Confissões
Miguel Costa: “O meu ofício é o meu amor”
Uma licenciatura em Economia fez o ator perceber que a representação era a sua vida.
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07/09/2013 10H45
Foto: Rita Montenegro

As gravações já terminaram, mas a novela ‘Dancin’Days’ [SIC] continua no ar. Como correu este projeto?

Foi um brinde. Tenho tido um feedback muito positivo pela novela em geral e pelo ‘Ivo’ em particular. Toda a gente me pede massagens. Eu acho que se tivesse aberto uma casa de massagens era milionário. Ganhava mais do que como ator, mas acho que ninguém merece ser massajado por mim.

E a sua mulher, Joana, pede-lhe massagens?

Pede e gosta, mas não é nada de especial. Foi um projeto fantástico, com uma equipa fantástica, numa casa em que eu tenho sido muito bem tratado, que é a SP Televisão, e na SIC também. Foi boa esta parceria com a Globo [estação brasileira], na primeira vez que trabalhei com eles. Nunca vou esquecer esta novela.

Como vê a liderança nas audiências?

O ‘Dancin’Days’ não deu hipótese. Há expectativas do canal em relação às audiências, mas a nossa preocupação é fazer o trabalho bem feito todos os dias. Se as audiências existem, eu acredito que é por causa do nosso trabalho enquanto equipa, que passa para o outro lado.

O que acha que poderá ter mudado com esta novela?

Há alguns anos que a SP [produtora] já trabalha para dar saltos em frente em qualidade. A SIC apostou bem na ficção, e depois vem a experiência da Globo, que fala por si. Para nós, também dá aquele misto de responsabilidade e exigência. A exigência tem de existir sempre para não nos acomodarmos. Eu senti isso sempre.

Seria capaz de ir para o estrangeiro fazer uma novela?

Porque não? O trabalho do ator permite isso, é universal. É claro que gostava, acho que todos nós gostaríamos. Agora, nunca desistiria do meu país, das pessoas que me acarinham todos os dias.

E já está a ensaiar uma peça de teatro?

O João Mota, que é o meu mestre e um grande amigo, ligou a convidar-me para um espetáculo no Teatro Nacional. Fiquei muito contente, é uma comédia, ‘O Aldrabão’, com um elenco em que me sinto minúsculo: Virgílio Castelo, Rui Mendes, Carlos Vieira de Almeida, João Ricardo, Fernando Gomes, Rui Neto e Miguel Raposo. O espírito é o melhor, existe uma partilha constante de experiências. Acho que me compete aprender e dar o máximo para não deixar mal os meus colegas.

Prepara-se também para regressar às novelas?

Estou a gravar ‘Os Nossos Dias’ [RTP]. Foi um convite que surgiu há pouco tempo. Entrei para o núcleo cómico. Estou feliz porque ainda agora falo com amigos, colegas de um valor inegável, que estão sem trabalho há muito tempo. Sinto--me um privilegiado perante este cenário e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade de corresponder e aproveitar o melhor possível, porque infelizmente as oportunidades escasseiam.

Quando começou a trabalhar como ator, tinha consciência de que não é uma vida fácil. Isso não o fez mudar de ideias?

Eu não posso é parar. Quero batalhar, sinto-me com forças para isso. Não tenho estado parado. Mas é obvio que me preocupo por antecedência a pensar no que vem a seguir.

Essa preocupação aumentou com o nascimento da sua filha, Luísa, há cerca de um ano?

Claro. Muda tudo. Agora é tudo para ela, e eu não quero que lhe falte nada, e à minha mulher também.

Fica preocupado com o futuro da sua filha tendo a vida que tem, que é gerida pela inconstância?

Muito. Acho que é universal a todos os pais, independentemente da fase da história que estamos a atravessar. Acima de tudo, quero que ela seja feliz, uma pessoa realizada, saudável e que goste da vida que tem e das pessoas à sua volta.

Como pessoa, mudou quando foi pai?

Não há sensação, emoção, sentimento que chegue aos calcanhares do sentimento de ter um filho. Pelo menos para mim. Nunca nada chegou perto. Obviamente que me transformou, o foco sai mais de mim para ela, o meu centro já não sou muitas vezes eu, mas ela. Tudo o resto é relativo. Acho que me tornou uma pessoa mais organizada, mais capaz. A paternidade traz isso.

Ela ainda tem apenas um ano, mas gostaria que ela seguisse as suas pisadas?

Não faço questão. Quero que ela siga aquilo que a realize, eu tenho esse privilégio, de fazer o que amo, o meu ofício é o meu amor.

Os seus pais também o apoiaram quando decidiu ser ator e não seguir a Economia, que estava a estudar?

Os meus pais apoiaram-me. Eu tenho a licenciatura de Economia, sim, porque não sabia o que queria fazer na vida. Gostava era de estar com os meus amigos, fazer desporto. Felizmente, nunca tive más notas, mas não era um grande estudante. Sempre fui um bocadinho irreverente. E deixei-me arrastar porque as minhas notas deram para entrar em Economia.

Entrou em Economia porque tinha de fazer qualquer coisa?

Sim, estava um pouco perdido e acabei por ir atrás dos meus amigos e, se calhar, de uma moda da altura. Entrei e chumbei a quase tudo no primeiro ano. Não punha lá os pés, queria era festa. Mas não gosto muito de desperdício e tinha consciência de que os meus pais estavam a investir em mim. Não me sentia bem com isso e, no segundo ano, comecei a estudar e a ter resultados minimamente aceitáveis. Só que no terceiro ano tive a oportunidade de fazer um curso de expressão dramática e foi amor à primeira vista.

E o curso de Economia?

Cheguei a acabar. Mas enquanto estudava, representava. Tive professores da faculdade que me foram ver ao teatro onde comecei. Fiz questão de acabar o curso, por mim e pelos meus pais. Além disso, acho que a aprendizagem nunca ocupa espaço, é sempre uma mais-valia.

Tem marcado a sua carreira pelo humor. É essa a sua ‘praia’, como se costuma dizer?

Acho que tem sido assim, mas também tenho feito algum drama. Sinto-me perfeitamente confortável. Aliás, acho que um defeito que existe é rotular as pessoas, e eu não sou muito disso. Os melhores atores dramáticos que conheço são também excelentes atores de comédia. Não sou muito de rótulos, apenas o mercado acaba por solicitar mais num meio ou no outro. Mas eu trato depois de compensar, porque quanto mais versátil, melhor.

Sente que precisa de fazer mais teatro ou televisão?

E cinema, também. Acho que todas as linguagens têm o seu encanto e a sua exigência. Todas elas me preenchem e me completam. O teatro tem uma magia, uma magia diária. A televisão tem outro tipo de exigência, e o cinema ainda outro. Não desvalorizo um em relação ao outro, dou-lhes igual valor.

Uma das novelas que o projetaram foi ‘Perfeito Coração’. O que significou para si esta produção?

Era o ‘Constantino’, um mecânico. Fiz uma preparação para essa personagem, trabalhei numa oficina sem ninguém saber quem eu era porque, na altura, eu fazia mais teatro do que televisão. Levei tanto na cabeça. Tive de lavar quase 30 carros num dia e aspirar, e muitos vieram para trás porque tinham um grão de areia. Mudei pastilhas, filtros, fiz alguns arranjos um pouco mais complicados. Foi muito bom, e fundamental para a personagem. Tento, sempre que possível, fazer esse tipo de preparação. Tinha como meu principal parceiro o Paulo Rocha, que é um grande amigo e que admiro muito. Dos melhores colegas com que já trabalhei, dos mais generosos. Foi o meu terceiro trabalho na SP, depois de ‘Liberdade 21’ e do ‘Conta-me Como Foi’, e foi muito bom. Foi o consolidar do meu trabalho numa casa que é para mim muito especial. Foi das personagens que mais gostei de trabalhar. Mas também porque existia o Paulo Rocha a fazer de ‘Sr. Vasco’. Tem sido muito gratificante ver que, após vários anos, continua muito presente para todos. E acho que foi o que fez as pessoas meterem-se mais comigo na rua.

As pessoas abordam-no?

Sim, e eu faço questão de falar com elas. O português é muito correto, respeita a privacidade, não maça. Nunca tive más experiências. Há dias em que posso estar mais cansado, quero dar mais atenção e não consigo. Sempre foram impecáveis comigo.

Estará ocupado com a peça de teatro entre outubro e novembro. É fácil conciliar o teatro com a televisão?

É, porque surgiram os dois convites mais ou menos na mesma altura e eu abri o jogo aos dois lados. Felizmente tive a compreensão da SP Televisão e do Teatro Nacional, o que me permitiu conciliar.

Com tanto trabalho, preocupa-se em ter tempo para a família?

Claro que sim. Agora, por exemplo, como sabia que ia fazer teatro e televisão, organizei-me para ter umas férias em condições com a minha mulher e a minha filha. Isso é fundamental.

Quem é o Miguel Costa fora dos ecrãs e dos palcos?

Sou uma pessoa banalíssima, gosto de rir, façam-me rir que eu agradeço. E gosto muito do meu Sporting.

Vai muito ao estádio?

Vou, irrito-me imenso, sou péssimo e digo todo o vernáculo a que há direito. Sou péssimo para os meus rivais, mas gosto que as equipas portuguesas ganhem no estrangeiro. Gostava muito que o meu Sporting fosse campeão.

INTIMIDADES

Quem convidaria para um jantar a dois?

Gostava de convidar o Bruma [futebolista] para lhe dar alguns conselhos e tentar perceber aquela cabeça. No meio disto tudo, ele anda a ser manipulado.

Quem é a mulher mais sexy do Mundo?

A minha, Joana.

O que não suporta no sexo oposto?

As mulheres, que admiro imenso, têm uma dualidade de critérios que me deixa arrepiado.

Qual é o seu maior vício?

Desporto.

O filme da sua vida?

Não há um filme da nossa vida, há filmes que nos vão marcando em fases da nossa vida.

Cidade preferida?

Lisboa, é a cidade mais bonita do Mundo.

Um desejo?

Que a minha filha seja feliz.

Complete. A minha vida é…

Uma alegria. Sou feliz.

PERFIL

Nasceu a 13 de março de 1977 (36 anos). Licenciou-se em Economia mas a representação falou mais alto. Estreou-se no teatro e, mais tarde, iniciou-se na televisão. A novela ‘Perfeito Coração’ lançou-o para a ribalta. Atualmente, interpreta a personagem ‘Ivo’ na telenovela líder de audiências, ‘Dancin’Days’ (SIC).

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