Um brasileiro na Madragoa

Momo é um daqueles segredos que o Brasil continuaria a esconder na imensidão do seu oceano artístico, não fosse a inquietação do próprio tê-lo feito, um dia, viajar “para uma inesperada temporada” de concertos em Portugal.
18 fev 2017 • 00:30
Miguel Azevedo
Inspiração... Nascido em Minas Gerais, filho de cearense e grande parte da sua vida carioca, Momo, nome artístico de Marcelo Frota, é um daqueles segredos que o Brasil continuaria a esconder na imensidão do seu oceano artístico, não fosse a inquietação do próprio tê-lo feito, um dia, viajar "para uma inesperada temporada" de concertos em Portugal. Acabou apaixonado por Lisboa, no início perdidamente por Alfama, e mais recentemente pela Madragoa onde vive, sem intenção de regressar a casa, ao Rio de Janeiro. O novo disco, ‘Voá’, de que o Brasil já fala lá do outro lado, tem a luz de Lisboa, o cheiro do Tejo e até a influência do fado (Camané empresta a sua voz ao tema ‘Alfama’).

"Não há como dissociar esta mudança geográfica neste disco", dizia-me um dia destes. "Lisboa é fervilhante. Tem um tempo único. Aqui não se sente a pressão de outras cidades. É uma capital europeia, mas na qual se consegue respirar. É inspiradora", justifica. Neto de um dos mais importantes fotógrafos brasileiros e de uma doceira que "confitava bolos com uma arte impressionante", Momo não é um músico brasileiro comum, nem sambista, nem só MPB. É um daqueles que cabe em qualquer parte do Mundo, tanto que tem como fãs assumidos e declarados David Byrne e Patti Smith, que já por várias vezes o referenciaram. Só.

Apaixonado por fado e com o desejo íntimo de um dia poder escrever uma canção para Ana Moura, dizia-me que por enquanto vai sendo um ouvinte atento. "O fado é uma coisa tão vossa, tem tanto o vosso ADN, que eu nem tento cantar. Tenho um respeito enorme por quem o faz." Antes de ser feito, ‘Voá’ foi vivido numa mudança de vida assumida, que de resto já havia levado outros músicos de luxo e da nova geração a trocar o Brasil por Lisboa, como Pierre Aderne, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães ou Luanda Cozetti.   
Mais sobre
Newsletter
topo