Nuno Markl irrita-se com palavras de Joana Latino sobre programa de Bruno Nogueira

Jornalista usou o caso de sucesso do humorista para criticar os artistas que se queixam da falta de trabalho.
Nuno Markl
Bruno Nogueira
Joana Latino
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Bruno Nogueira
Joana Latino
19 mai 2020 • 18:27
Joana Latino está novamente no centro da polémica. Durante o programa 'Passadeira Vermelha', da SIC Caras, a jornalista elogiou o trabalho de Bruno Nogueira com a rúbrica que criou no Instagram durante a quarentena, 'Como É Que o Bicho Mexe', e aproveitou para criticar os artistas que se têm queixado da falta de trabalho e de rendimentos durante este período difícil, no contexto da pandemia do coronavírus.

"Aqui há uns tempos eu disse (...) que os artistas em vez de fazerem tantos discursos miserabilistascatastrofistas, de auto-comiseração deviam mexer-se. E uma série desses artistas que vivem em auto-comiseração com silícios na perna continua a não se mexer, se calhar deviam olhar para este exemplo", afirmou.

Estas palavras geraram uma onda de revolta nas redes sociais, com alguns artistas a criticarem as palavras de Joana Latino, como é o caso do ator Manuel Moreira.

Nuno Markl, um dos protagonistas dos diretos de Bruno Nogueira, que terminaram no passado dia 15, sentiu-na na obrigação de responder à letra a Joana Latino.

"Na~o e´ bonito ver o 'Como É Que o Bicho Mexe' ser usado como arma de arremesso contra a classe arti´stica, como se os diretos do Bruno se revelassem, afinal, a soluc¸a~o ma´gica para os graves problemas de uma quantidade tremenda de profissionais da cultura, em extraordina´rias dificuldades nestes tempos. E´ grosseiro e demago´gico, quase num ni´vel Bolsona´rico, que se levante a questa~o "De que se queixam, se esta´ provado que e´ so´ ligar o Instagram e criar uma oportunidade de trabalho?". O Bicho nunca foi, nem pretendeu ser um modelo de nego´cio ou um ganha-pa~o para os seus intervenientes. Diria ate´ que todos os que entra´mos nesta aventura do Bruno somos bastante privilegiados: a nenhum de no´s falta trabalho, nenhum de no´s esta´ a passar fome. Mas ha´ muita gente que esta´, e na~o sa~o so´ "os artistas", sa~o todos os profissionais cuja vida depende das mais diversas actividades culturais", explicou.

"Achar que e´ so´ improvisar uns diretos, lembra os gurus empreendedores que, no auge da crise - e eles devem estar a reaparecer - diziam que cabia ao povo na~o se queixar e ter motivac¸a~o e criatividade, o que e´ a fala´cia mais manhosa e insultuosa de sempre.
Ale´m disso, atacar os agentes da cultura e´ reto´rica facha: a ideia de que a arte e´ coisa supe´rflua, que ha´ "coisas mais importantes" e que a vida de artista se resolve com um estalar de dedos e´ pantanosa, triste e injusta. A classe arti´stica na~o e´ queixinhas - e´ feita de muita gente com vidas, com fami´lias, e que ha´ meses que tem a sua vida suspensa, com tanto trabalho adiado sine die, ou mesmo definitivamente cancelado", concluiu.
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