Lembrar para não esquecer

Está praticamente pronto o livro que António Manuel Ribeiro passou os últimos anos a escrever sobre o drama do stalking.
21 jan 2017 • 00:30
Livro... Está praticamente pronto (em fase de revisão) o livro que António Manuel Ribeiro passou os últimos anos a escrever sobre o drama do stalking. São 500 páginas em que o líder dos UHF conta a experiência aterradora que viveu durante seis anos, perseguido de forma obsessiva e doentia por uma fã. "Devo este livro a mim e a todas as pessoas que me perguntam como estou", dizia-me António Manuel Ribeiro, que à conta da sua experiência tem sido chamado para participar em conferências da PSP ou colóquios sobre violência doméstica. Só hoje, sete anos depois da sentença que ditou dois anos de prisão para a perseguidora, o músico começa a voltar à normalidade, ainda que com uma espécie de ressaca à mistura. "Durante muito tempo sofri de stress pós-traumático e só aos poucos é que o consegui ir abandonando. Mas não posso dizer que amanhã não volte."

Memória... O alcance de um projeto como a ‘Música Portuguesa a Gostar Dela Própria’ está muito para lá da música ou da cultura. É um projeto de serviço público, de divulgação de um património vivo, que faz simultaneamente por combater a ignorância e o preconceito que a lógica da folclorização e da música pimba ajudaram a adensar. Em Portugal há um povo resistente que ainda canta, que está longe das grandes cidades, e que "relembra as origens humildes que muitos não gostam de recordar", dizia-me Tiago Pereira (o autor do projeto) quando em 2015 lançou a série ‘Povo Que Ainda Canta’. Aquilo que Tiago faz é registar tradições orais e a sabedoria popular que ameaçam extinguir-se com quem parte, mostrá-la ao presente e deixá-la para o futuro. Aquilo que Tiago (um ‘puto’ da cidade que até começou na música eletrónica) faz é aquilo a que o próprio chama alfabetização da memória.
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