Eu conto como foi: Maria Clara

O Porto adoptou-a. Foi a ‘Costureirinha da Sé’ na opereta e deu um outro estilo e firmar à canção ‘Figueira da Foz’
importa
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06 set 2009 • 17:58

Uma grande senhora. Sabia aliar um incrível bom gosto na forma como surgia elegantemente vestida e a cantar com aquela voz tão rara, inconfundível. Foi uma artista de primeiríssimo plano. Quando surgiu na estreia da opereta musical ‘Costureirinha da Sé’, no velho Sá da Bandeira do Porto, o público reagiu com entusiasmo ao seu talento. Ela era diferente de todas as cantoras de então. O registo da sua voz cativou. Uma voz de cambiantes maravilhosos, transmitindo uma sonoridade invulgar. A crítica elege-a como 'um novo estilo na música portuguesa'.

A rádio passava os seus discos famosos. Gravou mais de uma centena de canções. Interpretou temas dos melhores autores. Ficam no imaginário colectivo a ‘Marcha dos Combatentes’, ‘As Pedras que Tu Pisas’, ‘Marcha do Carnaval do Estoril’ e ‘Ó Zé Aperta o Laço’ e tantas outras inesquecíveis que a Alvorada registou. O tema ‘Figueira da Foz’ ficou como um hino maravilhoso e legenda viva da cidade balnear.

Era muito popular embora tímida, demasiado simples para o seu estatuto de artista primeira. Viajou pelo mundo. No Brasil o sucesso enorme entre o Rio e São Paulo. É considerada a ‘Melhor Intérprete da Música Portuguesa’ e recebe o Troféu da EN. Representa o país no Grande Festival Internacional da Rádio em Marraqueche. Outro triunfo.

Foi chamada muito justamente como ‘A Dama da Canção de Portugal’ não só pela atitude que soube dar enquanto pessoa, bem como da perfeitíssima dicção que possuía. António Fortuna, seu agente e amigo, disse: 'Era aquela VOZ inalterável'!

Morreu agora. A 1 de Setembro. Fica sempre como a Senhora e Dona MARIA CLARA!

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