Amália... essa cantora italiana

Como a própria chegou a dizer uma vez, em Itália só não cantou onde não havia um palco.
14 jan 2017 • 00:30
Miguel Azevedo
Sucesso... Quando em 1970 Amália Rodrigues pisou solo italiano para atuar no Teatro Sistina, em Roma, ainda ninguém poderia imaginar que em tão pouco tempo aquela voz sofrida que carregava consigo a canção de Lisboa e Portugal inteiro iria deixar Itália a seus pés. Tão-pouco se sabia que antes disso, nos anos 50, já a fadista era idolatrada por Umberto II, o último rei de Itália, que na altura em que esteve exilado em Cascais fazia questão de ir sempre ouvi-la cantar ao Café Luso.

No decorrer daquela década Amália atuou em todos os principais teatros das grandes cidades italianas, fez o circuito quase exclusivo dos artistas italianos como se fosse um deles, com mais de 80 concertos por ano, e até há relatos de que cantou em adros de igrejas, uma espécie de privilégio só concedido aos grandes. 

Como a própria chegou a dizer uma vez, em Itália só não cantou onde não havia um palco. Por cá muitos não saberão, mas Amália chegou a gravar em língua italiana e em quatro dialetos transalpinos. Chegou mesmo a registar um disco em italiano em apenas duas tardes, sem saber as músicas e as letras… só a ler. 

No ano em que passam 50 anos sobre a edição daquele que é um dos mais importantes registos de Amália, ‘Fados 1967’, chega a notícia de que novas gravações feitas pela diva do fado em Roma nos anos 70 e nunca editadas entre nós vão ser finalmente lançadas em Portugal. 

A edição especial ‘Amália em Itália’ inclui três discos: o primeiro, o tal gravado em duas tardes em Roma, com canções muito antigas em italiano e em vários dialetos das províncias, o segundo um disco ao vivo, de um concerto em Itália, que apenas foi editado naquele país, e o terceiro com gravações completamente inéditas de um outro concerto que deveria ter dado um filme mas que por causa de um acidente viu as suas imagens perderem-se para sempre.
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