Renato Seabra está à espera de um milagre para voltar a Portugal

Modelo que matou Carlos Castro continua a cumprir pena numa das prisões mais perigosas dos EUA e já sabe a data da sessão em que poderá receber liberdade condicional e regressar ao seu País.
Renato Seabra, prisão, polícia
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renato seabra
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renato seabra
01 mai 2021 • 18:17
Dez anos depois do crime que chocou o País, como está Renato Seabra, o autor da morte do cronista Carlos Castro?

As respostas são poucas. O ex-modelo, de agora 31 anos, continua detido no estabelecimento prisional Clinton Correctional Facility, nos Estados Unidos, a cumprir pena pelo homicídio do antigo jornalista, a 7 de janeiro de 2011, no hotel Intercontinental, em Nova Iorque.

Foi condenado a prisão perpétua e pode nunca mais voltar a ser livre. Renato agrediu violentamente Carlos Castro e acabou por o mutilar com um saca-rolhas.

O cenário do crime continua bem presente na memória daqueles que acompanharam o caso. A jornalista Marta Dhanis, emigrada no outro lado do Atlântico, foi uma das pessoas que seguiram o processo, tendo conseguido um contacto com o jovem, natural de Cantanhede. Trocaram várias cartas entre 2012 e 2013.

Renato revelou-se amargurado e demonstrou sinais de solidão. "Há dias que me sinto tão deprimido que não me apetece fazer nada. Nesta idade em que as pessoas fazem planos para a vida, eu somente posso rezar e pedir a Deus para fazer um milagre e reduzir a minha sentença. Se Deus quiser, vai acontecer algo de bom. Tem de se ter fé", escreveu.

Os dias na prisão não são fáceis. "Vou abaixo, choro, começo a pensar na pena que tenho de fazer, no sofrimento que a minha família tem, nos sonhos que tenho mas que se tornaram tão difíceis de acreditar. Tento manter-me ocupado", explicou no mesmo desabafo escrito à jornalista portuguesa.

Esperança e fé
Em 2036, Renato cumpre 25 anos de pena. Setembro de 2035, a data agendada para a decisão da liberdade condicional, é agora a luz ao fundo do túnel para o jovem e para a família. Tudo está em aberto e dependente de vários fatores, como o bom comportamento de Renato na prisão.

Segundo as palavras do jovem, os dias são de muita introspeção e com atividades várias, desde "ler, trabalhar, ver televisão".

No último ano, Renato ficou impossibilitado de receber visitas, em especial da mãe, Odília Pereirinha, que viaja regularmente aos EUA para ver o filho. A família e os amigos são o pilar do jovem, que tem encontrado na fé a esperança para um futuro incerto.

A mãe regressou a Cantanhede, após uma longa temporada nos Estados Unidos. Ponderou uma mudança definitiva, mas a falta de meios para viver no outro lado do Atlântico fê-la regressar sem o filho à terra natal. Voltou ao trabalho como enfermeira no centro de saúde da cidade.

O pai Joaquim Seabra vive no Sul do País, afastado de polémicas. O contacto com o filho é pouco e aquilo que sabe é através da ex-mulher, com quem fala sobre as questões mais burocráticas do processo judicial.

Recorde-se, o progenitor de Renato Seabra chegou a contrair um empréstimo de 20 mil euros para pagar ao representante do filho nos EUA.

Antes de ser detido pela morte de Carlos Castro, Renato tinha vários sonhos por concretizar, entre eles, o conquistar de um lugar ao sol na moda. Terá sido esta a motivação do jovem para aproximar-se do cronista, que o contactou através do Facebook pouco tempo após a participação no programa ‘À Procura do Sonho’, da SIC.

Conheceram-se em outubro de 2010 e não mais se largaram. No final desse ano, viajaram para os EUA. Festejaram o Réveillon em Times Square. Dez dias depois deu-se o crime que culminou com a morte de Carlos Castro, aos 65 anos.

Renato Seabra foi detido pelas autoridades e condenado a prisão perpétua.
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