O (en)talão diário dos portugueses

Em pleno advento digital, é patética a quantidade de talões que levamos para casa ao fim de um dia.
27 jan 2016 • 13:27
Miguel Martins

Em pleno advento digital, é patética a quantidade de talões que levamos para casa ao fim de um dia. Mas, vamos a contas, fazendo uma simulação rápida de um dia em que utilizamos vários serviços: fazemos compras no supermercado e trazemos o talão da caixa, que vem em duplicado se quisermos fatura, ao que se junta o talão do pagamento por multibanco. Aqui, temos já três talões. A seguir, vamos abastecer o carro e lá chegam mais três talões: fatura, pontos e pagamento multibanco. Estamos com seis e ainda o dia vai a meio. Resolvemos carregar o cartão dos transportes públicos e lá a máquina cospe mais dois talões: recibo e pagamento com multibanco. Vamos em oito. Comemos uma refeição rápida em qualquer lado, mais três talões: conta em talão que não vale nada para o fisco, fatura que pedimos quando chega essa conta, e talão de multibanco após pagamento. Vamos, portanto, com 11 talões. Acabamos o dia com uma ida ao cinema – quando era miúdo, havia um bilhete de cinema, ponto final – e, nem de propósito, entramos na ‘Twilight Zone’. Três talões, no mínimo: conta, outro com sala e lugar, outro com o pagamento multibanco. Ao final do dia, temos 14 talões... Não admira que no fim de um mês as carteiras rebentem pelas costuras (e não é com o dinheiro). Isto diz muito de um país: nem é digital nem é analógico, é um meio caminho, um ‘stuck in the middle’ (preso no meio), como diz Michael Porter. Este famoso estratega de negócios ensina que esta posição é a pior de todas. Pois... Eis Portugal.

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