Confissões
Lourenço Ortigão: “Aprendi a não me exaltar com facilidade"
Actor assustou-se quando se viu apaixonado por uma colega
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18/08/2012 10H30
Foto: Pedro Catarino

A estudar Gestão, Lourenço Ortigão fez-se actor por acaso e com o apoio dos pais, que vê como referências. Diz gostar de cantar, de comer e cozinhar e confessa que se assustou quando se viu apaixonado por uma colega.

- O Lourenço fala muito dos pais. É um ‘menino dos papás’?

- Não. Simplesmente considero os meus pais e os meus irmãos [dois, mais velhos] os meus melhores amigos. E temos uma relação quase de irmãos mais velhos para irmãos mais novos. Eu sou bastante independente, mas ligo muito à família. Dou muito valor ao facto de jantarmos juntos, de lhes contar as coisas e pedir-lhes conselhos, porque olho para eles como um exemplo.

- Vê os seus pais como companheiros?

- Exactamente. Como pessoas que estão ao meu lado, como referências.

- E, apesar de ser independente financeiramente, continua a sentir-se bem em casa deles?

- Sinto, mas é previsível que saia de lá em breve. Apesar de não sentir essa pressão. Se vir um bom negócio, compro uma casa. Quero ter o meu património. O que não pretendo e acho que não se justifica é gastar dinheiro a arrendar uma casa.

- Foi difícil contar aos seus pais que tinha ido a um casting dos ‘Morangos com Açúcar’?

- Eu não lhes contei que tinha ido ao casting. Foi a mudança mais drástica da minha vida, a decisão mais importante que tomei. Só quando fui aceite é que lhes pedi um conselho. E a primeira coisa que me disseram foi: "Não faças isso." Mas vinte segundos depois já estavam a dizer: "Realmente, acho que é uma boa oportunidade para ti. Desde que..."

- "...não te deslumbres e não descures os estudos." Foi isso que lhe disseram?

- Foi. Para manter os estudos e o grupo de amigos que sempre tive.

- E agora, que vive da representação, o que é feito do curso de Gestão?

- Mantém-se. Continuo a pagar as propinas e consegui fazer umas cadeiras quando estive três meses parado. Neste momento, estou a trabalhar e não tenho tido tempo. Mas, de qualquer maneira, mantenho ali aquela despesa, que acho ser importante. Não congelo matrículas. Acho que é importante manter este encargo, porque é isso que vai fazer com que continue a ter motivação para acabar o curso.

- Mas porquê Gestão?

- Sempre fui muito bom com números. E a verdade é que fomos os três [Lourenço e os irmãos] para Gestão. Não sei se vou exercer o curso como consultor ou auditor, mas tenho quase a certeza de que mais tarde irei ter o meu negócio, nem que seja na restauração.

- Um restaurante porque gosta de cozinhar? Ou de comer?

- Adoro comer e adoro cozinhar. Tenho gosto, faço questão de cozinhar. Adoro ir a um bom restaurante e ver se o risotto tem manteiga a mais ou se deviam ter posto menos vinho branco. Ou se o arroz está passado demais...

- Aprendeu a cozinhar com quem?

- Comigo, apesar de a minha mãe cozinhar lindamente, muito a olho, por instinto. E eu também sou assim. Fui inventando, procurava uma receita aqui, outra ali… O que cozinho é um bocadinho por instinto, inventado. Nunca faço dois pratos iguais.

- E qual é o prato que lhe sai melhor?

- Risotto.

- E o pior?

- Boa pergunta [risos]. Eu não arrisco nas coisas que não sei fazer, que não me dão gosto. Por exemplo, eu tenho um defeito, não como saladas, portanto não me aventuro a temperar uma porque não tenho gosto.

- É humilde?

- Acho que sim. Não gosto muito de falar sobre mim, mas não vivo deslumbrado. Sinto-me exactamente a mesma pessoa, com umas precauções diferentes. Na rua somos abordados, mas de resto sinto-me a mesma pessoa. Encaro isto como uma profissão como outra em que somos reconhecidos na rua, tal como um jogador de futebol, que é reconhecido mas do que ele gosta mesmo é de jogar à bola. E eu gosto é de representar. Entrei neste mundo um bocadinho de pára-quedas, mas depois continuei porque gosto. Adoro as personagens que me têm dado.

- Mas tem o sonho de fazer teatro?

- Sim, porque as únicas experiências que tive deram-me um gozo fantástico. Foi um teatro-concerto dos ‘Morangos’. Ver o publico à nossa frente a puxar por nós, a reagir… É uma sensação que não tem explicação termos quatro mil pessoas à nossa frente. Somos avaliados ali, não há repetição, não há edição, não cortam e dizem para falarmos mais alto. As coisas nesse sentido não têm surgido, mas vão surgir em breve, se Deus quiser.

- Os ‘Morangos’ deram-lhe fama e isso mudou-o em quê?

- Não me mudou a personalidade. Mudou, se calhar, a minha maneira de estar em público. Não posso rir tão alto, tenho de ter mais cuidado com a imagem. Fez-me crescer muito.

- Não lhe faz impressão que as pessoas que não conhece se aproximem de si?

- Não. Acho que é bom as pessoas poderem dar-nos um feedback do nosso trabalho. É muito bom as pessoas reconhecerem-me e darem-me os parabéns. E eu sou péssimo a decorar caras. Desde sempre vêm ter comigo – "Olha, estás bom?!" – e eu não sei quem são. Sempre fui muito sociável e sempre tive muitos conhecidos, poucos amigos mas muitos conhecidos. Mas sempre lidei bem com isso.

- Mas o reconhecimento não o levou a resguardar-se mais?

- Fui obrigado a isso por causa do horário, por ter um ritmo de trabalho alucinante. Nos ‘Morangos’, só tinha o domingo livre. E aproveitava para ir à missa e depois ir para casa descansar.

- É católico?

- Sou, e praticante. Vou à missa aos domingos. Tenho a fé de um cristão, mas já não rezo o terço todos os dias… E sabe, nunca vou para sítios com muitas pessoas. Tenho cuidado quando vou a festivais, até porque sou um bocadinho claustrofóbico. Não gosto de ver muitas pessoas juntas. Gosto de poder esticar os braços em qualquer lado.

- O Lourenço diz que gosta de arte, mas ficou-se pela representação...

- Para já. Também gosto muito de cantar, mas não é um ramo no qual vá apostar, até porque não tenho voz para isso.

- Canta no banho?

- No banho, em casa e com os amigos. Gosto de cantar. Já houve algumas propostas, mas tenho de respeitar quem canta. Eu respeito muito os espaços, os ramos…

- Tem receio de falhar?

- Eu não vivo obcecado com isso. Acho que falhar faz parte. Para acertar cinco vezes, tem de se falhar duas. Acho que o insucesso faz parte do sucesso. De qualquer maneira, sempre tive mais vitórias do que derrotas. Gosto de tocar guitarra, mas para as pessoas que me são próximas, não em público.

- Vejo que ficou surpreendido com o gosto que sentiu, e sente, pela representação...

- É verdade. Eu vivi os ‘Morangos’ como uma experiência. Pensava que não era aquilo que ia mudar a minha vida. Mas, depois, as coisas correram bem e, quando me foi proposto um contrato, tomei a decisão de que queria continuar, de que era realmente aquilo que eu queria.

- Gosta de desportos radicais.

- Gosto, apesar de ter jogado golfe durante muito tempo. É um desporto que me ajudou a lidar com os problemas, que me fez crescer, deixar de ser impulsivo. Aprendi a controlar as minhas emoções com a estratégia de jogo. Agora estou uma pessoa mais calma, mais ponderada.

- Aprendeu a racionalizar as emoções?

- Aprendi a não me exaltar com facilidade. Se surge um problema grave, sou o último a perder o controlo.

- E não gosta do que é previsível. Corresponder às expectativas é desinteressante?

- [Risos] Acho que sim. Eu gosto da surpresa, acho engraçado alguém surpreender-nos. Mesmo pela negativa, porque nós não temos padrões de comportamento, não temos de corresponder sempre às expectativas.

- Não gosta da rotina?

- Eu gosto de experimentar coisas novas. Acho que a monotonia cansa.

- O Benfica é uma ‘doença’?

- É uma paixão muito grande que tenho.

- Põe-no fora de si?

- Sim, mas não no dia-a-dia. Sou incapaz de prejudicar o meu trabalho por causa de uma derrota do Benfica. Mas sou capaz de levar um cachecol quando o Benfica ganha.

- E quando vê um jogo extravasa?

- Quando posso fazê-lo. Dá-me gozo estar com os meus amigos a ver os jogos.

- E a Sara Matos é uma paixão?

- É, é.

- É fácil namorar com uma pessoa do mesmo meio?

- Com a Sara, é. Ajudamo-nos e complementamo-nos, apesar de sermos completamente diferentes.

- Assustou-se quando se viu apaixonado por uma colega?

- Assustei-me. Eu estava há poucos meses neste meio e não pensava ficar. E sendo a Sara uma pessoa tão diferente de mim… Mas gosto de viver as experiências e de me atirar de cabeça. Às vezes vou contra a parede, às vezes não. Mas neste caso tudo era novo. A Sara era tão diferente das pessoas com quem me dava, tão diferente de mim, tão focada e tão boa nesta área...

- E como é trabalhar com uma pessoa que se conhece tão bem?

- Somos muito profissionais. Já aprendemos a lidar com isso e a separar as águas. E a Sara é minha amiga. No trabalho vemo-nos muito como amigos.

- Os dois participam em ‘Morangos com Açúcar - o filme’. Na sua carreira, este filme representa o fim de um capítulo?

- Talvez. Acho que sim, que pode representar.

- E agora está a gravar a telenovela ‘Lua de Papel’ [prevista para a rentrée da TVI].

- E estou muito entusiasmado. É uma novela que tem uns textos excelentes da Maria João Mira. Saio dos ensaios a rir, mas ainda não estou muito seguro no personagem. E mais não posso dizer.

- Fica retraído com as mudanças visuais a que os personagens obrigam?

- Não, estou habituado a fazê-las.

- Para se despedir dos personagens?

- Sim. Ajuda-me. Não é por acaso que eu prefiro mudar de visual quando termino uma novela.

- E não se perde nessas mudanças?

- Não. Eu tento ser sempre diferente dos personagem. Eu gosto de mudar quando ouço a palavra ‘acção’.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Robert De Niro.

- Quem é para si a mulher mais sexy?

- Olivia Wilde, a mais gira.

- O que é que não suporta no sexo oposto?

- O cinismo.

- Qual é o seu maior vício?

- Comer gelo. É verdade.

- Qual o último livro que leu?

- ‘A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo’, da trilogia de Stieg Larsson.

- O filme da sua vida?

- ‘The Pursuit of Happyness’ [À procura da felicidade].

- Cidade preferida?

- Chiang Mai, na Tailândia.

- Um desejo?

- Ser feliz.

- Complete. A minha vida é...

- Um caminho a percorrer.

PERFIL

Lourenço Ortigão nasceu no dia 9 de Agosto de 1989. Estudante de Gestão no ISEG, em Lisboa, acompanhou um amigo ao casting dos ‘Morangos com Açúcar’ e foi seleccionado. Na série, interpretou Rui Oliveira e conheceu a namorada, Sara Matos, com quem vai contracenar em ‘Lua de Papel’, na TVI, canal ao qual está vinculado. Lourenço é também o Miguel de ‘Remédio Santo’.

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