América

Ray Davies expõe no novo disco a sua longa relação com a América.
06 mai 2017 • 00:30
Fernando Sobral
Há discos que são como as duas faces de uma moeda: revelam tanto o amor como o ódio a algo ou a alguém. É o caso de ‘Americana’, o regresso de Ray Davies, alma errante desde o tempo dos saudosos Kinks, que continua ciclicamente a visitar-nos.

Grande autor, Davies expõe neste disco a sua longa relação com a América. O que nem sempre foi algo fácil, sabendo-se que o músico sempre foi acusado de todos e mais alguns pecados dos seres humanos: frágil, egocêntrico e um pouco alucinado. Mas também foi isso que o tornou uma figura ímpar da história do rock. E ele, como prova este disco, continua, depois de todos estes anos, a ser um grande criador.

Estão aqui 13 belas canções, cheias de personalidade, interpretadas com os Jayhawks. Estão aqui as razões por que Davies se apaixonou pela América (está tudo no tema que dá nome ao disco): desde logo o cinema e, depois, a música.

Os temas de Davies estão recheados de influências musicais americanas, do country aos blues. O que não deixa de ser curioso quando revisitamos o passado: no seu tempo áureo os Kinks foram quase "proibidos" nos EUA. Mas esses tempos (de há quase cinco décadas) já lá vão, porque depois os Kinks passaram a ser um grupo de culto e Davies fez concertos por toda a América. Isso está gravado na sua memória, como ilustram dois dos grandes temas deste álbum: ‘The Great Highway’ e ‘Message From the Road’.

Este é um disco profundamente melancólico de quem acabou por ficar hipnotizado pela força dos EUA (oiça-se ‘A Long Drive Home to Tarzana’). É essa sensibilidade que encontramos aqui.
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