Confissões
Mikaela Lupu: “Acho que estou a viver um sonho”
Da infância guarda memórias felizes
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01/06/2013 10H30
Foto: João Miguel Rodrigues

Mikaela Lupu tem 17 anos e nasceu na Moldávia, mas foi em Portugal que se apaixonou pela representação. Da infância guarda memórias felizes. Aguerrida, diz que vai à luta com o apoio dos pais.

- Participa na telenovela ‘Mundo ao Contrário’, da TVI, onde contracena com o protagonista, Diogo Infante. Está a viver um sonho?

- Acho que estou a viver um sonho, porque faço o que gosto e o que quero fazer para sempre. Poder fazer isto é um sonho, sim.

- Aos 17 anos consegue ter a certeza que quer representar no resto da vida?

- Tive três anos de teatro na escola, do 7º ao 9º. E apaixonei-me completamente. Eu já tinha pensado numa escola de teatro, mas acabou por ficar esquecido. Entretanto, fiz os ‘Morangos com Açúcar’ [TVI] quando ainda não pensava em televisão. A minha paixão era o teatro.

- Mas só subiu ao palco na escola?!

- É verdade. Mas gostei muito.

- E antes sonhava com quê?

- Eu sempre gostei muito de Ciências. Estive no 10º ano em Ciências e deixei essa área por causa dos ‘Morangos com Açúcar’. Eu queria ser qualquer coisa relacionada com saúde.

- Médica?

- Não tanto. Equacionava ciências da nutrição, enfermagem, análises clínicas, algo deste género. As Ciências sempre me fascinaram. E sempre fui boa aluna a Matemática, a Biologia, e tinha uma boa média.

- Mas acabou nos ‘Morangos’ a dar corpo a Teresa, uma jovem anorética…

- E muito tímida. Tinha vergonha dos rapazes. Não se sentia bem com ela. A anorexia é um problema muito sério.

- É verdade que as pessoas a procuravam e lhe pediam conselhos? Confundiam a Mikaela com a Teresa?

- É verdade. Muitas raparigas vinham ter comigo. E muitas nem sequer eram anoréticas, evitavam comer porque não gostavam do seu corpo. E como a minha personagem, a Teresa, melhorou, essas adolescentes viam nela uma esperança. E eu tentava ajudá-las. Foi muito complicado.

- A Mikaela saiu do anonimato de um momento para o outro?

- Exatamente. Ao princípio, quando via as pessoas a apontarem-me o dedo, nem percebia. Só quando começaram a falar comigo é que eu entendi. ‘Gosto muito de te ver’, diziam-me. E queriam obrigar-me a comer.

- Sentia-se observada?

- Sim, sentia. E é um bocado constrangedor. Mas depois é uma questão de hábito. O pior era quando vinham ter comigo e diziam: ‘tens de comer.’ Havia quem me agarrasse no braço e quisesse obrigar-me a comer.

- Mudou a sua postura na rua?

- Mudei. Comecei a ter mais cuidado. Mas nós, atores, não podemos dizer que não. Trabalhamos para as pessoas que vêm ter connosco, que nos pedem autógrafos.

- Tem irmãos?

- Tenho duas irmãs mais velhas e uma sobrinha com cinco anos.

- Vive com os seus pais?

- Moro num casa que é dos meus pais, mas não moro com eles. Eles vivem noutra casa na mesma zona.

- Nasceu na Moldávia…

- Nasci no Leste da Moldávia. Vim para Portugal com cinco anos. Morei no Montijo, depois mudámos para Lisboa e agora vivo na Linha de Sintra.

- Emigraram porquê?

- Por causa de um convite de trabalho. Os meus pais são gruistas, manobram gruas de torre, e tiveram um convite para virem trabalhar para cá. Vieram só eles. Eu e as minhas irmãs ficámos com a nossa avó, depois perceberam que Portugal era um país com melhores oportunidades e condições e foram buscar-nos.

- Foi difícil adaptar-se?

- Não. Correu tudo muito bem. Vim para Portugal e fui logo para a escola, para o 1º ano. Tive uma professora que me ajudou muito no português.

- Que língua fala em casa?

- Com as minhas irmãs, falo sempre em português, com os meus pais tenho tendência a responder em português, mas às vezes baralho e falo as duas línguas. Mas faço um esforço para não deixar de falar a minha língua, moldavo, senão qualquer dia já não me lembro.

- E a paixão pelas Ciências extinguiu-se?

- Não. De vez em quando ainda tenho uns ‘raios’. Mas se aposto em duas coisas, acabo por não fazer muito bem nenhuma delas. Prefiro apostar à séria no teatro e na representação.

- Fala do teatro com um brilho...

- Pois falo. É muito diferente da televisão. É interagir com o público. No teatro é preciso outra preparação, outra exigência. Na televisão, isso é mais leviano.

- Aos 17 anos, as duas experiências que teve em televisão foram com papéis relevantes, o que não é normal.

- É esforço e trabalho. Sem estas duas coisas, não se consegue nada.

- Mas alguma coisa tem para conseguir entrar com o pé direito?! É mais aguerrida?

- Sou. Mas talvez se deva ao meu à-vontade e ao gosto que mostro por aquilo que quero fazer.

- Contracenar com atores consagrados inibe-a?

- Um bocado, porque fazem aquilo há tantos anos que o nosso medo de falhar é maior ainda. Mas é ótimo, porque são eles que têm muito para nos ensinar.

- Para compor as personagens, treina em casa?

- Treino e faço-o sozinha. A fazer coisas em casa. Estou a preparar qualquer coisa e vou dizendo a cena que vou gravar no dia seguinte. E digo-a com a postura adequada.

- Ou seja, a Mikaela agora vive a Cila [personagem que interpreta em ‘Mundo ao Contrário’]?

- Sim, de certa maneira. Dou muitas vezes por mim em casa a dizer o texto. A funcionar como ela. É da maneira que a personagem fica em nós.

- E os pais estão contentes por terem uma estrela em casa?

- Bom, eles gostam que eu faça uma coisa de que gosto. Eu pensava em Ciências, uma área mais segura, onde sabiam que eu acabaria o curso e teria lugar num hospital, mas mesmo assim deixaram-me seguir uma área tão insegura como esta, porque eu gosto mesmo do que faço. Eu expliquei-lhes que era o que queria fazer. E foram eles que foram à escola falar com a diretora, que não concordou que eu saísse, porque era muito boa aluna.

- Eles veem-na?

- Veem e acham, às vezes, estranho algumas coisas que faço.

- Acham estranho a Cila ser tão sedutora?

- [Risos] Sim. Acham que eu tenho uma personagem maluca. E às vezes têm receio que eu fique como as personagens. Nos ‘Morangos’ estavam sempre a dizer-me para comer, para ter cuidado e não ficar como a Teresa. Em ‘Mundo ao Contrário’, a Cila contracena com o vilão, o Pedro, que é odiado por todos. E os dois têm uma grande atração sexual.

- Quando não está a gravar, o que faz?

- Estou na escola. Estou no primeiro ano da Escola Profissional de Teatro de Cascais. E é muito difícil conciliar com as gravações. Nem tenho tempo para treinar, que é uma coisa que adoro.

- Alguma modalidade?

- Ginásio e natação. Agora não tenho tempo, e os fins de semana acabam por ser para descansar e preparar trabalhos para a escola.

- E quando acabar o curso?

- Ainda me faltam dois anos, mas quero muito ir estudar para fora. Gostava também muito de tirar um curso de cinema.

- Não gostaria de trabalhar no estrangeiro?

- Claro que todos queremos trabalhar lá fora. Mas tem de se começar por algum lado. E eu acho que a formação é muito importante.

- Receia novos desafios?

- Não. Fico com vontade de fazer logo. Não tenho medo, avanço.

- Vai à luta?

- Exatamente. É uma oportunidade. E acho que, se não estivesse cá em Portugal, não estaria a fazer isto.

- Se tivesse ficado na Moldávia, estaria a fazer o quê?

- No sítio onde morávamos não podia continuar a estudar. Teria de ir para a capital para acabar os estudos.

- Morava numa aldeia?

- Sim, no Interior. Tínhamos casa na capital, mas raramente lá íamos. Mas acabo por ter saudades de estar lá. Tenho muitas memórias de coisas que aqui não são possíveis.

- Depreendo que teve uma infância feliz. Provavelmente mais livre…

- Muito. Lembro-me de estar na quinta da minha avó e brincar com muitos animais. Adoro animais. Tenho pena de morar num apartamento, de andar sempre a correr…

- Mas se estivesse lá, o que é que estaria a fazer?

- Se calhar, estudava Ciências. E nem sei se a representação surgiria. Lá não há teatro na escola. E eu ganhei o gosto pela representação na escola. Às vezes, nem me parece que estou a trabalhar. Divirto-me tanto. Penso: ‘Estive a trabalhar e nem dei por isso.’

- E namorado?

- Não há. Agora não há. Desde há uns meses. E com este ritmo não há tempo para nada. Nem para namorar.

- O que é que faz para relaxar?

- Leio. Eu adoro ler. Agora leio muita dramaturgia por causa da escola. Mas adoro ler, e lia muitos livros baseados em histórias verídicas. Perco-me a ler. 

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Convidaria um ator do qual gosto muito, que é o Albano Jerónimo. Eu acompanho muito o trabalho dele.

- Quem é o homem mais sexy do Mundo?

- O ator Matthew McDonnell.

- O que não suporta no sexo oposto?

- O fanatismo pelo futebol. Os homens deliram e vibram com o futebol, e eu não gosto disso. Eu não tenho clube. E o futebol não me diz nada.

- Qual é o seu maior vício?

- Fruta. Qualquer uma. Eu adoro fruta.

- O último livro que leu?

- ‘O Retrato de Dorian Gray’ [de Oscar Wilde].

- O filme da sua vida?

- ‘I am Sam.’

- Cidade preferida?

- Roma.

- Um desejo?

- Ter uma longa carreira.

- Complete. A minha vida é…

- ... uma descoberta.

PERFIL

Mikaela Lupu tem 17 anos. Nasceu na Moldávia e veio para Portugal aos cinco anos, com os pais e as duas irmãs. Fez a Primária e, no Secundário, apaixonou-se pelo teatro, deixando para trás as Ciências. Selecionada através de casting, viveu Teresa nos ‘Morangos com Açúcar’ e agora interpreta Cila em ‘Mundo ao Contrário’.

Agradecimentos Viúva Alegre

 

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