Confissões
Cristina Areia: “Sou uma escrava das emoções”
Atriz mostra-se radiante por acreditar que o futuro será risonho
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30/12/2013 14H05
Foto: Sérgio Lemos

Com 2013 a terminar, a atriz mostra-se radiante por acreditar que o futuro será risonho. Feliz na vida pessoal, diz que é no trabalho que mais precisa de desafios.

- Com o ano a fechar, que balanço faz de 2013?

- Para mim não foi um bom ano. Em termos profissionais, só metade do ano é que foi boa. Em termos pessoais não foi mau. De qualquer forma, como sou uma pessoa otimista e bem disposta, acredito que as coisas não vão correr sempre mal.

- Acredita que 2014 lhe vai trazer um novo alento?

- Sinceramente, há muito tempo que eu não me sentia tão otimista. Estão a acontecer agora coisas no final do ano que me fazem acreditar que 2014 vai ser muito melhor. No fundo, espero que me traga mais paz de espírito, em todos os campos. Sinto que estou a precisar muito disso.

- Como está de projetos agora?

- Estou com quatro projetos diferentes, mas as coisas estão muito complicadas e sinto que, mesmo com muito trabalho, o que faço não chega.

- Que projetos são esses?

- Estou com um projeto de teatro, dois de formação nessa área e agora estou a começar a trabalhar como consultora no ramo imobiliário. Acho que preciso de usar as minhas capacidades de atriz também noutras áreas. Acho que é uma mais valia para mim e mais uma fonte que posso ter de rendimento. Neste último ano, senti que viver sozinha com uma filha [Catarina] é mesmo muito complicado quando se tem uma profissão tão instável como a minha.

- Tem sentido que é cada vez mais difícil viver da representação?

- Sim. Está mais complicado. Trabalhei sempre e continuam a existir muitas ofertas, mas cada vez se recebe menos pelo trabalho. Além disso, os trabalhos são de curta duração e não dá para juntar dinheiro. Há também o problema dos impostos. Temos de pagar mesmo quando estamos sem receber.

- Como é que a representação surgiu na sua vida como uma paixão? Foi por causa do seu pai [ator Carlos Areia]?

- A minha vida foi muito engraçada nesse aspeto. Lembro-me sempre do meu pai a trabalhar no teatro. Lembro-me que todos os bairros tinham um teatro e todas as pessoas faziam questão de ir ver as peças. Era tudo muito familiar e eu desde cedo comecei a participar quando precisavam de alguém para fazer pequenas coisas.

- E começou a gostar cada vez mais?

- Foi acontecendo, sim. Comecei a fazer as mais variadas coisas e fui ficando cada vez mais envolvida. Comecei a achar piada.

- Como era a sua relação com o seu pai?

- Era muito próxima. Passava muito tempo com ele. Lembro-me muito bem de uma parte de uma peça que nunca mais me saiu da cabeça. O meu pai que era também meu pai na peça pegava em mim ao colo e tirava-me de cena. Eu adorava essa parte em que o meu pai me abraçava e pegava ao colo. Sentia o carinho do meu pai e ficava sempre muito feliz com isso.

- O facto do seu pai estar presente ajudava-a durante as peças de teatro?

- Claro, ele foi, sem dúvida, uma grande influência para mim.

- Como é que aconteceu a sua passagem do teatro para a televisão?

- Aconteceu naturalmente. As coisas foram ficando cada vez mais sérias e, como este meio é mais pequeno do que parece, acabou por acontecer. Muitas vezes, alguém que ia ver peças onde eu entrava convidava-me para fazer umas coisas em televisão. Fui andando e as coisas foram-se desenvolvendo a seu tempo.

- O que prefere? A televisão ou o teatro?

- Eu gosto das duas coisas. Assim como gosto muito de cinema. É tudo diferente e os ritmos não têm nada a ver uns com os outros. Se tiver de escolher, acho que gosto mais de cinema, porque é, sem dúvida, o mais natural. Ali, o desafio é ser um personagem mas mesmo muito natural.

- Qual é o seu maior sonho a nível profissional?

- Não faço muitos planos, porque nesta profissão é complicado saber o que vai acontecer. De qualquer forma, fiz pouco cinema e gostava de fazer muito mais. Além disso, tenho feito sempre coisas muito ligadas à comédia e gostava de experimentar papéis mais sérios. Mas lá está, são coisas que não dependem de nós.

- Esteve algum tempo afastada do seu pai por causa da relação dele com Rosa Bela Soares, mais nova do que ele. Como foi a reaproximação?

- Eu nunca estive chateada com ele. O que aconteceu foi um afastamento. Estivemos sempre em contacto. Nunca deixámos de falar. O que aconteceu foi uma vontade de evitar encontros. Para mim, seria impossível não saber nada do meu pai, mas foi preciso algum tempo para conseguir lidar com a situação da melhor forma possível.

- Portanto, neste momento, têm as coisas bem resolvidas?

- Não é bem assim. Temos as coisas bem resolvidas mas porque decidimos partir do zero. Tive de aceitar que as pessoas mudam e que nós próprios também mudamos. Além disso, é preciso perceber que as prioridades também mudam. Eu nunca quis passar tanto tempo sem estar fisicamente com ele e também percebi que ele é feliz. Se o fazem feliz, eu tenho que começar a tentar perceber e a gostar de quem o deixa bem. É tão simples quanto isto.

- Acha que a sua primeira reação teve a ver com o choque por ela ser tão nova?

- Foi mais visível em mim, mas foi complicado para toda a família. Não fui a única pessoa que demorou a saber lidar com a situação. Agora, ainda é necessário ir com algum cuidado, porque as coisas demoram a ser bem resolvidas. Nem todas as pessoas andam à mesma velocidade.

- É pessoa de resolver tudo na sua vida ou tem vários assuntos por resolver?

- Tenho um problema: sou escrava das minhas emoções. Tenho muita dificuldade em lidar com algumas coisas, principalmente quando já estou muito envolvida emocionalmente com as pessoas. Tenho dificuldades em desligar-me e isso vem da vida familiar que tive.

- O que a leva a dizer isso?

- Acho que ser filha de pais separados teve muita influência. Além disso, este desequilíbrio familiar de que falei não ajudou muito. Fiquei uma pessoa muito frágil, até porque sempre tive tendência a ser mais emotiva do que racional. Só a vida e a experiência é que nos vai pondo os pés mais assentes na terra e nos ajuda a criar mais defesas. Há muitas coisas que resolvo de forma pior, mas tem mesmo a ver com a minha incapacidade de ser mais racional.

- Como é que se descreve enquanto mãe?

- A minha filha diz que sou muito mãe galinha, mas eu não concordo com ela. Acho que lhe dou muita liberdade e, muitas vezes, até tenho dúvidas se sei dosear bem o grau de liberdade que lhe dou. Acima de tudo, quero muito que ela não sofra coisas que eu sofri. Além disso, quero passar-lhe uma imagem muito positiva da vida e que ela saiba encarar a vida como um desafio e não como um problema. Tenho a missão de a fazer entender que tem de aproveitar a vida e não ficar a pensar nas coisas más que, por vezes, nos acontecem.

- É uma grande responsabilidade para si educar a Catarina?

- É mesmo muito e preocupo-me com a forma como ela encara as coisas. Quero muito que ela seja uma criança equilibrada.

- A maternidade mudou-a muito?

- Foi a melhor coisa que me aconteceu na vida e confesso que até gostava de ter tido mais. Acho que é uma das melhores coisas da nossa vida. Mesmo nos momentos mais difíceis é o que fica. Pode estar tudo a ruir à nossa volta, mas continuamos a ter aquela pessoa, que é o mais importante.

- Reconhece muitas coisas suas na Catarina?

- Muitas mesmo. Ela é muito parecida comigo. É muito emotiva e despistada. Além disso, sonha muito alto como eu.

- Quando diz que sonha alto, fala de ambição?

- Não. Sou mesmo só sonhadora. Nesta profissão devia ser ambiciosa, devia mas não sou. Provavelmente, se fosse mais racional teria a ambição necessária. Mas esta ideia que tenho de não pensar muito no amanhã, porque o que importa é viver o hoje, vem do meu pai. É uma coisa que me ficou de pequena e não consigo abandonar esta ideia. Estou sempre a pensar no que há para fazer hoje de bom e raramente me preocupo com o amanhã.

- A Catarina fala em seguir a mesma profissão?

- Não, não quer. Não acha graça, mas acho que percebo. Ela é muito adulta em algumas coisas e acho que se apercebe da instabilidade da profissão. Além disso, não gosta da ideia de decorar muitos textos.

- Muitas pessoas elogiam a sua forma física. Preocupa-se muito com a sua imagem?

- É uma grande responsabilidade para mim [risos]. Nesta profissão, a nossa imagem é pública e há sempre muita exposição. A televisão tem este problema. Muitas vezes, lembro-me da Alexandra Lencastre. Ela é da minha geração e lembro-me de quando ela começou. Foi alvo da exploração da imagem dela muito cedo. Ela sempre sentiu esse peso e acabo por achar que é um cuidado normal, associado à vida que escolhemos. Na nossa profissão, a imagem é uma ferramenta de trabalho essencial.

- Tem medo de envelhecer?

- Não gosto muito da ideia, confesso. Mas também sei que faz parte da vida. Tenho estado a tentar preparar-me para saber estar na vida de outra forma. Preciso de me sentir mais livre para aceitar melhor a passagem dos anos.

- A falta de aceitação também tem a ver com a profissão?

- Sim, claro. Ninguém nesta profissão gosta da ideia. Por isso, este trabalho que tenho feito para me fortalecer interiormente. Acho que é a única forma de saber levar as coisas da melhor maneira. Acho que acima de tudo é melhor saber que se vai envelhecer do que não estar cá.

- Qual é o seu maior medo? Tem algum?

- O meu maior medo é perder as pessoas de quem mais gosto. Isto é um medo constante. Além disso, confesso que tenho muito medo de enlouquecer.

- Porquê?

- Não sei. Mas como algumas pessoas na minha família tiveram algumas questões ligadas a problemas desses, penso muito nisso. Sei que sou uma pessoa frágil e que sou demasiado emotiva, o que muitas vezes me preocupa. Estes dois medos são mesmo perturbadores. De qualquer forma, tenho feito um trabalho no sentido de evoluir no que diz respeito à morte.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- O Brad Pitt.

- Quem é para si o homem mais sexy do Mundo?

- O Brad Pitt, claro.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Gosto muito do sexo oposto, mas não gosto quando são imaturos.

- Qual o seu maior vício?

- É estar sempre bem-humorada.

- Cidade preferida?

- Roma, porque é tudo para mim. Gosto da arte, da cor da cidade, das pessoas, da comida, da simpatia. Gosto mesmo de tudo.

- Um desejo?

- Quero que a minha filha nunca perca a sua bondade.

- Complete. A minha vida é...

- A minha vida é uma montanha russa. Como em tudo, há sempre momentos altos e momentos baixos.

PERFIL

Cristina Areia nasceu a 27 de fevereiro de 1966. Filha de Carlos Areia, começou muito cedo a gostar da representação. O teatro acabou por lhe abrir portas na televisão, área onde também fez vários projetos, como ‘Morangos Com Açúcar'. Atualmente, dá aulas de representação aos mais novos. Na vida pessoal, Cristina Areia dedica-se mais do que nunca à sua filha, Catarina, de dez anos.

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