Memória

The Doors são uma das grandes bandas da história do rock.
18 fev 2017 • 00:30
Fernando Sobral
A música tem a capacidade de fazer renascer ciclicamente as melhores memórias. Porque as canções não desaparecem. Continuam vivas, passando de geração em geração. Olhemos para o caso dos The Doors, mítica banda americana. Passam agora 50 anos sobre a edição do seu primeiro disco.

Estávamos no início de 1967 e era editado ‘Break on Through’, canção que iniciaria uma saga gloriosa num dos períodos mais grandiosos do rock. O som diferente do grupo evocava o passado mas também o futuro. Isso era audível na bateria, muito influenciada pelo som do jazz, de John Densmore, no orgão recheado de música religiosa de Ray Manzarek e na guitarra com acordes límpidos de Robbie Krieger. E, no meio desta tempestade, soava a voz de Jim Morrison. Era um achado. Não foi, na altura, um grupo amado por todos. Em Nova Iorque, a elite que tornara os Velvet Underground os magos da música, detestava os The Doors. Não admirava: Jim Morrison era o som da Califórnia, entre a limpidez do surf e a contestação estudantil mais radical.

O certo é que o grupo era um filho da contracultura californiana, com evidente fascínio pela Índia. Manzarek e Densmore tinham-se conhecido em aulas de meditação. O culminar deste universo, onde os escritos de Aldous Huxley estavam muito presentes, seria ‘The End’, onde a influência de Ravi Shankar era óbvia. A tudo isso aliava-se o impulso erótico de Jim Morrison, algo que tinha a ver com a libertação dos corpos que a década de 1960 propiciara. Estava aberto um percurso glorioso, que tornaria os The Doors uma das grandes bandas da história do rock.
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