Amor é...?

O vínculo emocional em forma de afecto, desde cedo vivido com a família de origem, não se perdeu. Mas este novo formado conduziu a novas descobertas e até mesmo ao alargar da consciência sobre o mundo, sobre os outros e sobre si mesmo.
07 jan 2016 • 12:29
Quintino Aires
Amor é a partilha de vidas e de corpos entre dois adultos. Um tem uma história, o outro uma outra história. Partilharam afectos com as suas famílias de origem e descobriram a delícia dessa partilha afectiva. Depois descobriram uma outra forma, bem diferente, de vínculo emocional: a amizade.

Desta vez já não dentro da própria família de origem, mas entre as crianças com quem brincaram e também se zangaram, e depois com outros jovens, com quem partilharam acontecimentos de vida, muitas vezes envolvidos em profundas emoções. Experimentaram os encontros e os desencontros do entendimento e desentendimento a dois; por vezes juraram amizade eterna e logo de seguida já nem se falavam; outras vezes pareciam apenas conhecidos, até ao dia em que uma aflição ou mesmo uma zanga gerou a oportunidade de perceberem que podiam verdadeiramente contar um com o outro.

O vínculo emocional em forma de afecto, desde cedo vivido com a família de origem, não se perdeu. Mas este novo formado conduziu a novas descobertas e até mesmo ao alargar da consciência sobre o mundo, sobre os outros e sobre si mesmo. Sem que alguém percebesse que estes passos, no afecto e na amizade, preparavam ainda uma outra etapa na história pessoal dos vínculos emocionais: a etapa do amor. Bastou juntar o sexo praticado a dois e a descoberta até pareceu espontânea. As descobertas e aprendizagens no afecto e na amizade são agora integradas na mais completa das três formas de vínculo emocional. E o sexo, entre os dois, vivido numa intimidade que os torna cúmplices um do outro, faz desejar que o amor, aquele amor, dure para sempre.

As fantasias, herdeiras do brincar no tempo de meninos, trazem a criatividade e a novidade no sentir emocional que faz parecer sempre que ainda só está a começar. E torna o desejo realidade. Mesmo quando os anos são já décadas vividas em comum.

E mesmo se um dia acabar nunca acaba, porque há materializações do sentir que nunca se apagam. No coração dos dois, claro, porque os outros humanos jamais poderão conhecer aquela vivência que sempre será um mundo apenas do casal.

www.quintinoaires.pt 

 

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