Desenhos

O novo disco dos Gorillaz atira-nos para o mundo dos sonhos.
21 jul 2018 • 00:30
Para Damon Albarn há uma linha muito ténue entre o rock e a banda desenhada. E é essa frágil fronteira que ele tem vindo a explorar nos Gorillaz, projecto extremamente aliciante onde a animação e os heróis virtuais se confundem com os ídolos da música.

A liberdade criativa de Albarn já era sentida nos Blur, mas ao longo dos anos ele tem vindo a expandir o seu universo para outras margens. É isso que nos traz ao novo álbum dos Gorillaz, "The Now Now".

São 11 temas feitos com o produtor James Ford e os convidados são Snoop Dogg, Jamie Principle e uma verdadeira lenda da Soul e do Jazz americano, George Benson (que, no tema de abertura, "Humility", nos oferece um "riff" cheio de funk).

Desta vez, Albarn ocupa hegemonicamente o lugar de vocalista, sem se esconder pelos múltiplos efeitos sonoros que distorciam a sua voz em inúmeros temas do passado. Há mais realidade neste disco dos Gorillaz. As canções fazem, de alguma maneira, lembrar a fórmulas utilizada nas baladas dos Blur: parecem conversas informais com quem está a escutar Albarn. Dois temas reflectem de forma particular essa fórmula: "Odaho" e "One Percent".

Há muita paz sonora neste disco (escutem-se "Lake Zurich", ou "Tranz"), algo que nos aquece a alma. Mas, como sempre, Albarn distingue–se pelas líricas muito abstractas, que permitem muitas leituras a quem procurar estar atento às palavras e não apenas ao som. Sendo mais uma vez um registo que foge à normalidade em que vive a música moderna, este novo disco dos Gorillaz atira-nos para o mundo dos sonhos e da evasão. E ainda bem que assim é. 
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