minha família não via com muito bons olhos esta situação de ser taróloga, e sobrou Maia.

- Maia com ‘i’?

- Com ‘i’. Mas um cartoonista, António Maia, registado na Sociedade Portuguesa de Autores como Maia, não permitiu, e legitimamente, que eu usasse Maia e daí ter mudado para Maya com Y. E Maya, curiosamente, é um nome ligado às artes esotéricas, às deusas egípcias. Achei o nome ideal, porque é meu. Portanto, a Eunice tem 53 anos e a Maya 20. Eu, de facto, tenho uma personalidade diferente enquanto Maya e enquanto Eunice. A Eunice é mais descontraída, brincalhona e solta. A Maya é muito mais fechada, reservada…

- Mais profissional?

- Exatamente. Todos temos multipersonalidades, mas nem todos as assumimos e nem todos temos a possibilidade de as revelar. Eu tenho mais do que uma personalidade e tenho o privilégio de poder assumi-lo.

- Quem é que a trata por Eunice?

- Muito poucas pessoas. Só aquelas que me conhecem há mais de 20 anos, sendo que eu levo a mal quando essas não me tratam por Eunice. E também não gosto que me tratem por Eunice as pessoas que me conhecem como Maya. Mas por Eunice tratam-me os amigos de sempre e a minha família. Um dos problemas deste caminho público é as pessoas perderem algumas características que sempre tiveram.

- A identidade?

- Isso mesmo. Fico muito satisfeita quando me dizem: ‘Estás na mesma’.

- Separa bem a vida pública da privada?

- Muito bem. E quem me conhece como Eunice também separa muito bem e quem me conhece como Maya nem chega a fazer parte da minha vida privada. Eu, de facto, tenho alguns limites e algumas coisas muito bem circunscritas.

- É verdade que sonhava ser bailarina clássica?

- É verdade. Penso que parte da minha boa forma, da minha elasticidade, se deve a essa aprendizagem que fiz muito nova. Com sete anos comecei a fazer ballet, aos nove já fazia pontas, fui aluna da professora Vera Varela Cid, que era a maior professora na altura. E ela dizia que eu era um caso raro. Mas a vida levou-me para caminhos diferentes.

- O seu irmão convenceu-a…

- O meu irmão não era um grande fã de ballet. Acho que percebeu que se eu levasse aquilo muito a sério iria marcar a minha carreira e não teria tempo para ser jovem, divertir-me e ser uma rapariga normal. Mas fiquei sempre com a nostalgia de não ter sido uma bailarina clássica.

- Mas foi presidente da Juventude Democrata-Cristã.

- Fui, com 19 anos. Eu sou uma militante de Direita. Bem, hoje não sei se posso dizer isso. A vida, as nossas posições políticas evoluem. Eu continuo a acreditar numa democracia liberal, continuo a acreditar que só se consegue distribuir riqueza quando se gera riqueza, portanto não sou uma defensora das economias socialistas. Sou defensora do socialismo enquanto ideologia: somos todos iguais, com oportunidades iguais.

- É uma social-democrata?

- Exatamente. E professo muito a abertura aos outros, um humanismo de raiz que de facto foi consubstanciado na democracia cristã. Tenho muita coisa que herdei do meu pai e o meu pai foi um dos fundadores do Partido da Democracia Cristã. E eu, por inerência, enquanto o meu pai foi vivo, fiz tudo o que ele fazia. O meu pai era um grande homem e eu acompanhava-o, também porque acreditava. Nunca fiz nada em que não acreditasse.

- Foi o seu pai, que trabalhava de noite, que lhe incutiu o gosto pela vida noturna?

- Eu sempre gostei muito da noite. Nasci às 22h00, quer dizer que acordei à noite, portanto à noite sinto-me melhor. O meu pai, que era padeiro, um industrial de panificação, nem era um grande defensor da noite do entretenimento porque achava que a noite era a mãe de muitos vícios. Ele achava que as pessoas à noite se perdiam. Talvez, por isso, eu quisesse mostrar-lhe que não era assim.

- Ele chegou a vê-la como relações-públicas?

- Não. O meu pai faleceu há 20 anos, exatamente no ano em que o meu filho nasceu. O último ato que recordo do meu pai foi, já com a mão muito trémula, assinar o cheque para pagar o parto. E eu comecei depois, já na década de 2000, quando fui convidada para ser diretora de relações-públicas do Buddha Lisboa. Fui convidada por causa das minhas pernas, pernas de bailarina. E comecei a trabalhar sem perguntar quanto ia ganhar.

- Gosta de desafios?

- Gosto. E não faço nada que não sinta que vou gostar de fazer. É certo que temos compromissos e há coisas que gosto de fazer mais do que outras. No tarô, por exemplo, eu gosto muito de fazer as consultas, as formações, e gosto bem menos de fazer horóscopos, porque são generalistas. Não gosto mas tenho de fazer, porque é com os horóscopos que chego à maioria das pessoas.

- Fala muito do seu pai. Era mais ligada ao pai do que à mãe?

- Era. Tenho a felicidade de ter a minha mãe viva, com 91 anos. Adoro a minha mãe, mas nunca tivemos uma relação tão próxima como a que tinha com o meu pai. Eu era realmente a menina do papá. Tínhamos uma empatia perfeita, ele contava-me tudo. Recentemente, mudei-me para o mesmo condomínio onde a minha mãe reside com o meu irmão. E estou a aproveitar mais a minha mãe, que sempre foi muito preocupada connosco. É uma grande mãe.

- A família é o seu porto de abrigo?

- É. Não somos muitos, mas somos muito unidos. Eu sou muito muito unida ao meu irmão. Ele é muito diferente de mim, é muito mais racional, prático, ele é Virgem. Eu sou Sagitário, sou mais intuitiva, mais impulsiva, idealista. Corro riscos com muita facilidade e ele põe travão. E o meu filho é, hoje em dia, quase o meu braço direito.

- Só teve um filho porque quis?

- Sim. Bem, não é bem assim. Fui mãe aos 33 anos. Casei quatro vezes, dois casamentos formais e duas uniões de facto que considero casamentos, porque tiveram o mesmo ou mais peso. E no meu quarto casamento, o segundo oficial – casei já depois de ter o meu filho –, achei que havia consistência para ter o Vasco. Mas depois de ele nascer, a minha relação com o Jorge entrou nalgum desgaste e considerei que não havia margem para ter mais filhos. E eu que sou muito aberta para as outras pessoas, para mim não sou assim tanto. E pensei que ter filhos de pais diferentes é capaz de ser muito complicado.

- A Maya quase se formou em Direito.

- Quase. Estive três anos na Faculdade de Direito e terei sido a aluna mais brilhante naqueles três anos. Era muito boa em Direito Público e menos boa em Direito Privado, que é pantanoso. E eu não tenho muita habilidade para manobras que não tenham a ver com aquilo que sinto. Não tinha o jogo de cintura necessário para poder defender, por exemplo, um violador ou um pedófilo. E no terceiro ano comecei a namorar e a viver com um assistente, eminente advogado e jurista, e percebi que nunca iria ser tão brilhante. E desisti. O meu ex-marido ainda hoje me diz: ‘Quando é que vens acabar o curso?!’

- Em entrevistas que deu, disse que a única coisa constante na sua vida era a SIC. Porque é que veio para a CMTV?

- Na SIC houve alturas em que estive na prateleira, nomeadamente quando a Júlia [Pinheiro] se tornou diretora de conteúdos. Estive parada seis meses. Depois voltei e fui sempre tratada com a maior cordialidade. Saí da SIC não por me sentir desconfortável, mas pelo desafio de vir fazer a CMTV. Aqui há uma coisa que ninguém me pode tirar, vim fazer história. Sou fundadora e uma das caras do entretenimento de um novo canal. E há pessoas aqui que foram estruturais na minha carreira.

- E na construção da carreira, onde é que ficou o filho?

- O meu filho talvez não tenha sido muito prejudicado. Divorciei-me quando ele tinha três anos, mas defendo que é melhor uma mãe feliz a um mau casamento. A minha dedicação ao Vasco foi sempre total, porque quando eu trabalhava à noite, e fiz muitos eventos à noite, o Vasco era pequeno e o sacrifício era meu. Porque eu saía de casa já o Vasco estava a dormir e quando chegava a casa, passado uma hora o Vasco acordava. De facto, ele teve sempre a mãe. Tive sempre muito cuidado com isso. E a partir de uma certa idade, ele começou a partilhar as decisões. Nós vivemos sempre os dois e eu não tomo decisão nenhuma sem falar com o meu filho. Mas não sou uma mãe-galinha. Eduquei o meu filho para ser autónomo.

- Tem quatro profissões: apresentadora, relações-públicas, empresária e taróloga. Se tivesse de desistir...

- Não conseguiria, porque ainda não esgotei nenhuma e, portanto, a única coisa que posso equacionar agora é arranjar mais uma. Gostava muito de produzir chás. Sonho seguir mais o lado na natureza, da agronomia. Mas não já.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Gostaria muito de ter jantado com Nelson Mandela. Admiro-o muito.

- Quem é o homem mais sexy do Mundo?

- Ryan Gosling.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Falta de educação, o ser boçal, cuspir para o chão… Aqueles gestos mais deseducados.

- Qual é o seu maior vício?

- Não tenho vícios, tenho hábitos, bebo um gin tónico às sete da tarde, não só para descontrair como acho que me faz bem. Costumo usar como desculpa a rainha-mãe, que durou até aos 95 anos e bebia um gin tónico com regularidade.

- O último livro que leu?

- ‘A teoria do esquecimento’ de José Eduardo Agualusa, de quem sou fã, de quem gosto muitíssimo.

- O filme da sua vida?

- ‘Les uns et les autres’, de Claude Lelouch.

- Cidade preferida?

- É muito complicado. Mas vou escolher o Porto.

- Um desejo?

- Estar cá muitos anos e ver o meu filho feliz.

- Complete. A minha vida é…

- Fascinante.

PERFIL

Eunice Cristina Maia Morais de Carvalho nasceu há 53 anos. Apaixonada pela dança, pensou licenciar-se em Direito mas ficou pelo terceiro ano. Professora do Ensino Básico, foi mãe aos 33 anos e trocou o ensino pelas cartas, dando início à carreira de taróloga que conciliou com o trabalho de relações-públicas. Ganhou fama, tornou-se empresária e agora abraça as manhãs da CMTV.

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