A vida de um ‘gajo’ porreiro

Futebol... É mesmo um gajo porreiro este António Zambujo, ‘porreiro’ em todo o sentido lato do termo.
24 nov 2018 • 00:30
Miguel Azevedo
Futebol... É mesmo um gajo porreiro este António Zambujo, ‘porreiro’ em todo o sentido lato do termo: afetuoso, amável, bacano, boa onda, boa conversa. Sempre que falo com ele, fico com a mesma ideia: "Deve ser mesmo fixe ser amigo deste tipo!" Zambujo, a quem os amigos chamam ‘zambas’, é um fadista que até pratica boxe (provavelmente só ultrapassado por Ricardo Ribeiro que pratica kickboxing). Uma vez disse-me Milton Nascimento sobre António Zambujo: "É das pessoas mais incríveis que encontrei. Fiquei louco quando o conheci".

Apaixonado por música, Zambujo é daqueles que vai a todas, sem preconceitos, basta que lhe apeteça. Se já o ouvimos cantar ‘Loucura’ como poucos, também já o ouvimos a gravar David Bowie. Ele tanto abraça Sandra Barata Belo em ‘Pica do Sete’ como faz de taxista para Dengaz. Nada Errado claro, afinal, também à sua maneira, Zambujo é um bom ‘vagabundo’ da música, com tudo o que isso tem de ocioso e de prazeroso para ele. E assim é desde o início, fazendo amigos, "sempre a somar", como me dizia esta semana. A verdade é que é impossível resistir-lhe.

Há dois anos quando me contava sobre o seu encontro com Chico Buarque dizia-me que tinha sido uma espécie de amor à primeira vista, e que na primeira noite tinham passado horas a conversar sobre música e sobre uma paixão em comum: o Benfica. Dezasseis anos depois do primeiro disco, diz que continua a ser igual a si próprio, independentemente das nomeações ou das comendas que já lhe atribuíram.

Contas feitas, talvez só uma coisa tenha mudado: a sua relação com o futebol e com o Benfica que chegava a influenciar os seus desempenhos em palco. "Se ganhávamos levava aquela excitação e adrenalina toda. Se perdíamos levava uma má disposição que tinha que saber controlar", diz. "Este ano, por causa de tudo o que tem acontecido no futebol, consegui desligar- -me como não julgava que fosse possível. E nunca mais fui ver um jogo".
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