Colectivo

Este novo registo é um exercício poderoso de influências sonoras.
28 jul 2018 • 00:30
Fernando Sobral
Berlim, cidade que seduziu David Bowie ou Lou Reed, foi o berço desse colectivo regular de DJs (Stefan Leisering, Alex Barck, Claas Brieler, Axel Reinemer e Jurgen von Knoblauch) chamado Jazzanova. Mais do que criadores de álbuns, sempre se distinguiram pelo seu trabalho com outros músicos.

Têm bastantes EPs e compilações com remisturas, mas o seu trabalho formal enquanto grupo tem sido feito de ciclos. Por isso este novo álbum "The Pool" é apresentado como o seu primeiro álbum em 10 anos.

Não deixa de ser interessante verificar como um disco gravado ao vivo em estúdio, como o incontornável "Funkhaus Studio Sessions", não aparece contabilizado na sua história.

Este novo registo é mais um exercício poderoso de influências sonoras à volta da electrónica. Algo que não surpreende. Os Jazzanova nunca se distinguiram por estarem reféns de algum género musical específico, antes são uma foz onde desaguam todos os rios possíveis. Há por isso aqui de tudo um pouco: Soul, R&B e hip-hop, misturados com os rirmos de dança electrónica e algumas pitadas de Jazz.

Basta escutar o tema mais forte do disco, "Rain Makes the River", para percebermos este hipnótico som onde o trip-hop surge como influência decisiva para a voz de Rachel Sermanni. Tudo nos lembra os Portishead. Depois encontramos o melódico "Let’s Live Well" (com a voz de Jamie Cullum) e o magnético "It’s Beautiful" com a voz de Paul Rudolph.

E há ainda o swing ondulante de "Summer Keeps on Passing by Me", que faz as delícias da alma e do corpo. Este é um disco para escutar nos belos fins-de-tarde de Verão.
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