Confissões
Diogo Carmona: "Vejo-me como ator e skater"
Com uma carreira de doze anos na área da representação, o ator mostra-se orgulhoso do seu percurso e fala da sua segunda paixão
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27/07/2014 16H38
Foto: Vítor Mota

Começou a carreira de ator muito cedo, com cinco anos. Pediu aos seus pais para seguir a área da representação ou foi uma escolha deles?

Foi uma coisa em que eu pensei desde muito cedo. Lembro-me de ter três anos e estar sempre a dizer à minha mãe que queria aparecer na televisão. A minha primeira personagem foi na primeira série dos ‘Morangos com Açúcar’, da TVI, com apenas cinco anos. Na creche também já fazia algumas peças de teatro.

Mais tarde voltou a participar na sétima edição da série ‘Morangos com Açúcar’. Sentiu uma grande diferença entre as séries?

Na primeira temporada tinha cinco anos, na sétima já tinha 12. Foi uma coisa completamente diferente, até porque já tinha alguma experiência na área. Já via as coisas de uma maneira completamente diferente.

Numa entrevista, revelou que a sua mãe ajudava-o a ler os textos quando tinha cinco anos. Lembra-se?

Lembro-me, claro. Quando comecei ainda nem tinha entrado para a primeira classe. Como ainda não sabia ler, a minha mãe lia-me os textos, eu decorava-os e depois repetia.

Então os seus pais sempre o apoiaram e incentivaram a seguir a carreira de ator...

Sempre me apoiaram. Desde o início. Cada vez mais os pais apoiam menos os filhos que seguem esta área e preferem que eles sigam outras carreiras. Os pais devem apoiar independentemente da escolha, desde que os filhos sejam felizes.

De todas as personagens que já interpretou, qual foi a que mais o marcou?

Nenhuma. Todas me marcaram de forma igual e foram todas importantes para mim enquanto ator.

Tornou-se mais conhecido do público português quando participou na série ‘Floribella’, na SIC. O que guarda desses tempos?

Quando soube que ia fazer parte desse projeto, ninguém sabia o sucesso e impacto que ia ganhar com o passar do tempo. Mas quando me apercebi de que era uma das séries da televisão portuguesa mais vistas fiquei muito feliz. Foi uma grande ajuda na minha carreira, mas não quero ser visto para sempre como a criança da ‘Floribella’.

Na novela ‘Dancin Days’, na SIC, interpretou o filho de um homem que descobre ser homossexual. Como é que se preparou para esse papel?

Quando me disseram fiquei muito surpreendido porque na altura da novela [2012] nunca se tinha abordado o tema da homossexualidade. A história de um miúdo cujo pai se separa da mãe porque se apaixona por um homem. Adorei interpretar esta personagem e o tema, mas claro que tive de ter uma preparação diferente para a personagem.

Nunca o abordaram com comentários menos agradáveis sobre a sua personagem?

As pessoas falavam comigo na rua mas nunca com um tom depreciativo. Elogiavam o meu trabalho.

Recentemente foi convidado para participar numa longa-metragem. Já se iniciaram as gravações?

Ainda não. Infelizmente não há dinheiro para avançar com o projeto e o realizador não consegue. Mas já participei numa curta-metragem.

Gostava de investir mais na área do cinema?

Claro. Dá mais trabalho, mas recompensa bastante a nível profissional. Mas não é um patamar que eu queira seguir. Quero ser apenas ator e não ser considerado um ‘ator de cinema’.

Das três áreas da representação – teatro, cinema e televisão –, qual a que prefere?

Teatro, porque para mim é a base da representação. O feedback que temos em televisão é sempre mais tardio, é mais filtrado. No teatro as pessoas estão à nossa frente, vemos logo as reações, é tudo ao vivo e a margem de erro é muito menor.

Este ano participou na série ‘Mulheres de Abril’, da RTP. Já alguma vez tinha desempenhado algum papel histórico?

Participei na série ‘O Regresso a Sizalinda’, também na RTP, e numa minissérie da RTP 2, ‘A República das Perguntas’, comemorativa do centenário da República Portuguesa.

Sente que tem uma maior responsabilidade por estar a desempenhar uma personagem numa época com importância na história portuguesa?

Principalmente nas ‘Mulheres de Abril’. O projeto em si foi espetacular, conheci novas pessoas de quem fiquei amigo, conheci a cidade do Porto, aonde nunca tinha ido. E, depois, o rigor das pessoas que trabalharam no projeto. Seguiram todos a linha temporal da história e isso foi engraçado de se ver. Todos nós, enquanto atores, quisemos desempenhar as personagens com muito rigor, por respeito à história que se estava a contar.

Este ano completa 12 anos na área da representação. Qual é o balanço que faz?

Não vejo como 12 anos de carreira porque sinto que estou sempre a aprender. Não interpreto o passado, mas sim o futuro. Acho que não posso pensar que já aprendi tudo, porque sei que ainda vou aprender muitas coisas. Estou mais curioso por aquilo que ainda vou aprender.

Costuma apostar na sua formação profissional com cursos ou aulas particulares?

Fiz alguns cursos quando era mais novo, mas ultimamente não tenho tido tempo. Estou a pensar voltar a investir na minha formação.

E gostaria de fazer algum curso no estrangeiro? Em algum país específico?

Em Londres, na Inglaterra, não, porque eles investem muito nos musicais e eu não gosto nem sei cantar. Gostava de ir para Los Angeles, EUA, ou para o Brasil.

Como concilia os estudos com a parte profissional?

Estou habituado desde pequeno porque já era uma coisa que fazia ainda antes de entrar para a escola. Tenho menos tempo, mas quem corre por gosto não cansa.

E pretende apostar nalgum curso superior?

Quero entrar para a Escola Profissional de Teatro de Cascais. É uma coisa que quero fazer há muito tempo e também serve para tirar o secundário. Depois, acredito naquilo que o futuro me trará.

Mas nunca pensou numa opção B?

Não. Não me quero desviar da minha carreira de ator.

Os seus professores são compreensivos com a sua profissão ou exigem mais de si enquanto aluno?

Mais ou menos. Os professores não compreendiam se eu faltasse. Se for outro aluno, que diga que foi ao médico, tudo bem. Se eu disser o mesmo, não acreditam e acham que fui gravar. Eles não compreendem essa parte. Mas isso também tem mais a ver com o Ministério da Educação, que não funciona bem com a área da arte. Se for um desportista, fica federado, pode faltar e não lhe acontece nada. Também nunca faltei muito, mas sempre senti que não tinha muito apoio.

Com apenas 17 anos, já sente essa falta de apoio aos artistas?

Sinto há muito tempo. O Estado não aposta na arte desde o momento em que não há um Ministério da Cultura. Acho que a arte em Portugal está muito mal.

Se ficasse sem trabalho em Portugal, ponderaria emigrar?

Claro, mas dependia do sítio. Se soubesse que ia ter condições e que ia ter trabalho, acho que sim.

E trabalhar noutra área sem ser televisão?

Acho que não. Ia lutar até ao final e, mesmo que não fosse como ator, iria procurar trabalho como encenador. Tinha de estar sempre relacionado com a representação.

Também costuma praticar skate e inclusive já participou em alguns campeonatos.

É a outra grande vertente da minha vida. Agora tem-se tornado uma coisa mais séria, porque tenho ido a campeonatos. É a minha escapatória. Tenho os meus amigos todos a praticar skate, não me veem como um rapaz famoso e tratam-me de igual forma. Mas é um desporto que não é muito valorizado em Portugal.

Mas como é que começou a paixão por esta modalidade?

Foi na escola. Vi uns miúdos a andar, pedi à minha mãe para me comprar um skate e comecei a aprender aos poucos.

Era capaz de deixar de ser ator para ser skater?

Nem uma coisa nem outra. Não vejo isso como um ‘ou’. Vejo-me como ator e skater. Enquanto conseguir, vou tentar conciliar as minhas duas paixões.

Quem é o seu maior ídolo?

Não tenho. Não olho para ninguém e digo que quero ser assim. Claro que gosto do trabalho do Ruy de Carvalho ou do Armando Cortez, mas não vejo como exemplos a seguir a nível pessoal, apenas admiro o seu trabalho.

Como lida com a fama?

Não lido muito. Tenho algumas fãs, mas não reajo de maneira diferente. Fico agradecido, mas não ignoro. Não sou obcecado com aquilo que os outros pensam de mim.

Costuma procurar a opinião dos seus pais em relação ao seu trabalho?

A minha mãe dá-me sempre a opinião dela e oiço sempre o que é que ela tem a dizer. É uma grande ajuda para mim.

Considera-se uma pessoa vaidosa?

Não gosto de andar na rua e que as pessoas reparem em mim. Prefiro ser discreto do que fazer uma grande festa. Se calhar sou um bocado vaidoso com a roupa, mas só isso.

E costuma praticar desporto?

Só pratico skate. Todo o meu tempo livre aproveito para treinar para os campeonatos de skate.

Tem algum projeto para breve?

Por enquanto ainda não tenho nada planeado. Vou andar muito de skate, aproveitar o verão ao máximo e ver se consigo ir de férias para o Algarve, nem que seja um fim de semana.

INTIMIDADES

Quem convidaria para um jantar a dois?

Convidaria a Mariana Monteiro (atriz).

Quem é a mulher mais sexy do Mundo?

A Mariana Monteiro.

O que não suporta no sexo oposto?

A rivalidade que por vezes as mulheres criam com o homem.

Qual é o seu maior vício?

Andar de skate.

O filme da sua vida?

‘Cinema Paraíso’.

Cidade preferida?

Los Angeles, EUA.

Um desejo?

Ir passar férias às Caraíbas.

Complete. A minha vida é…

feliz.

PERFIL

Tem 17 anos e é um ator português. Iniciou a sua carreira na série juvenil ‘Morangos com Açúcar’, TVI, com apenas cinco anos. Tornou-se conhecido quando desempenhou o papel de Tomás em ‘Floribella’, na SIC.

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OPINIÃO
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