Raízes

Há um esforço genuíno em Timberlake em criar uma identidade.
17 fev 2018 • 00:30
Fernando Sobral
Ao longo dos anos, Justin Timberlake foi criando uma imagem de príncipe herdeiro da música pop. Descobriu um estilo muito próprio, criando discos com uma alma aventureira. Se numa primeira fase poderíamos apontar para influências que iam de Prince a David Bowie, em 2013, com o auxílio poderoso de Timberland, vimos Timberlake avançar para um audaz e, nalguns casos, muito criativo som, que trocava as voltas ao hip-hop e ao R&B.

'Man of the Woods', o novo disco, é talvez a proposta mais arriscada de sempre da sua carreira. Tenta criar uma ponte entre o passado que nunca renegou e as tendências musicais contemporâneas. Ou seja, a ideia é fundir o 'country & western' e o rock sulista do seu Tennessee originário com as últimas vagas sonoras do R&B.

Um tema óbvio neste disco que define essa sensação de pertença a uma herança, com um olhar no presente tecnológico, é 'Livin' Off the Land'. Trata-se de uma tarefa difícil juntar dois mundos diferentes, o tradicional e o futurista. E é por isso que o resultado final de 'Man of the Woods' é desequilibrado.

Existem, claro, grandes temas como 'Midnight Summer Jam' (o coro faz lembrar uma das grandes bandas da Soul, os Earth, Wind & Fire) ou 'The Hard Stuff' (com guitarra acústica cruzada com a electrónica). Mas também surgem alguns temas redundantes e que parecem criações perdidas num deserto qualquer.

Mas, independentemente disso, há um esforço genuíno de Timberlake em criar uma identidade muito própria, diferente de todas as que hoje encontramos no R&B norte-americano da actualidade.
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