Regresso

Waters mudou um pouco. Este é um disco denso e emotivo.
17 jun 2017 • 00:30
Fernando Sobral
Foi uma longa espera. Mas, 25 anos depois do seu último sinal de vida sonora, ‘Is This The Life We Really Want?’ é o primeiro disco de rock de Roger Waters, talvez o grande cérebro dos Pink Floyd. O regresso do fundador do grupo que marcou a história do rock fez-se um quarto de século depois de ter editado, em 1992, ‘Amused to Death’.

E o certo é que Waters mudou pouco. Este é um disco denso e emotivo e que remete para tudo aquilo que conhecíamos da sua criatividade. É uma obra que joga com a memória colectiva de quem cresceu a escutar os Pink Floyd e o único elo de ligação a novas gerações é a presença do produtor Nigel Godrich que conhecemos dos seus trabalhos com os Radiohead.

A pergunta de Waters é simples e cortante: é esta a vida que realmente desejamos? Para ele é evidente que não, e essa lógica é a guia condutora de todo o disco. A ideia não era fazer um registo para o mundo da velocidade e da internet: este é um disco para ouvir com calma, como se fazia há décadas atrás. Waters olha para um mundo onde os cidadãos estão endividados aos bancos, onde a orgia do consumo sem sentido e a riqueza de alguns é a norma.

Estas 12 canções falam-nos do fim das ideologias e da idade das máquinas que tudo decidem. É um disco político. Ou seja, é um álbum conceptual. Poderíamos dizer que é de outra época. Não serve para consumos acidentais nem fragmentados.

Tudo no álbum tem uma coerência. E faz-nos regressar ao universo sonoro dos Pink Floyd de onde Waters nunca saiu. Basta escutar temas como ‘When We Were Young’ ou ‘Dejà Vu’. Puro Pink Floyd. 
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