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Ricardo Ribeiro: “Queira Deus que nunca ninguém consiga explicar o que é o Fado”
‘Largo da Memória’ é o novo CD de uma das mais quentes vozes do fado
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19/10/2013 10H35
O novo trabalho conta com um tema dedicado à filha Carolina
Foto: Rita Carmo

‘Largo da Memória' é o novo CD de Ricardo Ribeiro, uma das mais quentes vozes do fado.

- Ao seu novo disco chama ‘Largo da Memória'. Que memórias é que cabem neste novo trabalho?

- Muitas. A memória da cidade e as memórias das minhas vivências, das pessoas com quem tenho trabalhado, de músicos a compositores. São muito importantes as memórias. Às vezes é preciso dar dois passos atrás para dar um à frente.

- Sabendo que começou muito cedo nesta vida do fado, que memórias são essas de que fala neste disco?

- São memórias de grandes fadistas como o Fernando Maurício e de grande músicos como o Zé Inácio ou o Adelino dos Santos. Eu só posso cantar se tiver vivido, porque o fado é uma vivência. Só depois de vivermos as coisas as podemos cantar. O importante para mim é a mensagem, e eu sou apenas o mensageiro. Ainda não me tornei na mensagem, como outros. Estou a trabalhar para isso [risos].

- E o que é que tem aprendido com o fado ao longo desta vivência?

- Eu acho que o fado nos faz aprender o que é a verdade. Faz-nos ser autênticos. E tudo o que eu pretendo é ser honesto e seguir a minha lógica.

- Este disco coloca em destaque grandes poetas portugueses como Pedro Homem de Melo, David Mourão Ferreira e Afonso Lopes Vieira. Que importância é que a palavra tem na sua vida e no seu trabalho?

- A palavra é a rainha. É a mãe. Simplesmente as coisas só fazem sentido para mim quando a melodia e o poema se tornam num só.

- E porque é que o Ricardo Ribeiro não escreve os seus fados?

- Porque não tenho ‘jeiteira' nenhuma [risos]. Já tentei escrever umas coisas mas aquilo ficou uma miséria. Eu costumo dizer que os dois seres que eu mais invejo à face da terra são os poetas e as aves. As aves porque estão perto do céu e os poetas porque conseguem escrever aquilo que eu não consigo dizer. A única coisa que eu ainda consigo fazer são algumas melodias. Aliás, neste disco há uma melodia dedicada à minha filha Carolina e a todas as crianças, que se chama ‘Quando Nasceste'.

- Este disco conta com vários músicos convidados. O que é que eles trouxeram para o seu fado?

- Eu sou uma pessoa muito mais feliz por ser amigo destas pessoas. Sou uma pessoa mais rica por ter ao meu lado músicos de exceção como Pedro Caldeira Cabral, Pedro Jóia e Abou Khalil. Deus tem sido muito generoso comigo porque me tem possibilitado cruzar-me com gente maravilhosa. Acho que foi o destino.

- Este disco abre com um fado chamado ‘Destino Marcado'. Acha que foi o que aconteceu consigo? Acredita que estava destinado ser fadista?

- Não sei, se calhar sim, a cantar desde os 9 anos... [risos]. É como dizem os versos: ‘A minha vida renasce neste meu canto magoado/Cada um é para o que nasce/E eu nasci para o fado.'

- Como é que foi começar a cantar aos 9 anos?

- Aquilo era mais uma graça. Na verdade o fado é uma coisa muito séria e muito lúcida para ser cantada por uma criança, embora existam algumas marchinhas e as algumas cantigas mais leves que as crianças podem cantar. Quando eu comecei a cantar, a minha tia teve esse cuidado, de me dizer que canções é que eu deveria cantar, sem carga e peso para uma criança. Há uma seriedade e uma vivência que uma criança não tem.

- Mas como é que o fado aparece na sua vida aos 9 anos?

- Lembro-me de que a minha mãe andava sempre a cantar enquanto fazia a lida da casa e que isso me emocionava imenso. Ficava preso àquilo. Ainda hoje não sei explicar porquê. Depois punha os discos da minha tia e cantava por cima. Foi assim que tudo começou.

- O que é o fado, afinal de contas?

- Ninguém sabe explicar. Cada um tem a sua teoria e todos têm a sua verdade. Na sua verdadeira essência, nunca ninguém o vai explicar. O fado pode ser cantado milhares de vezes e nunca acontecer. Queira Deus que nunca ninguém consiga explicar o que é o fado. Há uma frase de que eu gosto muito, do Louis Armstrong: "Se precisas de saber o que é o jazz, então jamais vais saber." E eu não preciso de saber o que é o fado.

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