A gata

Cat foi mãe... o seu filho parece ser o sol que guia agora a sua existência.
20 out 2018 • 00:30
Fernando Sobral
Para Cat Power o "rock’n’roll está morto". Foi o que disse numa recente entrevista ao "Independent", especialmente porque considera que as mulheres nunca puderam ter um lugar na sua história. O rock’n’roll, para Cat Power, era um território de homens.

Talvez por isso o seu anterior álbum, "Sun", editado há seis anos, mostrava uma aventura num mundo mais democrático, o da música electrónica. Mas há valores seus, sobretudo a calma e a força, que sempre se mantiveram. Como é visível no seu novo disco, "Wanderer".

Pelo meio um tema continua a ser constante: a mágoa. Isto apesar de as suas canções, sendo tristes, não serem momentos de auto-flagelação.

No seu mundo escutam-se as influências do folk, do rock, dos blues, da pop ou da electrónica. Cat Power (Chan Marshall) sofreu muito: quando editou "You Are Free", em 2003, tinha acabado com o seu namorado de então e depois de acordar tinha uma dieta rígida de Jack Daniel’s com Xanax.

Vivia à sombra de uma garrafa. Noutros momentos esteve à beira da depressão. Mas sobreviveu. Isso é a fonte de inspiração para "Woman", um dos temas deste novo disco, um dueto com Lana del Rey, uma declaração de solidariedade mas também de desafio.

Cantam: "I’m a woman of my word/Or haven’t you heard/My word’s the only thing I’ve ever needed," Cat foi mãe e, juntamente com a guitarra, o seu filho parece ser o sol que guia agora a sua existência.

O tema "Wanderer", um espiritual, com harmonias vocais quase angélicas, parece ser uma canção feita especialmente para ele. Um regresso fascinante.
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