Confissões
Diana, duquesa de Cadaval: “Mesmo sendo princesa sou moderna”
Diz que gosta que lhe chamem princesa
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23/02/2013 10H30
Foto: Duarte Roriz

Diana, duquesa de Cadaval, diz que gosta que lhe chamem princesa, título que ganhou através do casamento com Charles-Philippe d’Orléans. E garante que sempre teve os pés no chão. A escrita, confessa, tornou-se uma profissão, a segunda. Primeiro ainda está o Palácio Cadaval.

- É verdade que gosta que a tratem por princesa?

- Não se trata de gostar ou não. Quando estou a falar com um médico digo senhor doutor, quando estou numa reunião com um arquiteto digo senhor arquiteto, a um engenheiro, senhor engenheiro. Quando me tratam por princesa é uma questão de educação.

- Dá importância aos títulos?

- Cada um tem de ser chamado pelo nome ou pelo título que tem a nível profissional ou na sua vida privada. Eu acho que é uma questão de educação e respeito. Mas não é de todo obrigatório. Claro que na minha vida do dia a dia também me tratam por Diana.

- Não lhe agrada a moda de tratar as pessoas, independentemente do cargo ou da idade, pelo nome próprio?

- Eu sei que quando estou em reunião ou num almoço, talvez por causa da maneira como fui educada, digo senhor embaixador, não direi António. Mas se as pessoas acham mais fácil tratarmo-nos todos por Maria, Diana ou Ana, também não me choca. Mesmo sendo princesa sou uma mulher moderna, atual, vivo no século XXI, trabalho e assumo as minhas responsabilidades.

- A Diana ganhou o título de princesa pelo casamento?

- Exato. Com Charles-Philippe, príncipe d’Orléans, que faz parte da família real de França. Casámos e fiquei princesa.

- E foi também após o casamento que começou a desenvolver ações humanitárias?

- Sim. Mas eu e a minha irmã Alexandra fomos educadas no sistema americano. Desde muito jovens transmitiram-nos a sensibilidade de ajudar o próximo, de dar algumas horas do nosso tempo, de ser voluntária, ajudar em creches com crianças carenciadas...

- E isso obrigou-a a manter os pés no chão?

- Sim, a estar atenta ao que vai acontecendo à nossa volta. E este sistema é bom porque tudo se torna sistemático. Não pensamos, ‘ah, hoje vou duas horas ao infantário’, porque faz parte. Ou limpar a praia. A quantidade de vezes que viemos limpar a praia de Cascais... É uma coisa que fez sempre parte da nossa vida. E com o Charles-Philippe, que teve um formação militar, já estive na Etiópia, nos acampamentos de refugiados, que tinham a problemática da água, no Camboja, onde conseguimos abrir uma pequena clínica, modesta, para poder dar o apoio básico às crianças que são confrontadas com uma grande violência no seu dia a dia, na Sérvia, com os órfãos de guerra, e no Egito.

- Em termos emocionais…

- É uma coisa… Temos de encontrar em nós uma força. É como um militar. Vai, parte em missão e regressa. Não se pode ir com aquela ideologia que se pode mudar o Mundo. Vamos para resolver um pequeno problema.

- A Diana é pragmática?

- Muito. Sou superpragmática. Não sou nada de complicar. Então hoje em dia, em que vivemos a mil à hora, com SMS, e-mails, viagens… A pessoa tem de ser muito pragmática, senão não consegue. Perde-se.

- Mas emociona-se facilmente?

- Sim. Sinto as coisas e só escolho os projetos que mexem comigo, coisas em que acredito e acompanho até ao fim. Não deixo nada a meio do caminho. E em termos profissionais é o mesmo. Já no palácio Cadaval, eu gosto de acompanhar as coisas do início ao fim. Acho que é fundamental concentrarmo-nos no que fazemos.

- Mas só dá largas à emoção quando está acompanhada dos seus? Chora à frente de estranhos?

- É verdade que partilho as minhas emoções na intimidade. Mas há momentos em que nos emocionamos. Acho que é importante e porque não mostrar?!

- Não tem pudor?

- Tenho algum, mas não tenho receio das minhas emoções. Não desato a chorar porque vi uma criança sem uma perna. Mas claro que depois partilho.

- O seu marido é o príncipe com que sonhava?

- [Risos] Não estava à espera dessa pergunta. Acho que não tinha uma ideia da pessoa com quem me imaginava a casar. Mas é verdade que conheci o Charles-Philippe quando eu estava a trabalhar em Londres e ele em Paris e foi uma descoberta. Porque o Charles-Philippe, sendo francês, tem também um lado muito latino, viveu muitos anos em Espanha, por isso tem uma cultura muito próxima da nossa. E é uma pessoa com muita educação, muito carinhoso, um bom pai. Não posso dizer que é a pessoa que idealizei e procurei a minha vida inteira…

- Mas alguma coisa ele tem de diferente dos outros…

- Claro. Estamos muito felizes. Tenho muita sorte de ter um homem como o Charles-Philippe na minha vida.

- Partilham os mesmos valores?

- É verdade. Mas o Charles-Philippe é, sobretudo, uma pessoa com muito charme, muito engraçada, que adora divertir-se, que está bem-disposta de manhã à noite. E eu acho que no mundo em que vivemos, em que as coisas são difíceis, é um encanto ter uma pessoa bem-disposta logo de manhã e positiva. E mesmo quando é confrontado com problemas vai pensar numa solução.

- Mas a Diana diz que a sua filha, a Isabella, "é parecida com o pai mas tem o bom feitio, o sorriso e o charme da mãe".

- [Risos]. Digo isso porque quando a Isabella nasceu toda gente disse: ‘É igual ao pai’. Ela nasceu com cabelo escuro e olhos grandes e clarinhos, como continua, e então eu digo que ela fisicamente é muito parecida com o pai mas tem o charme da mãe. Ela tinha de ter alguma coisa minha.

- Ser mãe mudou-a?

- Mudou. Não há dúvida. Desde que sou mãe sou uma pessoa ainda mais despachada e sou muito organizada.

- Ganhou medos?

- Não. Talvez mais tarde quando ela crescer. A Isabella é a minha prioridade. E quando fomos votar – nas eleições francesas – estava lá o senhor embaixador que se virou para a Isabella e disse: ‘Prazer em conhecê-la. Bem-vinda a este mundo. A sua geração vai pagar a vida inteira as dívidas dos seus pais’. E é verdade.

- Mas a Diana é otimista?

- Sou. Se começo a pensar já em receios e outras coisas…

- A escrita era um hobby?

- A escrita é uma coisa de que eu sempre gostei.

- Sempre escreveu?

- Sempre, mas escrevia para mim.

- E escrevia o quê? Pensamentos, histórias?

- Quando era mais nova adorava inventar histórias. Escrevia e ia buscar revistas para fazer colagens, para fazer as ilustrações. Era muito criativa. Depois comecei a escrever todos os dias, como num diário. Ideias, histórias ou coisas que sentia. Até que aconteceu este convite da Esfera dos Livros [a editora] e devo dizer que no início hesitei. Uma coisa é escrever para nós, outra é escrever e publicar. São dois universos completamente diferentes. E eu pensei: ‘Eu adoro escrever, mas na vida as coisas não se fazem só porque adoramos". E então questionei-me durante uns tempos, mas também não hesitei muito.

- E vai lançar já o terceiro livro.

- É verdade. No primeiro tive muito receio, não da minha capacidade mas da reação das pessoas. Se ia haver leitores, se iam gostar...

- As pessoas às vezes são más?

- Exato. Receava a reação das pessoas. A ‘Maria Pia’ [‘Eu, Maria Pia’] foi o primeiro e eu não quis lançar-me muito em certos detalhes da sua vida, porque não me sentia tão à vontade. A ‘Maria Francisca’ [’Maria Francisca de Sabóia’] já foi ganhando mais terreno e aqui com a ‘Mafalda’ [’Mafalda de Saboia’], entrei pelo universo dela… Falo da violência, da sua vida mais íntima… Desta vez não há pudores.

- Porquê estas três mulheres?

- Maria Pia foi porque quando eu era pequenina visitava muito o Palácio da Ajuda e lembro-me de ter curiosidade em perceber melhor esta rainha, que não está assim tão longe do universo dos portugueses de hoje. Depois, comecei a adorar a Maria Francisca porque foi a única rainha que teve a coragem, ou a lata, de pedir a anulação do seu casamento com o rei. E naquela época, estávamos no século XVII, era uma coisa impensável e nunca mais se reproduziu na história de Portugal. E descobri que o seu homem de confiança foi o primeiro duque de Cadaval. Por fim, claro que fazia todo o sentido fechar o triângulo das três princesas de Saboia e escolhi a Mafalda.

- Escolhe mulheres fortes e irreverentes para a época.

- É verdade. Sobretudo com uma forte personalidade. Acho que na nossa história há já muitas obras bem feitas e detalhadas sobre as vidas dos reis e é verdade que as rainhas, por uma razão ou outra, estão mal exploradas.

- A escrita está a tornar-se uma profissão?

- Está. Começou por gosto mas ainda é a segunda profissão. Estou mais dedicada ao Palácio Cadaval.

- A Diana foi educada com valores e tradições, mas sempre lhe deram autonomia?

- Sempre. Não fui educada num sistema arcaico.

- A sua mãe [Claudine, duquesa de Cadaval] desfilou para as melhores casas europeias...

- E o meu pai [Jaime Álvares Pereira de Melo, o 10º duque de Cadaval], mesmo com uma idade avançada, era uma pessoa muito atual. Sempre acompanhou a minha educação. Era muito presente e deu-me o prazer e o gosto pelos livros. A mãe sempre foi muito dinâmica e inovadora. Sempre à frente do seu tempo. Foram os pais que tiveram a ideia de abrir ao público e dinamizar o Palácio Cadaval [em Évora].

- E a Diana gosta de moda, como a sua mãe?

- Eu cresci com a moda. Todos os grandes nomes, os famosas costureiros Givenchy, Saint Laurent, Valentino faziam parte da nossa vida e do nosso ambiente familiar. Givenchy foi ao nosso casamento, é um grande amigo. Eu gosto de moda, acompanho, mas não sigo à letra.

- Perde a cabeça por alguma coisa?

- Houve uma altura em que gostava imenso de sapatos. Mas agora estou a descobrir o universo das crianças e não resisto. Acho que há coisas tão queridas até nas lojas mais acessíveis.

- Escrevem-lhe a pedirem-lhe ajuda?

- Recebo muita correspondência. Pedem-me ajudas diversas. Hospitais, instituições... Tenho recebido também muitas cartas de pessoas, mas é difícil quando não se conhece. Para mim, é muito importante pôr um rosto a um nome. Mas respondo sempre com umas palavras amigas. 

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Adorava poder falar com D. Afonso Henriques.

- Quem é o homem mais sexy do Mundo?

- O meu marido, Charles-Philippe.

- O que não suporta no sexo oposto?

- A arrogância.

- Qual é o seu maior vício?

- Os livros.

- O filme da sua vida?

- ‘E Tudo o Vento Levou’.

- Cidade preferida?

- Évora.

- Um desejo?

- Ui. Não sei.

- Complete. A minha vida é…

- É o que é. Estou mesmo sem imaginação.

PERFIL

Diana Mariana Vitória Álvares Pereira de Melo nasceu em Genebra, Suíça, a 25 de julho de 1978 e aos nove anos veio morar para Portugal. Diana é a filha mais velha de Jaime Álvares Pereira de Melo, o 10.º duque de Cadaval, com a francesa Claudine Marguerite Marianne Tritz, pelo que herdou o título do pai, tornando-se Duquesa de Cadaval. Formada em Comunicação Internacional pela Universidade Americana de Paris, dirige as propriedades da família Cadaval.

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