Educação

Há quem a tenha catalogado como “David Bowie no feminino”.
27 out 2018 • 00:30
Fernando Sobral
O quinto álbum de St. Vincent (Annie Clark), ‘Masseducation’, é um testemunho pop sobre as emoções que uma mulher vive quando é abandonada e fica sozinha. Ou seja, é um disco cheio de conteúdo num formado mais acessível.

Há aqui de tudo um pouco, de baladas de piano sobre a tristeza, canções pop sobre o desejo. E mesmo um tema de conexões funk, como ‘Savior’, sobre sexo, onde vislumbramos a influência do universo musical de Prince. É um caminho muito estimulante aquele que descobrimos aqui: St. Vincent quer deixar de ser uma cantora de culto e deseja seduzir outros mercados.

Não por acaso entregou a produção a Jack Antonoff (Taylor Swift, Lorde). Ou seja, a estrela polar de St. Vincent é agora a música pop. Há quem a tenha catalogado como a "David Bowie no feminino" e talvez este disco faça jus a esta definição. Será ele o ‘Let’s Dance’ de St. Vincent?

Não parece que Annie Clark se importe muito com esta deriva: ela é claramente calculada, fazendo com que este disco seja muito mais acessível do que as anteriores obras. No meio St. Vincent não abandona o seu foco: este disco é sobre a condição de ser mulher e a sua relação com o mundo da fama (Annie teve uma relação muito forte com a modelo Cara Delevingne e, claro, com os fotógrafos que seguiam esta incessantemente).

Este é um disco directo cheio de temas fortes (’Los Ageless!’, ‘Fear the Future’) que acabam por nos envolver de forma muito sensual. Batendo à porta da pop, St. Vincent não deixa de ser uma cantora inteligente e arguta. À espera de ser reconhecida.
Mais sobre
Newsletter
topo