Mónica Sintra é uma mulher mais segura

A cantora começou a cantar aos 13 anos e nunca mais parou.
"Afinal Havia Outra" e "Na Minha Cama Com Ela" são dois dos temas mais conhecidos
Mónica Sintra
Foto: Vítor Mota
19 jul 2015 • 19:28
Acaba de lançar um novo tema, ‘Não Voltes a Dizer’. Mas a música é diferente do seu registo habitual...
Sou muito de músicas românticas e as pessoas acabam por me conhecer mais das baladas. Mas a verdade é que em todos os espetáculos acabam por prevalecer outros ritmos. Desta vez, o facto de gravar apenas um tema faz com que esteja muito em cima dos sons atuais. Este é mais dançável.

E gravou também um teledisco.
Algo que já não fazia há algum tempo e que deu para mostrar o que gosto muito de fazer, que é dançar. Convidei o Vadim Potatov, um dos concorrentes do ‘Achas que Sabes Dançar?’, para ser o meu par e coreógrafo. Foi um casamento feliz.

Como tem sido a recetividade do público?
Além de ser uma música dançável, a minha voz também está diferente. Saí da minha zona de conforto e isso faz com que as pessoas conheçam um novo lado. A música está a ser apresentada, portanto, ainda estamos numa fase inicial.

Lançou um single e não um CD, que pode ser adquirido na internet. Porque decidiu ir por esse caminho?
Lá fora já se faz isso há muito tempo. As plataformas digitais são as nossas maiores aliadas, não só em termos de consumo, mas também de publicidade. Acho que o caminho é por aí.

Desde 2009 que não tem editora, é artista em nome individual. É um caminho mais fácil?
Não, mas faço o que gosto. Não que os trabalhos anteriores me tenham sido impostos, mas havia sempre uma grande batalha. Eu gosto de ter o poder de escolher as fotografias, que tema lanço e isso só posso tê-lo se for eu a pagar. Se for outra pessoa a fazê-lo, tenho de me sujeitar às normas.

E o balanço tem sido positivo?
Ainda faço mais aquilo de que gosto e com as pessoas de quem gosto, mas claro que é um caminho mais difícil. Consegui fazer aquilo a que me predispus, isso é a mais-valia de termos a nossa editora.

A nova música é muito sensual. É assim que se sente ?
Não [risos]. Sou mais segura desde que fui mãe, mas isso tem a ver com a responsabilidade. O que me trouxe de bom a maternidade, ao longo destes quase cinco anos, tem sido uma maior maturidade enquanto pessoa. Estaria a mentir se dissesse que me sinto uma mulher supersensual, nada disso. Acho que me tornei numa pessoa mais interessante.

Lidou com distúrbios alimentares graves. Os problemas estão ultrapassados?
Mais ou menos. A bulimia e a anorexia são doenças que estão adormecidas. Os distúrbios alimentares nunca passam. Se alguém tem um problema de adição com droga ou álcool, nunca mais deve tocar em droga ou álcool. Eu deparo-me todos os dias com a comida a todas as refeições. Portanto, há aqui um relacionamento difícil. Sou acompanhada há vários anos pelo dr. Fernando Póvoas e agora pela dra. Andreia Santos. O dr. Póvoas é, para mim, nutricionista, psicólogo, tudo. Eles são a minha estrutura para que eu esteja bem. Estou resolvida em relação a isso, mas tenho alguns complexos.

Que traumas ficaram?
Por exemplo, continuo a olhar para a comida e pensar que não posso ver as calorias que tem. Vou comer e ponto final, não me vou importar com o que acabei de comer, não me vou punir. Há uma série de pensamentos que tenho de fazer quando escolho a comida.

Como é que hoje se sente com a sua imagem?
Acho que as mulheres nunca se sentem no peso ideal, é um problema geral. Mas sinto-me bem, sei que tenho uns quilos a mais do que gostaria de ter, mas continuo segura. Hoje lido bem com a imagem que vejo ao espelho e isso é o mais importante.

Como é que olha para a menina que cantava ‘Na Minha Cama com Ela’, um tema que continua a fazer sucesso?
Com muito orgulho, gratidão para com os meus pais [Maria João e Manuel dos Reis], porque foram incansáveis comigo. Depois, ainda me sinto muito miúda. Às vezes, quando estou um pouco mais aborrecida e vou cantar, penso que tenho de estar agradecida a Deus por ter este dom e trabalhar no que eu mais gosto.

Foi pelos 12 anos que surgiu a paixão pela música?
Antes, mas o primeiro trabalho foi gravado com 13 anos. A partir dos 15, digamos, foi quando comecei a fazer concertos. Sempre que víamos um palco, parávamos e perguntávamos quem estava a organizar para eu poder cantar.

Sente que perdeu alguma coisa da sua adolescência por causa da música?
Não. Acho que fiz tudo o que tinha de ser feito. Acabei por ter uma adolescência normal. Comecei foi a ter muito cedo um sentido de responsabilidade.

Há quase cinco anos foi mãe. Como está o Duarte?
O meu filho é um ser humano extraordinário e é curioso que a música também é importante para ele. Tem uma grande aptidão para apanhar o ritmo, as melodias, mas ainda é cedo.

O Duarte já subiu a um palco?
Muitas vezes, já me viu em palco, já esteve em palco comigo. Se eu lhe perguntar se ele quer ir para o parque ou para um espetáculo da mamã, ele quer o espetáculo.

Sente-se preenchida enquanto mãe?
Sim. Vivo sozinha com ele e falamos imenso. O Duarte tem um lado muito crescido e outro mimado. Ele sabe que é o homem da casa. Até à mesa de jantar o lugar de destaque é dele.

Após o nascimento do Duarte, separou-se do pai dele, Sérgio Moreira, e o convívio foi difícil...
Sim, toda a gente sabe que tivemos custódia partilhada até aos três anos do Duarte.

Como lidou com isso?
Foi a pior coisa que me fizeram na vida. Mas já passou.

Hoje o Duarte está com o pai muitas vezes?
Temos estipulado por lei que é de 15 em 15 dias e um dia por semana. Mas se o Sérgio quiser ver o Duarte em outros dias, vê. Entre nós, já há uma relação, digamos razoável, para tomar este tipo de decisões. Chegámos a bom porto em prol do Duarte.

O vosso filho não se ressentiu da animosidade entre os pais?
Não. Acho que o Duarte acabou por ser uma criança muito dada. Ele habituou-se cedo a estar em casa do pai, da mãe, das avós. Hoje, ele acha que as casas são todas dele.

Desde que o Duarte nasceu, nunca mais apresentou um namorado. Sente falta de ter alguém a seu lado?
Claro que sinto falta. Acho que o facto de sermos mães preenche-nos imenso, mas não enquanto mulher. Sinto falta, mas, nestes quase cinco anos, não quer dizer que não tenha tido outras pessoas, significa, sim, é que ninguém ainda mereceu um destaque na vida do Duarte, não na minha. Não quero apresentar-lhe hoje uma pessoa que amanhã já não fará parte da sua vida.

Ainda acredita no amor?
Claro, e isso reflete-se na minha música. Sou super-romântica, embora cante mais desamores do que amores, mas sou crente.

E casamento?
Ainda quero casar, ter mais filhos. Acredito que todos temos um amor para nós, temos alguém destinado.

O que é preciso para a conquistar?
Logo à partida, tem de gostar de crianças. Depois, tem de ser uma pessoa descontraída, com um bom sentido de humor, que goste de estar de bem com a vida, que goste de se relacionar e uma pessoa de família. Embora a minha família seja pequena, é uma estrutura muito forte e acho que acabamos por gostar de estar com pessoas que têm o mesmo conceito.

As suas músicas falam mais de desamores do que de amores. É um reflexo da sua vida?
Foi e tem sido. Por um lado, é bom porque dá para interpretar melhor os temas. Para mim, cada tema só falta ter entre parêntesis o nome da pessoa. Por outro, torna positivo o processo de escrita. Há dias em que saio do palco arrasada porque estive a fazer uma retrospetiva do meu passado e é terrível. Há outras vezes em que penso que ainda bem que passei por isso e que se deu em músicas de que gosto tanto.

Tem também uma loja de roupa. Porquê?
Tenho muito trabalho, mas no inverno não se passa nada. Por isso decidi, juntamente com a minha mãe, abrir uma loja em Mem Martins para que no inverno eu tivesse uma ocupação.

Como é que as pessoas reagem quando a veem atrás do balcão?
Há umas que sabem, à partida, que sou eu, outras que dizem que sou muito parecida com a Mónica Sintra, só que mais bonita ou até muito mais magra. Há também pessoas que falam comigo sem saberem quem sou.

As pessoas ainda se lembram da Mónica Sintra bombeira?
Sim. Deixei os bombeiros de Sintra há alguns anos porque já não era possível conciliar com a minha carreira na música. Eles precisam mais dos voluntários no verão, que é precisamente quando eu tenho mais concertos. Depois, sempre que fazia piquetes e entrava num hospital ou chegava ao local de um acidente, as pessoas pediam-me autógrafos. Percebi que estava a prejudicar o trabalho dos meus colegas.

Essa ligação já acabou?
Não. Acabo por continuar ligada aos bombeiros sempre que faço concertos de solidariedade.
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