O regresso e o desencanto

Deixou Portugal desencantado com o estado da indústria da música e com os lobbies "que tanto podem construir um artista como destruí-lo [palavras do próprio]".
17 mar 2018 • 00:30
Miguel Azevedo
Paulo Bragança... Deixou Portugal desencantado com o estado da indústria da música e com os lobbies "que tanto podem construir um artista como destruí-lo [palavras do próprio]". Chegou a despedir-se da mãe como um adeus que podia ser sem volta. Durante anos, Paulo Bragança (o cantor que um dia ousou, muito à frente do seu tempo, desafiar o fado e os seus cânones) andou a deambular pela Europa até chegar a Dublin num dia "medonho" de inverno. Durante seis anos por lá viveu, no anonimato absoluto, tendo chegado a fazer um pacto com a embaixada para só comunicar o seu paradeiro em caso… extremo. Viveu num castelo isolado e foi lá que "desceu às entranhas de si próprio". Regressou a Portugal a 22 de abril de 2017, há quase um ano, renascido das cinzas. De lá para cá, apareceu quase de surpresa nos festivais Bons Sons, Festa do Avante, Caixa Alfama ou Vodafone Mexefest. Agora, lança o seu primeiro disco em 17 anos, ‘Cativo’, um trabalho que revela a sede de palco e vontade de cantar de um artista em paz com a sua existência e com os seus fantasmas mas ainda de costas voltadas com alguma da indústria que, em tempos, o desprezou. Tanto assim é que o novo trabalho é lançado pela editora independente Alma Mater, de Fernando Ribeiro, dos Moonspell, uma das pessoas que mais o têm apoiado neste regresso a casa. "Não estou reconciliado com a indústria. Ela está viciada. Os artistas são muito vítimas disso. Há uma parte da indústria que explora o artista português", dizia-me um dia destes em jeito de desabafo. "Em vez de procurar uma grande label, esta escolha deixa-me muito mais sossegado. As grandes editoras são uma armadilha. É verdade que o circuito independente sempre existiu, mas hoje faz muito mais sentido. Sinto que há mais liberdade criativa e sem prazos."
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