Intimidade

O novo disco de Leslie Feist surge depois de um silêncio criativo.
27 mai 2017 • 00:30
Fernando Sobral
Desde que iniciou a sua carreira a solo, em 1999, Leslie Feist criou uma verdadeira aura, fosse com as suas canções, fosse com as suas presenças em palco. Mas a carreira da artista que veio do Canadá nem sempre foi guiada por um fio condutor reconhecível.

Entre as suas múltiplas rotas musicais (que, às vezes, parecem contraditórias) cimentou uma carreira de culto. Brilha quando aparece e torna-se um mistério quando deixa de estar tão visível. ‘Pleasure’, o seu novo disco, surge depois de bastante tempo de silêncio criativo. E é uma surpresa estranha, já que vai contra a corrente daquilo que foi durante muito tempo o seu fluxo criativo. É um disco muito intimista, que requer, mesmo dos fãs mais militantes, uma paciência infinita.

Não se pense que é um salto em frente: é antes um pulo rumo ao passado, já que analisa a sua própria vida e história, ao mesmo tempo que Feist tenta discernir o futuro. Foi gravado num quarto sem grandes misturas ou produção: parece por isso de uma intimidade cortante. Basta escutar temas como ‘I’m Not Running Away’ ou ‘Lost Dreams’. E neles encontramos algo de optimista, sobretudo através das palavras que vão saltando da sua voz que sussurra.

Feist parece ter saltado para um abismo e, dele, no fundo das memórias, tenta ver uma luz no mundo que aí vem. Em ‘I Wish I Didn’t Miss You’ tenta explicar-se a todos nós e em ‘Get Not High, Get Not Low’ fala-nos da vida extremada. Não se pense que este é um disco que defende o "prazer" pelo "prazer". Para ela é a intimidade que nos aproxima da estabilidade.
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