A rainha

O som cristalino dos The Smiths acabou a influenciar a música rock.
18 nov 2017 • 00:30
Fernando Sobral
Foi em meados da década de 80 que os The Smiths criaram aquele que, muito provavelmente, é o seu mais maduro álbum: "The Queen is Dead". Estava lá tudo: a lírica inconformada de Morrissey e a guitarra iluminada de Johnny Marr.

Tudo a raiar a perfeição, numa radicalidade pop difícil de igualar. Agora este disco, que se continua a escutar como se tivesse saído ontem, surge numa edição "Deluxe", remasterizada e acompanhada de muitas versões de estúdio e ao vivo. É uma obra de arte para os fãs do grupo que despontou em Manchester no meio de uma sociedade fragilizada pela recessão económica e pela política conservadora de Margaret Thatcher da altura.

O som cristalino dos Smiths acabaria por ter uma influência determinante da música rock britânica das décadas seguintes. E isso tornou a banda mítica. A voz de Morrissey e as suas letras ácidas e a textura da guitarra de Johnny Marr são os centros deste milagre musical.

E, por detrás, Andy Rourke e Mike Joyce fazem o trabalho pesado do ritmo envolvente do grupo. Neste disco, os Smiths criaram 10 canções incontornáveis sobre o amor e o ódio e, sobretudo, sobre a libertação das almas e dos corpos. Temas como "The Boy with the Thorn in his Side" ou "Bigmouth Strikes Again" continuam a ser tão frescos como eram na época. E há, claro, "There is a Light that Never Goes Out", uma canção de amor notável em qualquer tempo.

Tudo o que se encontra nesta edição é puro ouro. Aquele que foi sendo extraído de uma mina chamada Smiths e que teve dois génios à solta: Morrissey e Marr. Escutá-lo é como encontrar a fonte da juventude eterna.
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