Êxito
"Nós só queremos viver os nossos quinze minutos de fama"
Há quase uma década no activo, os Ez Special acabam de lançar novo trabalho, o quinto da carreira. O pretexto para falar sobre o ‘presente’ (título do
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01/08/2009 13H19
Foto: Dr

Há quase uma década no activo, os Ez Special acabam de lançar novo trabalho, o quinto da carreira. O pretexto para falar sobre o ‘presente’ (título do novo disco), o passado e as motivações que os fazem andar por cá. 

- Como é que os EZ Special se sentem chegados ao novo trabalho?

Orlando Pona – Aliviados (risos). Este foi um disco com um processo de produção mais complicado do que os anteriores, e por isso julgo que todos ficámos muito contentes quando o terminámos. Mas penso que este disco é uma boa maneira para marcar o percurso de uma banda que tem passado por muito.

- Porque é que foi mais complicado?

OP – Porque houve a preocupação de tentarmos reinventar o nosso trabalho.

- Em 2007 e depois da saída do Ricardo Azevedo, gravaram pela primeira vez com o novo vocalista. Nessa altura todos os olhos estavam postos no Orlando. Essa pressão já passou? Foi mais fácil gravar a voz neste segundo disco?

OP – Claro que me senti muito mais seguro e muito menos pressionado. A minha adaptação já estava feita e tudo correu muito melhor.

- O primeiro single, ‘Segredos’, é uma daquelas canções para fazer mossa – no bom sentido, claro! Como é que nasceu esse tema?

Fernando Tavares – Essa canção é mais uma novidade na carreira dos EZ Special já que foi a primeira vez na carreira que fizemos uma versão (Roberto Frejat). Conversámos muito sobre isso e chegámos à conclusão de que este era o momento certo para o fazermos.

- Essa canção tem a voz do Paulo Gonzo. Como é que ele aparece aqui?

FT – Nós e o Paulo não somos completamente desconhecidos. Já havia alguma proximidade entre nós, até porque neste mundo da música ninguém é estranho para ninguém (risos). Nós convidámo-lo, ele gostou da ideia, e o dueto julgo que correu muito bem.

MS – A escolha não foi inocente. Esta canção acho que era a cara do Paulo.

- Vocês começaram a promover este disco em cima de um camião. Isso foi alguma forma de protesto por se saber que a música não chega da mesma maneira a todas as pessoas?

FT – (risos) Foi uma forma de dizer às pessoas: 'Estamos aqui!' De manhã parámos o trânsito no Porto e, ao final da tarde, o trânsito em Lisboa. Foi engraçado!

Tó Barbot – Foi a maneira que encontrámos de fugir àquela coisa do lançamento privado, muito solene e longe das pessoas.

- Estão a cumprir dez anos de carreira. Estão a preparar alguma coisa?

FT – Sinceramente, eu nem acredito que passaram dez anos. Já fizemos tanta coisa e já nos aconteceu tanto! Mas é bom sinal, quer dizer que mesmo estando a música portuguesa também em crise ainda nos conseguimos aguentar.

- As coisas mudaram muito para vocês ao longo do tempo?

FT – Não. Penso que as mudanças mais significativas aconteceram com a passagem da língua portuguesa para a inglesa e com a alteração do vocalista. De resto, continua tudo a funcionar da mesma maneira.

- Consideram que o grupo ganhou com essas mudanças?

FT – Eu penso que, em qualquer caso, a música fala sempre por si, independentemente de ser em português ou em inglês. Mas sim, admito que em português a nossa música chegue a mais pessoas.

Mário Sá – Não houve mudanças estruturais que tenham abalado a banda, mas julgo que essas mudanças nos levaram a começar uma nova fase na carreira.

- Acham que os EZ Special já têm um lugar próprio no mercado da música?

MS – Não sei. Eu penso que nós estamos no mesmo espaço onde circulam muitas outras bandas portuguesas.

OP – Como dizia o Andy Warhol, nós só queremos viver os nossos 15 minutos de fama – e temos de fazê-lo o melhor que conseguirmos. Este álbum, por exemplo, tem 30 minutos e temos que desfrutá-los da melhor maneira.

- A concorrência é hoje mais forte do que quando começaram?

MS – Eu não lhe chamaria 'concorrência', até porque me dá muito prazer ouvir outras bandas portuguesas. O facto de haver mais gente a fazer música ainda me dá mais vontade de continuar.

- O Saul Davis (James) foi uma pessoa muito importante no início da vossa carreira. Ainda se relacionam?

FT – Já não é o mesmo contacto, até porque não somos propriamente vizinhos. Mas ainda falamos. Ele foi, de facto, uma pessoa que marcou a história dos EZ Special com o trabalho de produção que fez. Mas, além disso, ficou uma amizade e uma cumplicidade muito grandes.

- Foram a primeira banda portuguesa sem disco editado a actuar no palco principal do Festival Paredes de Coura. Do que se recordam?

FT – Lembro-me de que tocámos ainda de dia e apanhámos aquelas pessoas entre o banho e o jantar (risos). Mas, curiosamente, a recepção que tivemos do público foi muito boa. Ficaram muitas histórias, algumas delas que não se podem contar (risos). Recordo-me de que estava em cima do palco e pensei: 'Bolas! Enquanto me deixarem é mesmo isto que eu quero fazer.'

- Vocês estarão para sempre associados aos telemóveis e à TMN. Como é que isso aconteceu?

- Tínhamos lançado um single com o ‘Blitz’, ‘Daisy’, e eles ouviram-nos e convidaram-nos. Foi a primeira vez que isso aconteceu com uma banda portuguesa mas foi uma maneira muito rápida de chegar às pessoas.

- Foi estranho ouvirem-se a tocar em telemóveis?

- Havia um certo preconceito e fomos criticados por isso. Mas depois passou.

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