Francisco José Viegas
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Desde o século XIX que Camões, infelizmente, é sinónimo de patriotismo.
Desde o século XIX que Camões, infelizmente, é sinónimo de patriotismo.
Longe do antirracismo dos fofinhos, gostava de lembrar dois factos aparentemente distantes.
Os analfabetos que tratam Vieira como um "esclavagista seletivo" e emblema do colonialismo desconhecem quer a obra (seria pedir muito a analfabetos), quer a vida do autor da ‘História do Futuro’ e de tantos outros textos, cartas e sermões que construíram a limpidez e o brilho da nossa língua. E, portanto, desconhecem também o papel de Vieira na proteção e defesa dos povos ameríndios.
Uma geração de moralistas que se colocam acima de qualquer suspeita quer varrer a memória por decreto e por vingança; é a geração do ressentimento.
Há tempos apareceu um grafito nas paredes de Lisboa: "Camões, o totó do imperialismo colonial esclavagista."
Ler ‘Os Cadernos de Pickwick’, um misto de documentário, jornalismo, ficção política, é uma aventura prodigiosa: ficamos diante de um retrato como a Inglaterra quase nunca teve, se nos abstivermos de muitos escritos de Orwell.
Abençoado Estado que conta com filósofos tão babados & generosos nos seus cueiros e tão bem os alimenta – sobretudo quando não é o seu dinheiro que está em causa, evidentemente.
Ainda se fossem ‘chefs’, teriam alguma sorte; mas editores e livreiros estiveram sempre sozinhos e fartam-se de confiar.
Parece ser cada vez mais difícil entrar no reino dos céus – mas, em contrapartida, o reino da hipocrisia está de portas escancaradas.
Outro dia, na TV, assisti a um espetáculo tenebroso: surfistas de ar blasé peroravam sobre leis, a bondade do governo e a necessidade de obedecer à DGS. Tremi.
Donald Trump está feliz com os distúrbios que percorrem a América porque estes lhe possibilitam identificar um adversário feroz e visível, alarmante, impopular – e regressar à campanha eleitoral, alimentando esperanças de a ganhar.
Fio-me pouco no patriotismo, como o leitor sabe – acho, inclusive, que o ‘patriotismo’ é um argumento ligeiramente canalha, uma espécie de último reduto para argumentos que já não convencem ninguém.
A deputada Constança Urbano de Sousa, com ingenuidade e ignorância (duas coisas que andam sempre a par), representa o papel da anti-semita de serviço, tal como Salazar e o Ministério dos Estrangeiros da época (a II Guerra) duvidavam da existência de tantos judeus portugueses.
Se me perguntassem que canções da história do cinema eu mais recordo, certamente que ‘Johnny Guitar’ estaria entre as cinco primeiras.
Maria Velho da Costa era uma voz da elite das letras; escrevia maravilhosamente, pecado que a banalidade não lhe desculpará, tal como há de marcá-la como uma das escritoras impopulares e pouco "acessível".