Ébrio

Julian Cope regressa às actividades musicais com ‘Drunken Songs’.
11 mar 2017 • 00:30
Fernando Sobral
Julian Cope é um dos grandes sobreviventes dos mais gloriosos momentos do rock nos anos 80. Depois do estilhaçar dos Teardrop Explodes começou uma carreira a solo extremamente tentadora. ‘World Shut Your Mouth’ é, ainda hoje, um momento de grandiosidade lírica e sonora.

Com o tempo alternou momentos mais pop com divagações ao universo psicadélico, ao paganismo e à cultura marginal japonesa ou alemã, influências e paixões que surgem impressas em forma de livro. Agora regressa às actividades musicais com um disco chamado ‘Drunken Songs’, narrativas sobre as suas vivências à volta do álcool.

Tudo com muito psicadelismo por perto. ‘Drink Me Under the Table’, o tema que abre o disco, é mesmo um dos melhores temas que terá escrito nos últimos anos, com a sua arquitectura orquestral que recordam grandes clássicos das décadas de 80 e 90 do mundo da pop. ‘Clonakilty as Charged’ é um entusiasmado tema à volta de um acordeão que parece situado no meio de um pub, enquanto todos bebem e celebram.

E ‘As the Beer Flows Over Me’ foi aparentemente escrito para ser tocada quando for o seu funeral, como um momento de alegria no meio de qualquer eventual tristeza. Depois há um tema enorme, de cerca de 19 minutos, ‘On the Road to Tralee’, sobre uma viagem recheada de álcool pelo sudeste da Irlanda, feita em ritmo de conversa e com som muito acústico. É um tema fecundo e profundo sobre a vida e a morte à volta das bebidas alcoólicas. Se dúvidas houvesse sobre a profunda ligação de alguma música ao álcool (como às drogas), aqui está tudo dissipado. Claro, ou escuro. Como uma cerveja. 
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