Confissões
Mickael Carreira: “Tenho medo de que tudo isto acabe”
Cantor é supersticioso e conta que tem um amuleto oferecido pelos pais
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05/05/2012 10H30
Foto: Mariline Alves

Poupado, Mickael Carreira adora guitarras e diz que sempre que entra num local tem de ser com o pé direito. Supersticioso, conta que tem um amuleto, oferecido pelos pais, que lhe dá tranquilidade.

- 'Viver a vida’, o nome do seu novo álbum, reflecte o que sente?

- A 100%. Acho que só tenho motivos para sorrir e ser feliz. Faço o que mais gosto, felizmente as coisas têm corrido bem, espero que seja o caso deste trabalho, e tenho uma família e uns amigos fantásticos.

- Mas todas as suas músicas falam de amor sofrido…

- Eu sou um rapaz que sofre muito de amor [risos]. Falo sempre do amor porque é do que gosto. Se fingisse, as pessoas sentiam.

- É o que gosta ou é o que vende?

- É o que gosto. Acho que isso é muito importante. Eu não sigo modas, se seguisse gravava, se calhar, pop. O que eu gosto é de música romântica e tento fazê-la da melhor forma. Se fingisse, as pessoas sentiam. Nos bons e nos maus momentos temos de tirar o lado positivo de tudo, que é aquilo que eu tento fazer. Confesso que antigamente não o fazia. Quando recebia um não ou as coisas corriam mal, ficava logo deprimido.

- Era um miúdo mimado?

- Sim, posso dizer que era. Era muito mimado pelas pessoas que me são mais próximas. Agora não. Acho que estou diferente. Acho que tem a ver com a idade, os meus 26 anos, feitos há pouco tempo, e o facto de ter conhecido pessoas novas a nível profissional com este trabalho, ajudou-me muito. Cresci muito como cantor.

- Fala dos produtores [Rudy Pérez e Julio Reyes Copello] do seu novo disco que trabalham com estrelas como Beyoncé?

- Sim. No primeiro dia de gravações eu estava a tremer. Entrei no estúdio onde grava o Lenny Kravitz e foi impressionante. Quando comecei a gravar pensei: "Já não sei cantar". Era muita pressão. Mas o Rudy pôs-me logo à vontade.

- Cá é uma estrela, lá fora…

- Ninguém me conhece. É bom, de vez em quando, vermos que o mundo não gira à nossa volta.

- Porque é que escolheu Carreira, o nome artístico do seu pai [Tony Carreira]?

- Quando comecei estava na dúvida, pensei que me podiam acusar de ir pelo caminho mais fácil, de pôr o apelido, mas depois achei que passadas umas semanas as pessoas iam saber quem eu sou e pensei que não valia a pena esconder. Assumi com muito orgulho e não me arrependo.

- É supersticioso?

- Um bocadinho. Quando entro num sítio tenho de entrar sempre com o pé direito, se entro com o esquerdo está tudo mal.

- Tem algum amuleto?

- Tenho desde o princípio da minha carreira. Foram os meus pais que me ofereceram e tenho-o sempre comigo, guardado.

- É um fio?

- É. Quando viajo está sempre na minha mala. Não o uso sempre, mas está sempre por perto. Saber que está por perto faz-me sentir tranquilo.

- É religioso?

- Sou. O meu avô, se calhar, gostaria que eu fosse mais vezes à igreja. Tenho a minha fé, à minha maneira.

- Desabafa com Ele?

- Sim. Eu gosto de rezar. Acho é que, por vezes, só protestamos quando algo está mal e isso é um erro. Eu gosto de agradecer. Gosto de ir a Fátima, faço questão de ir pelo menos uma vez por ano. Acho que isso é bom. Aprendi isso com o tempo. Antigamente, rezava só quando precisava de alguma coisa, ou quando estava mal. De vez em quando é bom agradecer.

- Também tem tido sorte.

- Tenho tido sorte e gosto de agradecer por isso, mas há quem tenha sorte e não o faça. E quando apresentei o meu primeiro trabalho à primeira editora, disseram--me simplesmente: "Muda de profissão. O teu pai canta bem, mas tu não cantas nada." Levei alguns nãos. E houve momentos em que também duvidei.

- Quando era pequeno queria ser astronauta?

- Astronauta, Indiana Jones, muita coisa…

- Um super-herói?

- Exactamente.

- Nunca quis ser nada além de músico?

- Não. Estudei, acho que isso foi muito importante. Os meus pais sempre fizeram questão que eu continuasse os estudos, mas tinha cá dentro uma coisa que era mais forte do que eu, ser músico. Eu ia às aulas porque tinha de ir. Mas foi muito importante e houve uma altura em que tive de escolher, a música ou os estudos.

- Depois de concluir o 12º ano?

- Sim. Comecei a gravar. E a partir daí foi uma explosão e não consegui parar. O facto de ter um músico em casa ajudou a despertar esta paixão. Quando entro em palco… É o que mais gosto, cantar em palco.

- Sempre quis cantar?

- Sempre. Entrei no Conservatório e comecei por tocar piano, mal. Depois comecei a ter aulas de guitarra e toco bem. E isso ajudou-me, sobretudo para compor.

- Escreve a qualquer hora?

- À noite, a partir das 23 horas até às 6 da manhã.

- E escreve sozinho? No silêncio?

- Sim. Gosto de estar sozinho em casa quando estou a escrever. Eu gosto de ter amigos em casa, mas nestes momentos não.

- Já rasgou coisas que escreveu?

- Já rasguei, eram autênticas bostas. Mas agora já não rasgo, porque escrevo no computador.

- Diz que é "solteiro e bom rapaz". O que é ser um bom rapaz?

- Não sei responder a essa pergunta. O que é ser um bom rapaz?! É respeitar os outros. Para me respeitarem tenho de respeitar os outros. É muito importante, sobretudo para as pessoas que trabalham comigo. Não posso obter o respeito pelo chicote, só porque sou patrão.

- E jeito para a cozinha, tem?

- Ui. Faço uma lasanha muito boa. Toda caseira. Eu não cozinho muito, sou uma lástima a cozinhar.

- E como é que se alimenta?

- Gosto de ir a um restaurante e a casa dos meus pais. Vou lá muito.

- Tem medos?

- Tenho medo de que tudo isto acabe. Tudo isto é efémero. Hoje está tudo bem, amanhã não sei. Tenho medo de perder as pessoas que me são mais próximas.

- O medo de perder o sucesso faz de si uma pessoa cautelosa?

- Em algumas coisas. Na parte criativa não, faço questão de que isso não aconteça, quando faço o alinhamento do concerto, quando preparo um novo trabalho. Mas acho que temos de aproveitar. Aproveitar cada dia, porque amanhã não sabemos.

- Trabalha mais do que gostaria?

- Não. Eu gosto de trabalhar. Faço questão de acompanhar tudo. Não consigo viver sem a música. Apercebi-me disso há pouco tempo, nesta paragem que fiz.

- E se a música não lhe trouxesse retorno financeiro?

- O mais importante é fazermos o que gostamos. Corra bem ou mal. Se correr bem é melhor, obviamente.

- Tem hóbis?

- Tenho. Gosto de ir ao cinema, à praia, estar com amigos.

- E fazer alguma coisa além da música?

- Não. Eu não faço mais nada. Já me fizeram convites para representar, ponderei mas acho que não tenho jeito. Deixo isso com o David [irmão].

- Tinha receio de desiludir?

- Não gosto de fazer as coisas mal.

- É muito exigente?

- Sou, demasiado às vezes. Comigo e com as pessoas com quem trabalho. Os meus pais sempre me disseram: "Quando te empenhas numa coisa tem de ser a 100%, tem de ser bem feito."

- O sucesso roubou-lhe a juventude?

- Confesso que tinha 20 anos e a minha primeira tournée foram 70 datas [concertos]. Foi logo um boom. Não tive Verão e ainda hoje não consigo tirar muitos dias. Mas também não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Quando estou a trabalhar, trabalho, e quando estou a curtir, curto. Não misturo os dois.

- E gosta de passar férias onde?

- Em Portugal. Eu não gosto de sair de cá. Muito poucas vezes fui para fora, quando vou é para trabalhar. Gosto muito do Algarve para passar férias.

- Nasceu em França, mas só tem nacionalidade portuguesa.

- Foi uma escolha minha. A minha mãe pediu-me para escolher, se queria dupla nacionalidade. Eu disse que não. Quero ser ‘tuga’. Escolhi ser só português.

- Porquê?

- Foi na transição para Portugal. Tinha 15 anos e mudámos para cá porque o meu pai estava farto de estar longe de nós. Eu fiz muita força para que isso acontecesse. Custa muito estar longe do pai. Mas acho que isso fez de mim uma pessoa mais forte. Eu gostava muito de vir cá de férias, gostava muito de Portugal, e não me arrependo. Não sei se foi uma boa opção, mas foi a minha.

- A sua mãe é a sua confidente?

- É. E é uma grande lutadora. Ela ajuda-me muito. É o nosso pilar, digo isso muitas vezes. E somos todos muito unidos. O David, no outro dia, teve uma atitude que me tocou muito: antes de entrar em palco para tocar veio ter comigo e deu-me um beijo.

- Gostava de ter carreira internacional?

- Sim. Mas neste momento a minha carreira é em Portugal.

- E se o obrigassem a cantar em inglês?

- O meu inglês é mau, tipo russo. Em espanhol acho que podia ser giro.

- E filhos? Gostava de ser pai?

- Daqui a dez anos gostava. Mas gostava de estar presente.

- Ter disponibilidade para os criar?

- Exactamente. Estar ao lado deles. Ter tempo para eles. Mas nos próximos cinco anos não está nos meus planos.

- Poupa dinheiro?

- Eu junto dinheiro. Acho que a postura, cada vez mais, tem de ser essa.

- Não há nada que o faça perder a cabeça?

- Guitarras. Adoro guitarras. É das melhores prendas que me podem oferecer. Mas boa, boa, só tenho uma. l

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Jennifer Lopez. Adoro quarentonas [risos].

- Quem é para si a mulher mais sexy?

- Jennifer Lopez.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Eu gosto de tudo nas mulheres. Acho que as mulheres são muito mais inteligentes do que nós. Conseguem dar a volta aos homens. Eu gosto que me dêem a volta, não é fácil, mas conseguem.

- Qual é o seu maior vício?

- Gomas. Adoro gomas.

- Qual foi o último livro que leu?

- ‘The Secret’ [‘O Segredo’, de Rhonda Byrne].

- O filme da sua vida?

- ‘Titanic’. É muito lamechas, mas adorei.

- Cidade?

- Lisboa.

- Um desejo.

- Ter cada vez mais. Conquistar cada vez mais.

PERFIL

Mickael Antunes, conhecido como Mickael Carreira, nasceu em Dourdan, França, no dia 3 de Abril de 1986. Filho de Tony Carreira, veio para Portugal com 15 anos , onde concluiu o liceu e, aos 20 anos, lançou-se na música com o seu primeiro álbum, ‘Mickael’. O romantismo das canções levou-o ao top dos artistas mais vendidos, onde se tem mantido nos últimos seis anos.

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