Telejornal

Não é por acaso que o novo disco dos James se chama "Living in Extraordinary Times".
18 ago 2018 • 00:30
Fernando Sobral
Pouco antes do lançamento do novo álbum dos James, Tim Booth declarou: "Sabíamos que algo estava a mudar quando o Leicester ganhou a Premier League, e depois acontece o Brexit, e depois veio o Trump. Como se tivéssemos sido atirados para uma realidade alternativa, uma realidade ao estilo de Philip K. Dick. Estamos a viver tempos extraordinários".

Não é por acaso que o novo disco dos James se chama "Living in Extraordinary Times". É o 15º registo do grupo que nasceu nas esquinas de uma Manchester que, então, era devota da herança dos Joy Division e dos New Order.

Mas depressa o grupo encontrou o seu verdadeiro território. E aqui a força da percussão aliada às líricas tocantes mostram o universo dos James, capazes de fazerem um "cocktail" de diferentes estilos musicais. Aqui até nos apercebemos de momentos que parecem reminiscências dos U2 ou dos Underworld.

Talvez o momento mais empolgante do disco esteja em "Better than That", que combina um empolgante coro com guitarras, levando a que pareça que estamos a escutar o tema num qualquer estádio repleto de fãs. Mas em todo o disco é a batida da bateria que parece ser sempre o denominador comum, levando-nos para o mundo dos ritmos perfeitos e sincopados.

O mesmo contexto é utilizado no tema que dá título ao disco e na canção de abertura, "Hank", reflexão sobre a era Trump. Não podemos esquecer a poderosa linha de baixo em "Hope to Sleep". Tudo aqui demonstra a ambição da banda, que se tem mantido inalterada: quer ser recordada como um verdadeiro telejornal sonoro dos tempos modernos. 
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