Confissões
David Carreira: “Não me sinto um privilegiado”
Jovem apresenta-se como aspirante a actor
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06/08/2011 10H30
“A representação preenche-me. Encontrei algo que preenche o vazio que ficou quando deixei a bola”, refere
Foto: João Cortesão

David Carreira apresenta-se como aspirante a actor e revela que vai assinar contrato de exclusividade com a TVI. Educado para ser independente, conta que quando vivia em França passou por dificuldades e hoje dá valor ao que tem. Grande cozinheiro, confessa ser tímido e inseguro. É romântico mas não tem namorada.

- Tem contrato de exclusividade com a TVI?

- Tenho. Mas ainda não foi assinado. Fui convidado, aceitei e falta assinar o contrato.

- E é verdade que vai lançar um CD?

- [Risos] É surpresa. Só posso dizer que em Setembro vai estrear uma novidade.

- Uma novidade que vai ter a colaboração do Cifrão [músico Vítor Fonseca].

- Eu dou-me muito bem com o Cifrão e de certeza que vou continuar a trabalhar com ele.

- E o seu pai [Tony Carreira] ou o seu irmão [Mickael Carreira] também vão colaborar?

- Não. Vai ser uma surpresa. Não tem nada a ver com eles. Tem a ver com os meus gostos.

- Que música é que o David ouve?

- Ouço de tudo, desde reggae e hip hop à música romântica, ligeira. Só não gosto muito de hard rock.

- Mas gosta da música do seu pai?

- Gosto, e também gosto da música do meu irmão. É um género que acho que está pouco desenvolvido em Portugal. Em França, há muito mais.

- Foi em França que nasceu.

- Nasci lá e vim para Portugal com dez anos. Ainda tenho lá parte da minha família. O lado da minha mãe ainda vive em França. Avós, tias, primos... Vou lá com regularidade mas habituei-me a Portugal e, sempre que vou para fora, sinto umas saudades enormes. É impressionante.

- Mas quando os seus pais lhe disseram que vinham para Portugal...

- Eu não queria vir. Vim por causa do meu irmão, ele teimou que queria vir, eu acabei por vir também e habituei-me.

- O sucesso que fez nos ‘Morangos com Açúcar' surpreendeu-o?

- Eu nunca pensei que entrasse nos ‘Morangos' e que começasse nesta carreira.

- Carreira de actor?

- Eu ainda não me considero um actor. Sou um aspirante a actor que tem de trabalhar muito, tem de estudar muito.

- Diz que nunca pensou ser actor ou aspirante a actor mas já tinha sido convidado para os ‘Morangos' e recusou.

- É verdade. Eu tinha uns 15, 16 anos. Recusei porque queria acabar o 12º ano.

- É um jovem muito certinho?

- Sou, sou um bocado. Depende das coisas.

- Mas concluir o Secundário foi imposição dos pais?

- Um pouco. Eles aconselharam-me e eu aceitei o conselho. E acho que não perdi nada em recusar o primeiro convite.

- Mas não o esqueceu?

- Não esqueci, porque sempre gostei de cinema e de representação mas nunca me imaginei a trabalhar nesta área. Foi uma surpresa. Já tinha entrado e ainda não acreditava. Pensava que, se calhar, era melhor desistir.

- Tinha receio de não estar à altura?

- Sim, e de não ser naquilo que eu queria apostar.

- Mas agora quer fazer carreira na representação?

- Quero. Sem dúvida.

- Então e a moda, o curso de Gestão, o futebol?

- Eu gosto de muita coisa. Mas o futebol foi um sonho de criança. Tive várias lesões, azares, e acabou por não acontecer.

- Gosta muito do palco?

- Também. E os ‘Morangos' têm as vertentes todas, as gravações, os espectáculos ao vivo.

- E foram os ‘Morangos' que o fizeram crescer? Tiraram-lhe um pouco da timidez?

- Sem dúvida. Agora divirto-me.

- Porque já percebeu que o público gosta de si?

- Sim. Sinto isso e aprendi a lidar com a timidez. Sou um rapaz muito tímido e, portanto, há certas coisas que eu tenho de aprender.

- Mas, segundo as meninas, é a timidez que lhe dá encanto.

- É?! Não sei [risos]. Se calhar.

- Se pudesse voltar atrás, gostaria de ser jogador ou a representação preenche-o?

- A representação preenche-me. Acho que encontrei algo que preenche o vazio que ficou quando deixei a bola.

- Preenche o vazio interpretando outras vidas?

- Sim. Dá-me gozo. Representar, fazer algo que não sou eu, é excelente.

- E quando se vê? Gosta?

- Depende. Se está bem feito, fico contente. Mas acho que há sempre alguma coisa que podia ter melhorado. Nunca está perfeito. Eu sou assim.

- Um insatisfeito?

- Sim. Muito insatisfeito em tudo na vida. Há sempre qualquer coisa que falta. É um bocado mau, mas é assim.

- É muito exigente consigo?

- Sou, e também sou pouco seguro de mim mesmo. Há sempre qualquer coisa que não está bem. Mas é bom ser assim, desde que consiga gerir isso. Faz-me lutar e esforçar-me cada vez mais.

- Gosta de si?

- Acho que sim. Depende dos momentos.

- Desde que está nos ‘Morangos', não deixou de fazer nada?

- À praia já não vou, porque já tive alguns problemas. Já vi pessoas escondidas por baixo de toalhas a fotografarem-me.

- Sente a sua privacidade devassada? Ou já sentia por ser filho do Tony Carreira?

- Já sentia. Mas agora agravou-se um bocado por fazer o que faço. Há sempre uma atenção maior.

- Quando era miúdo, conseguia lidar com o sucesso do seu pai?

- O sucesso percebia-o, mas havia coisas que eu não percebia, como o assédio de certos media. E agora, durante os ‘Morangos', percebi como as mentiras...

- Notícias inventadas?

- Sim, coisas que eu ouvia lá em casa mas não percebia como podia ser constrangedor e magoar uma pessoa. Por exemplo: ‘Tony Carreira vai separar-se da mulher'. Eu sabia que eles não se iam separar mas não percebia porque é que aquilo era grave e magoava.

- Já lidou com isso?

- Já, e o meu pai teve de lidar muito mais. Só agora é que eu percebi como é difícil.

- E nessa altura quem é que o apoiou?

- Os meus pais. Mas é mesmo assim, há que saber lidar com isso, temos de nos proteger. Há pessoas a quem já não dou entrevistas.

- O David tem vícios?

- Bem, eu não fumo, não bebo, mas adoro relógios. E jogar futebol.

- Quantos relógios tem?

- Muitos. Não sei quantos, mas adoro. É o meu lado de jogador de futebol.

- E há alguma coisa que deteste?

- Odeio esperar. Odeio esperar para comer, por exemplo. Começo a ficar stressado.

- Sabe fazer tudo em casa?

- Sei. Sou um grande cozinheiro, sei fazer a cama, ainda hoje a fiz, e arrumo o quarto.

- Cresceu num meio privilegiado mas ensinaram-no a ser independente?

- Eu não me sinto um privilegiado porque, graças a Deus, consegui viver em França quando não tinha as possibilidades que tenho agora e acho que, com isso, consegui dar valor ao que tenho. Por isso, não me sinto a viver num meio privilegiado. Quando cheguei a Portugal, o meu pai começou a ter mais sucesso e eu comecei a ter uma vida mais facilitada, mas sabendo sempre que as coisas não são fáceis.

- Nunca se deixou deslumbrar?

- Não. A minha irmã já não sentiu essa mudança. Ela ainda tem 11 anos. Mas mesmo assim acho que os meus pais nos deram a todos uma educação muito boa e acho que também vai acontecer isso à minha irmã. Para dar valor às coisas.

- A sua irmã vê-o nos ‘Morangos'?

- Vê, e as amigas também. Às vezes ela até leva as amigas lá a casa para me conhecerem. Já aconteceu pedir-me um autógrafo para dar a uma amiga e eu não dei. Mas depois acabei por dar. Eu e a minha irmã andamo-nos sempre a ‘picar'. Já com o meu irmão era assim.

- E os seus pais, como é que reagiram quando lhes disse que tinha sido convidado para a série?

- Pedi-lhes opinião antes de aceitar e eles disseram-me para fazer o que eu gostava e achava ser o melhor para mim.

- E a namorada?

- Não tenho tempo para namorar e ninguém me quer.

- Mas em Fevereiro o David anunciou que tinha uma namorada.

- Já não tenho. Sou romântico mas estou solteiro. E sou um bom rapaz.

- Mas na altura parecia tão apaixonado?

- São coisas da vida.

- Encara os seus pais como o casal perfeito?

- Tenho a sorte de poder ter os meus pais como exemplo. E eu guio-me muito por isso, pelas coisas que eles me dizem e fazem. Pela forma como nos apoiam. E quando tiver filhos espero poder dar-lhes a educação que os meus pais me deram.

- E acha que ter crescido com um pai e um irmão artistas o influenciou?

- Claro. Era muito provável que viesse a ter uma carreira semelhante à do meu pai.

- Ser um Carreira motiva-o ou limita-o?

- Motiva-me. Dá-me vontade de me esforçar mais, acho que ser filho de quem sou acaba por ser bom em certos aspectos. Se eu quiser fazer uma carreira na música, tenho alguns conhecimentos. Mas se uma pessoa normal não fizer sucesso, tudo bem, agora se for eu... Vão sempre comparar-me com o meu pai. É natural, eu também faço isso. Mas espero poder fazer a diferença. 

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- O Al Pacino.

- Não consigo resistir a...

- Baguete. Adoro o pão francês acompanhado por charcutaria, ‘foie gras'... Eu adoro comer e como imenso.

- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No feitio, gostava de ser mais seguro de mim próprio. No corpo, as minhas orelhas. Não gosto, são tipo diabinho, não são redondinhas. Quando era miúdo, tinha vergonha.

- Sinto-me melhor quando...

- Volto da praia. Adoro a sensação de sair da praia e tomar um banhinho.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Eu adoro o sexo oposto. Não há nada de que eu não goste. Para mim é mel.

- Qual é o seu pequeno crime diário?

- Conduzo de forma incorrecta. Não posso dizer nada.

- O que seria capaz de fazer por amor?

- Tudo. Não sei, acho que por amor já fiz muita coisa. E acho que quando estamos apaixonados ficamos um bocadinho burrinhos.

- Complete. A minha vida é...

- ... um conto de fadas.

PERFIL

David Carreira nasceu em Dourdan, França, no dia 30 de Julho de 1991. Filho de Tony Carreira, veio viver para Portugal quando tinha dez anos. Sportinguista, jogava no Atlético Clube de Portugal e queria fazer do futebol a sua vida. Depois pensou seguir Gestão, mas quando completou o 12.º ano aceitou o convite para protagonizar a oitava série dos ‘Morangos com Açúcar'. Agora quer dedicar-se à representação.

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