A montanha e um... rato

Quando se começou a falar de Jay-Z para o palco principal do mítico festival Glastonbury, em 2008, muitas foram as vozes que se levantaram.
15 dez 2018 • 00:30
Miguel Azevedo
Polémica... Quando se começou a falar de Jay-Z para o palco principal do mítico festival Glastonbury, em 2008, muitas foram as vozes que se levantaram contra o facto de se levar o hip-hop para um festival rock. Muitos vaticinaram mesmo que se estava a desenhar o início do fim de um dos mais míticos festivais do Mundo.

À cabeça das críticas esteve Noel Gallagher, dos Oasis, que foi duro e implacável nos juízos e nas considerações que fez ao evento. O músico aproveitou mesmo a quebra de vendas que se registou pela primeira vez no festival para culpar o rapper norte-americano. "Glastonbury tem uma tradição de guitarras e hip-hop em Glastonbury está errado. Jay-Z não!", disse.

Na altura, o coprodutor do festival, Emily Eavis, justificou a escolha ao jornal ‘The Independent’ dizendo que Glastonbury precisava de "evoluir e desenvolver-se", mas a verdade é que, pelo sim, pelo não, os cinco dias de festa tiveram para oferecer nomes como The Verve, Kings of Leon, Leonard Cohen, Panic at the Disco ou Goldfrapp para cumprir com o melhor espírito roqueiro.

No final, Jay-Z não só atuou com estrondo como ainda aproveitou para gozar com Gallagher e fazer com que este fosse apupado (nos ecrãs gigantes projetou as críticas do guitarrista e a multidão acabou a vaiá-lo). Como se não bastasse, o tema de abertura do rapper foi mesmo um cover de ‘Wonderwall’, possivelmente a faixa mais famosa do Oasis.

E enquanto alguns cantavam juntos, a maioria das pessoas apenas entoava o nome do rapper. E assim Jay-Z saiu em ombros. Ora, serve tudo isto para dizer que, para o ano, Glastonbury poderá ter mais uma prova de fogo, mais uma manifestação do apocalipse com a anunciada possibilidade de levar as Spice Girls ao palco principal.

Ou será isso ou então será apenas mais uma montanha a tentar parir um rato.
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